terça-feira, 7 de outubro de 2014

50 artistas gravam dois álbuns em hom enagem ao grupo Novos Baianos

"Acabou chorare": épico disco do grupo

Ao todo, 28 músicos de todo o Brasil gravarão o mesmo número de canções, cada um deles à própria maneira, nos discos "Tinindo" e o outro, "Trincando", referências à música do aclamado álbum Acabou chorare, de 1972, tido como um marco na história do grupo

“Esse disco tem que sair tinindo, trincando!”, gritou alguém durante a reunião da equipe do coletivo Jardim Elétrico. E assim, meio que de brincadeira, surgiu o nome dos álbuns que prestam homenagem aos Novos Baianos, um dos principais grupos da história da música popular brasileira. O tributo consistirá em dois discos: um se chamará Tinindo e o outro, Trincando, referências à música do aclamado álbum Acabou chorare, de 1972. Ao todo, 28 artistas de todo o Brasil gravarão o mesmo número de canções, cada um deles à própria maneira. O projeto será lançado no fim de novembro, em formato digital e com download gratuito.

A proposta do tributo surgiu enquanto alguns dos integrantes do coletivo tomavam uma cerveja e resolveram que seria uma boa ideia prestar a homenagem. Quando começaram, estavam entre 50 faixas e outros 50 artistas para fazer parte do projeto. Ao atingir o número definitivo, foi dada a largada para as gravações. “Cada artista recebeu ou escolheu uma música, fez a releitura e nos enviou”, explica Carlos Nascimento, um dos idealizadores do projeto. “Meus tios eram muito boêmios, gostavam da banda e cantavam suas músicas em casa. As canções fizeram parte do meu ambiente familiar”, conta.

Releituras

O primeiro single divulgado do projeto foi o do carioca Fernando Temporão, que interpretou a música Com qualquer dois mil réis, do disco Novos Baianos FC (1973). “Fiquei superfeliz com o convite. Eu me identifico muito com essa pegada de inovação que eles tinham, sempre misturando elementos novos”, comenta Temporão. Ele já dividiu o palco com Moraes Moreira enquanto fazia parte de uma banda de samba chamada Sereno da Madrugada e afirma que sentiu grande responsabilidade na hora de escolher o que gravar. “É complicado pegar algo que já está no imaginário das pessoas e reinventar. Muitas vezes dá errado. Quis conferir um novo significado novo a ela e fiquei muito contente em saber que o Moraes aprovou a versão”, conclui.

A banda mais bonita da cidade, muito conhecida pelo sucesso Oração, também está no projeto. “Nós acabamos entrando no último minuto do segundo tempo, não deu tempo nem de escolher a música”, explica, entre risos, Uyara Torrente, vocalista do grupo. A banda se enclausurou no estúdio por dois dias e fez uma versão de Preta pretinha. “Tivemos que encontrar uma forma de encaixar minha voz na música. A extensão é bem difícil de atingir. No fim, acredito que conseguimos dar nossa personalidade para a canção,” continua.

O grupo, que está em pré-produção do terceiro disco, passa por uma fase curiosa, que remete a algo que Os Novos Baianos experimentaram: “Eu e mais alguns integrantes da banda vamos viver juntos, assim como eles já fizeram. Isso vai além da música, é uma filosofia de vida que eles adotaram, é muito Novos Baianos.”

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