domingo, 21 de setembro de 2014

A 'logística reversa' e o novo desafio para as organizações e para a sociedade


Diferentemente dos tempos de Henry Ford quando ele afirmou que "O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto", as organizações contemporâneas já se convenceram de que são elas que têm que se adequar ao mercado e não o mercado se adequar a realidade distinta de cada uma delas

E é dessa adequação que dependerá a sobrevivência dessas organizações. Na verdade, sobreviverão aquelas que possuírem a maior capacidade de inovar, de se antecipar a situações futuras, de se adaptar rapidamente as tendências globais e as incertezas da nova administração organizacional.

Sob esse prisma, podemos compreender a importância e a abrangência da logística dentro de uma organização e perceber a estratégica importância que ela têm para o alcance de objetivos pré-estabelecidos, bem como mensurar os resultados positivos do seu eficaz gerenciamento.

Inversamente, temos a logística reversa, que se preocupa com o retorno dos produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo, com foco na sustentabilidade, na produção limpa e posterior redução dos impactos ambientais.

A expressão 'logística reversa' é um conceito muito recente e envolve o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência, do custo efetivo do fluxo de matérias-primas, estoques de processo, produtos acabados e as respectivas informações, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recapturar valor ou adequar o seu destino.

Em 2010, - há menos de meia década, portanto, - a Lei Lei 12.305/2010 e o Decreto 7.404/2010 regulamentaram a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS. Os mecanismos legais estabelecem a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos entre as indústrias, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e serviços de limpeza urbana, para a minimização do volume dos resíduos e rejeitos e a redução dos impactos causados à saúde e qualidade do ambiente.

A logística reversa tem o fito de instrumentalizar os procedimentos e meios que viabilizem a coleta e restituição dos resíduos aos setores empresariais para reaproveitamento no mesmo ciclo do produto original, outros processos de produção ou destino final ambientalmente adequado.

Para a institucionalização da responsabilidade compartilhada as empresas em seus diversos ramos de atividade e os governos de todas as esferas, realizarão acordos setoriais e termos de compromisso para a implantação de programas de logística reversa independentes dos serviços públicos de limpeza urbana de diversos produtos e embalagens. Estes deverão ser reutilizados ou reciclados em suas próprias linhas de produção, em outros ciclos produtivos ou encaminhados à destinação ambiental adequada.

Papel dos consumidores

Apesar das atribuições das entidades, - empresariais, governos e ONGs, - um doa mais importantes papéis está nas mãos dos consumidores. A eles, forma atribuídas responsabilidades legais e não poderão mais dispor os diversos resíduos não segregados, sem critérios quanto às origens e destinos previstos nos acordos firmados entre empresas e os poderes públicos. Devem efetuar a devolução pós consumo ou uso aos comerciantes ou distribuidores que retornarão às indústrias ou importadores. Quando estabelecidos sistemas de coleta seletiva, os consumidores são obrigados a acondicionar de modo adequado e diferenciado os diversos resíduos reutilizáveis e recicláveis, disponibilizando-os corretamente para a coleta ou devolução. Os municípios podem instituir incentivos econômicos através de leis municipais específicas aos consumidores que participam da coleta seletiva.

Portanto, os consumidores têm atribuições bem definidas e sua participação é indispensável para que a Política Nacional de Resíduos Sólidos seja um instrumento legal eficaz de preservação dos recursos naturais e do meio ambiente, inclusão, desenvolvimento social e econômico através da geração de trabalho e renda nas cadeias reversas, desenvolvimento tecnológico e da infra estrutura e a melhoria constante da qualidade de vida das populações urbanas e rurais de todas as regiões e municípios do país.

Opinião do Artecultural

Isto posto, fica no ar um questionamento lógico: e a questão cultural? como a sociedade vai encarar essa atribuição? como mudar hábitos arraigadas e passados através de gerações? é comum no nosso país, o cidadão consumir uma lata de refrigerantes no seu carro e, ao invés de aguardar a próxima parada para jogá-la no lixo, atirá-la pela janela. Tratamento idêntico para o papel de bala, o lenço de papel, os restos de frutas...

Assistindo à transmissão de um corrida de Fórmula 1, a certa altura, o locutor informou que, em Singapura é proibida a comercialização de uma simples goma de mascar, porque as autoridades não sabem como o consumidor vai descartá-la após o uso. Teria a nossa sociedade maturidade para conviver com os preceitos da logística reversa? Como se daria esse processo de transição? São questões para analisarmos nos próximos anos!

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