segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Com os livros ‘As frutas de Jorge Amado’ e 'A Comida Baiana de Jorge Amado', Paloma Amado traz para o leitor o gosto pela culinária do renomado escritor da Boa Terra



A obra de Jorge Amado sempre esteve recheada de duas receitas infalíveis: pitadas de narrativas que envolviam malícia e sexo e as receitas deliciosas da culinária baiana, com muita pimenta, dendê e o seu pendor inigualável para fazer dos dois ingredientes uma leitura imperdível

Ao longo da sua extensa obra Jorge Amado sempre fez questão de demonstrar sua paixão pela cultura, gastronomia e paisagens da sua amada Bahia. Nos romances 'Tieta do Agreste', 'Gabriela, Cravo e Canela', 'Quincas Berro d'Água' e 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', entre outros, Jorge Amado inseriu, em meio às histórias, delícias da Bahia, aí incluídos os mais saborosos pratos e sobremesas, além de guloseimas de dar água na boca do leitor.

Dona Flor, cozinheira de mão cheia, ganhava a vida dando aulas de culinária para as mulheres da sociedade baiana. Já Gabriela ficou conhecida em Ilhéus por seus bolinhos típicos e acarajés. Tieta, quando voltou a Santana do Agreste, preparou uma moqueca deliciosa. A última refeição de Quincas Berro d'Água também foi uma moqueca de dar água na boca.

Paloma Amado, filha do escritor, colocou tudo isso no livro de culinária 'A Comida Baiana de Jorge Amado', com receitas recomendas pelo seu pai. Na obra, ela conta que seu pai sempre dizia que "personagem tem de ser vivo, de carne e osso, e se não comer, morre". Para consolidar o livro, ela empreendeu um extenso trabalho de pesquisa e escolheu 142 das inúmeras receitas mencionadas pelos personagens que usavam o dendê, a jaca e a pimenta de cheiro, entre outros itens típicos da culinária baiana, e colocou na obra lançada em 2003, mas que tem edição revista e atualizada.

Foram necessários seis anos de pesquisa para a elaboração do livro, escrito por Paloma durante o período em que acompanhou o exílio do pai na França, entre 1948 e 1949. “O resultado foi rico e com tantos elementos que eu tive dificuldade de eleger qual caminho tomar. Decidi que faria três livros — um dedicado às frutas; outro, à cozinha baiana e um livro de comida ritual, feitas pelos orixás. Esse último ainda precisa ser escrito e pretendo dar a ele um embasamento antropológico. Não quero escrever um livro qualquer”, ressalta a escritora.

De pai para filha


O livro de receitas de Paloma deu sequência a outro projeto de sua autoria 'As frutas de Jorge Amado – ou o livro de delícias de Fadul Abdala'.

Dona de uma boa biblioteca de gastronomia, ela buscou referências
nos livros do pai, listando as frutas citadas nas obras, explicando quando, como, onde e na mão – ou na boca – de quem elas aparecem. No cesto de frutas do autor, cacau, mangostão, abacate e marmelom entre outras, "criam ambientes, aproximam personagens, viram mesmo personagens". E enchem a boca d'água. Para quem gosta da literatura do baiano Jorge Amado, e também de gastronomia, é boa pedida. O livro tem 208 páginas, foi publicado em 1997, e ainda está em catálogo.


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