quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A história de Luiz Gonzaga é agora contada no teatro com 'Gonzagão - A lenda'




Fugindo dos roteiros tradicionais, a peça não traz detalhes da história do ‘rei do baião’, dispensa o didatismo relacionado ao mito e centra-se no homem do sertão que virou rei e cantou as agruras do seu povo sem nunca abdicar das suas raízes
 

João Falcão, o diretor da companhia teatral formada por oito homens e uma mulher, montou uma narrativa que conta, com ar saudosista, o surgimento de uma das grandes lendas da música brasileira. “Esse distanciamento permite que eles falem de Luiz Gonzaga com liberdade, mostrem o que pode ter ocorrido, mais do que aquilo que de fato ocorreu”, explica Falcão. A licença poética leva a assinatura do diretor. E ele não nega: deu um trabalho danado.

O roteiro da peça mistura passagens reais da vida de Luiz Gonzaga a fatos que saíram da cabeça do criador. No meio disso, as 37 canções que compõem o repertório viram dramaturgia na boca dos atores-cantores.

“Queria que as músicas contassem a história. Como ele tem repertório incrível, não foi difícil achar uma para cada situação”, explica João Falcão. O contrário também ocorreu. Canções inspiraram cenas não necessariamente relacionadas à história do personagem. Por exemplo: por mais que Gonzagão estampasse no figurino a admiração por Lampião, o encontro entre eles só existe no palco. “A opção por contar uma fábula também permitiu criar um encontro hipotético dele com o filho, sem ter que contar detalhes de biografia”, ressalta o diretor.

Estreante em um palco de artes cênicas, o agora ator e músico Marcelo Mimoso parece feliz com a experiência. “Gonzagão tem música para dar e vender. Se você vai fazer um baile de forró, vai tocar a noite inteira sem repetir uma. Achei muito interessante a forma como João Falcão foi montando as cenas de acordo com as canções”, diz.

Clássicos

Para Mimoso, um dos pontos altos da montagem é o encontro de Gonzagão e Gonzaguinha ao som de 'Sangrando', composição do filho do rei. “É um momento muito emocionante porque as pessoas choram nessa cena. Ter que levar verdade para uma coisa que não ocorreu é forte”, comenta. A direção musical e os arranjos são de Alexandre Elias.

No roteiro pinçado por Falcão estão clássicos compostos por Luiz Gonzaga como também outras canções marcantes de parceiros como Humberto Teixeira, Zé Dantas e outros. 'Asa Branca', 'Qui nem jiló', 'O xote das meninas', 'Sabiá', 'A vida de viajante', 'Óia eu aqui de novo' são algumas presentes no repertório, executado por Beto Lemos (viola e rabeca), Daniel Silva (Cello), Rick de la Torre (Bateria e Percussão) e Rafael Mininão (acordeom).

Em Exu: momento especial

"Gonzagão, a Lenda" está na estrada há dois anos mas um momento singular do elenco foi a apresentação, pela primeira vez, em Exu, cidade natal do rei do baião, no interior de Pernambuco. A exibição trouxe significado especial pela data em que ocorreu: na sexta-feira (13.12.2013), quando o Nordestino do Século XX completaria 101 anos se estivesse vivo.

Em Exu, a peça foi recepcionada por 2.000 pessoas que lotaram a praça da pequena cidade incrustada no pé da serra de Araripe, fronteira com o estado do Ceará. A plateia era ocupada por gente que conheceu pessoalmente o forrozeiro, como José Aires de Alencar. "Conheço ele desde que nasci. Aprendi os primeiros passos de forró com Gonzaga", disse ele, acrescentando que o pai era vizinho do músico.

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