quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Tem início neste 13.08, a festa da Boa Morte, em Cachoeira, uma das maiores tradições religiosas da Bahia





A tradição da festa começou em 1820, reunindo a irmandade composta por mulheres descendentes de escravos africanos, em Salvador, mas após serem expulsas da Barroquinha, seguiram para o Recôncavo Baiano e se instalaram na histórica cidade de Cachoeira

Todos os anos, no mês de agosto, a cidade histórica de Cachoeira, Patrimônio da Humanidade, a 110 km de Salvador, revive a força e a ancestralidade da cultura afro, misturada ao forte sentimento de fé, com a comemoração da Festa da Irmandade da Boa Morte que, este ano, começa no dia 13 e termina no dia 17. As ruas, becos e vielas da cidade transformam-se em uma verdadeira passarela com o vai-e-vem de pessoas, de várias partes do mundo, lotando os bares, restaurantes, igrejas e museus. Brasileiros misturam-se a norte-americanos, a maioria afrodescendente, espanhóis, franceses e ingleses.
Os estrangeiros são pesquisadores, fotógrafos, jornalistas e visitantes que procuram conhecer e prestigiar a história e a tradição secular de uma das maiores manifestações culturais do Recôncavo Baiano, transmitida de mãe para filha por abnegadas 23 mulheres negras. Respeitadas e admiradas, essas descendentes de escravas atraem a atenção de todos ao desfilar pelas ruas da cidade como verdadeiras “rainhas”, com a sua imponente indumentária, em passos lentos e firmes, numa grande demonstração de fé e devoção.
A Festa da Boa Morte, Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2010, deve atrair, este ano, cerca de cinco mil estrangeiros e centenas de jornalistas, além de operadores e agentes de viagem. A manifestação cultural está inserida na proposta do turismo étnico do trade turístico baiano. Os poderes públicos apostam na melhoria da infraestrutura do município, visando proporcionar aos estrangeiros, principalmente os afrodescendentes norte-americanos, melhores condições de estada na Bahia.

História da “Boa Morte”

Para os católicos, pode parecer estranha esta associação entre Maria e a morte, quando se venera sua assunção ao céu, em corpo e alma. A tradição católica evita afirmar que Nossa Senhora tenha morrido. Os Padres da Igreja, antigos escritores eclesiásticos, falam em "dormitio" (dormição) de Maria, não em morte. No entanto, a definição dogmática do Papa Pio XII, em 1950, é bastante cautelosa na análise dessa questão: "... a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste".

Antigas tradições esclarecem que Nossa Senhora teria partido deste mundo no ano 42 da nossa Era, quando Maria deveria ter cerca de 60 anos. Seu corpo imaculado teria sido levado ao Getsêmani e colocado num sepulcro novo, sobre o qual mais tarde foi construída uma pequena igreja. Três dias depois, os apóstolos foram visitar o sepulcro e, tal como aconteceu com Jesus, encontraram o túmulo vazio. Podia-se sentir um perfume de flores exalando do local onde se colocara o corpo da Virgem Maria.

Como tantas outras devoções marianas, o culto de Nossa Senhora da Boa Morte chegou ao Brasil por meio dos portugueses. Encontramo-lo presente, em primeiro lugar, na cidade de São Salvador da Bahia. A imagem de Nossa Senhora da Boa Morte pode ser venerada na igreja da Glória e Saúde. Ainda hoje, na véspera da festa da Assunção, a imagem é depositada num esquife e exposta à visita dos fiéis.

Tudo indica que, de Salvador, a devoção tenha se deslocado para a cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano. Nesta cidade, anualmente, a Irmandade da Boa Morte presta homenagens a sua patrona. A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte é a única no Brasil e talvez no mundo com as suas características. Apenas mulheres com mais de 40 anos são admitidas na confraria que existe há mais de dois séculos. O culto a Nossa Senhora da Boa Morte é uma tradição da Igreja Católica e que na Bahia incorporou elementos da cultura afro-brasileira. A cada ano, os rituais promovidos pela irmandade atraem mais turistas e pesquisadores de vários países, principalmente dos Estados Unidos.

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