segunda-feira, 8 de setembro de 2014

100 anos de Lupicínio Rodrigues: ninguém cantou a "fossa" como ele...



Lupicínio Rodrigues é uma das figuras mais interessantes e complexas da música brasileira. Nascido em Porto Alegre, o cantor e compositor era conhecido como o inventor da dor de cotovelo, compôs músicas que entram facilmente no rol das mais melancólicas do cancioneiro nacional, é o autor do hino do Grêmio e tinha conhecida vida na boemia



No dia 16 de setembro, a MPB vai se render à dor de cotovelo. A data marca o centenário do compositor e poeta Lupicínio Rodrigues.

Quando falamos de um boêmio, imagina-se sempre um camarada que vive na noite, de bar em bar. Mas Lupicinio tinha um lado caseiro muito grande. Ele só era boêmio de segunda a sexta, no fim de semana gostava de reunir a família, fazer churrasco, cozinhar para os amigos. Mais tarde, comprou um sítio onde criava porco, galinha, pato, e adorava essa vida pacata, que nada tinha de boemia. Pelo menos nos finais de semana.

"Carta de alforria"

Contam os amigos que, quando ele saia para a noite, tinha uma carta de alforria da mulher até as 4h da manhã. Se chegasse às 4h01min, a casa caia. Então, ele tinha uma rotina: chegava em casa pontualmente às 4h, tomava uma sopinha e ia deitar. Perto do meio dia, acordava e ia cozinhar. Almoçava, tirava uma sesta e, pelas 15h, começava o ritual: vestia o melhor terno e saía. Como ele era representante da SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música), dava uma passada na sede e, logo depois, ia de bar em bar. Usava como desculpa a função de representante do sindicato, mas era só isto: uma desculpa.Era o culpado por falir todos os investimentos em que punha a mão

Sem talento para os negócios

Lupicínio fez algumas incursões como micro empresário, mas não era a praia dele. Foi proprietário de alguns bares e restaurantes me tinha como sócio, Rubens Santos. Alguns não deram certo, outros duraram mais algum tempo. Mas nenhum existe mais. O Rubens Cardoso reclamava muito, porque o Lupicínio ia de bar em bar e aproveitava para dar uma canja, cantava um pouquinho, e os fãs iam de bar em bar com ele. E acabavam não indo no bar dele! Por essas, que ele faliu inúmeras vezes.

De beirar o ostracismo com a Bossa Nova até ser salvo por Caetano Veloso


Uma vez, ele encontrou Caetano num bar em Porto Alegre. Caetano saiu de um show todo paramentando de hippi e a gauchada ficou com o pé um pouco atrás. A indumentária de Caeteno não foi bem recebida. Mas Lupi o acolheu, eles ficaram uma madrugada inteira conversando. Caetano gravou 'Felicidade'. Foi um marco, porque depois ele começou a ser gravado por Bethânia, Gal, Jamelão, Elza Soares, Elis Regina. Ele acabou voltando. Quando morreu, em 1974, estava no auge de novo.

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