segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A influência de Carmen Miranda para a penetração da MPB no mercado norteamericano



Ela nasceu em Portugal e se tornou brasileira, se chamava Maria do Carmo, mas entrou para a história como Carmen Miranda. A Pequena Notável é a artista brasileira mais famosa no exterior até hoje e, para buscar seu espaço, ela se inventou e criou um mito tão forte que se confunde com a própria identidade cultural do Brasil

Excêntrica, ousada e desafiadora, Carmen Miranda é a personificação da cultura brasileira do século 20. Uma das primeiras artistas multimídia do Brasil, ela sabia como nenhuma outra exportar o gingado brasileiro mundo afora. Não à toa, Carmen foi a única “latino-americana” – ela nasceu em Portugal, mas se naturalizou brasileira – que deixou seu marco na Calçada da Fama, em Hollywood. Além de dominar canto, dança e teatro, virou referência de moda ao apostar em looks à frente do seu tempo, com seus adereços de cabeça exuberantes, maxiacessórios e plataformas com saltos nas alturas. “Nunca segui o que dizem que está na moda. Acho que a mulher deve usar o que lhe cai bem. Por isso, criei um estilo apropriado ao meu tipo e ao meu gênero artístico”, disse Carmen Miranda certa vez.

Em meados dos anos 40, Carmen Miranda já era a artista mais bem paga dos Estados Unidos e a mulher que mais pagava imposto de renda no país. No fim da década, ela excursionou por toda a Europa, fez longa temporada no Teatro London Palladium, em Londres, batendo recordes de público, e até chegou a receber simbolicamente as chaves da cidade de Estocolmo, capital da Suécia.

Em sua época, o Brasil ainda era um país pitoresco, exótico e longínquo, muito pouco conhecido. Carmen representava muito do Brasil e deu ao mundo a imagem de um país feliz, alegre, tropical, quente e positivo. É óbvio que o Brasil não é só isso, mas Carmen mostrou aos outros povos o que é a nossa música, a nossa dança e a nossa arte. Por isso a imagem de Carmen e o Brasil ficaram geminadas por tanto tempo, porque Carmen era meio que o próprio Brasil.

A MPB no mercado americano no século XXI

A visibilidade atual da MPB nos EUA pode ser empiricamente constatada pelo crescimento vertiginoso de CDs de intérpretes brasileiros lançados no mercado americano nos últimos 8 anos; na sua constante menção em vários "media"; nas colaborações ao vivo e em gravações entre intérpretes brasileiros e americanos; no circuito dos international acts por cidades americanas de nomes como Djavan, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ivan Lins, o grupo Olodum.

Há ainda que mencionar as inúmeras bandas musicais, batucadas, conjuntos de choro formados por brasileiros residentes nos EUA, de variados níveis profissionais, que além de preencherem o circuito regular da live music em várias localidades, também ensinam ritmos e instrumentos brasileiros em grandes centros urbanos da costa leste e oeste, até nas pequenas cidades universitárias interioranas.

Por outro lado, estes índices não correspondem simplesmente a uma resposta espontânea a um novo interesse pela MPB. Há razões significativas mescladas nesta nova onda que a intersectam com a globalização da cultura.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!