sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Com o último episódio de “A grande família”, chega ao fim um dos poucos bons programas da TV aberta brasileira





Uma grande incógnita: se o programa tem uma boa audiência que, logicamente se traduz na captação de anunciantes, porque “A Grande Família”, um dos raros programas da TV aberta com um
que de qualidade, foi extinto e atrações imbecilizantes como “Zorra total” e “Vídeo Show” continuam a ser exibidos?


A atração das noites de quinta-feira agradou naturalmente o público, que se identificava com a história de Lineu, Dona Nenê e companhia. Não houve a necessidade de apelar para estereótipos ou polêmicas a fim de se manter em evidência. No ar desde 2001, o seriado que se encerra ontem, quinta-feira (11/9), foi um dos produtos mais bem-sucedidos da TV brasileira. Mesmo em tempos nos quais a Globo vê a sua audiência em queda livre, “A grande família” perdeu apenas 10% dos índices iniciais.

Talvez por retratar a realidade da grande maioria dos lares brasileiros,”A Grande Família” se traduz um dos seriados de maior audiência e maior longevidade da tevê aberta. O que era para ser apenas um especial curto em homenagem ao programa original que passara 30 anos antes, ganhou, gradativamente, espaço na programação. E assim se passaram 14 anos de muita confusão, momentos de alegria, emoção e até tristeza. O elenco mudou, a série foi indicada ao Emmy, personagens se renovaram e outros se foram. A certeza é de que o fim chegou e a saudade também.

Apresentada pela primeira vez em 1972, a família Silva foi se moldando aos poucos à realidade brasileira. À época, tudo era inspirado no seriado norte-americano All in the family, o que não suscitou tanta empatia com o público. A direção foi alterada e as mudanças necessárias ocorreram para que o programa fosse interrompido com ótima adesão de espectadores, em 1975, após a morte do autor Oduvaldo Viana Filho.


Com direção de Guel Arraes e um elenco encabeçado por Marco Nanini e Marieta Severo, dois dos grandes nomes do teatro brasileiro, a tendência será sempre um produto de qualidade. A série sofreu um duro golpe em 2003, com a morte do impagável ator Rogério Cardoso, que fazia Seu Floriano, paz de D. Nenê e era algoz de Agostinho (Pedro Cardoso), eternamente metido em enrascadas e situações bizarras.

Comum acordo

Apesar de ainda ter público e audiência para ficar no ar por mais tempo, o fim do programa foi um acordo entre a direção da emissora e o elenco. Sobre o assunto, a atriz Marieta Severo declarou: “A gente sempre conversou, desde o início em que vimos que o programa tinha pegado, a gente falava muito sobre não sair do ar com o programa sendo rejeitado pelo público e conseguimos sair com uma grande aceitação e qualidade. Se a gente quisesse continuar, teríamos continuado, mas houve um acordo e acho que terminamos como a gente sempre sonhou".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!