domingo, 14 de setembro de 2014

Tendo o filho como parceiro, Arlindo Cruz mostra o seu novo trabalho: "Herança Popular",

Ao completar 56 anos de idade neste domingo (14), e com quase 40 de carreira musical, o sambista Arlindo Cruz lança o CD "Herança Popular" com características modernas. Ele se encanta com o fato de haver mais crianças e até menos fãs de samba de raiz apreciando suas canções

Com a participação especial do filho, Arlindo Neto, na produção, o novo disco do músico — primeiro completamente autoral da carreira — não deixa de ser uma ode às referências musicais que o formaram. É a tal herança popular. Na primeira canção, que dá nome ao disco, Arlindo entoa: “Só quem guardou na cachola Candeia, Cartola / Faz o samba ser escola”.

— Herança é aquilo que você recebe e passa para quem vem em seguida. E o samba é isso, algo que aprendi ouvindo com os meus parentes. Hoje, há muita gente que me tem como referência, o que me deixa envaidecido — diz o cantor, que viu o público crescer após as aparições semanais na TV. A minha imagem televisiva ficou bem mais ampla. E é um prazer, porque as pessoas me reconhecem, pedem autógrafo... Em época de selfie então, o couro está comendo!

Com mais de 700 músicas gravadas, o sambista decidiu investir em ritmos que fazem sucesso com o povo em suas novas composições. Arlindo se define como "cronista do dia a dia" e conta que, para brincar com a modernidade, "substituiu" o primeiro samba gravado no Brasil, em 1917,
"Pelo Telefone", de Donga, por "Pelo Whatsapp".

Em suas novas canções, há referências ao passo de dança "quadradinho de oito" e à cantora Anitta, além de parcerias com MC Marcelly e Mr. Catra. Mas não é só o funk que ele incluiu no disco: o álbum tem músicas com Maria Rita ("Paixão e Prazer"), Marcelo D2 ("O Mundo que Renasci") e Zeca Pagodinho ("Somente Sombras").

Arlindo Cruz afirmou em recente entrevista: "Trabalhando mais de 30 anos com música, reparei que eu sou um compositor popular de samba, que sou um cronista do dia a dia. O exemplo que eu cito é o primeiro samba gravado, "Pelo Telefone", de Donga. Por que não posso transferir essa canção para a atualidade e falar "Pelo Whatsapp"? É uma brincadeira que eu faço porque é um mundo que eu estou conhecendo agora. Tenho uma filha de 11 anos, eu falo no Whatsapp com ela e brinco que sou o 'rei do Zapzap' [apelido dado ao aplicativo]. Os tempos mudaram, a música também, e é preciso acompanhar isso".

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