quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O mês de agosto de 1989 foi particularmente amargo para a arte e a cultura nacionais: no dia 02, perdemos o Rei do Baião, Luiz Gonzaga e 19 dias depois, o Rei do Rock, Raul Seixas





Para os seus fãs ele é o eterno “Maluco Beleza”. Roqueiro dos bons, cuja sonoridade misturou o melhor da musicalidade baiana e o requinte da MPB, Raul Seixas, até hoje, provoca marcas incontestáveis de talento, reflexão e antagonismos poéticos típicos dos artistas revolucionários. Sua morte não foi o seu fim, foi apenas o modo com que fechou para sempre o seu protagonismo em vida, pois a sua mensagem permanece mais do que viva e circulante, dos bares às universidades, das rodas de viola aos shows mais sofisticados


Nesta quinta-feira (21), a morte do pai do rock completa 25 anos. Para homenagear Raul Seixas um grupo de artistas se apresentou no projeto “Toca Raul!” onde nomes como Marcelo Nova, Nasi, Edgar Scandurra, Plebe Rude, Jerry Adriani, Nação Zumbi, Cachorro Grande estiveram presentes no dia de 19 de agosto, na Fundição Progresso (RJ). O resultado do encontro musical estará em breve à disposição do público através do DVD.

O show da última terça-feira fez parte do projeto “O Baú do Raul”, criado em 1992, com o fito de reunir amigos do cantor em um lugar intimista para homenageá-lo com suas músicas. A ideia cresceu, virou turnê, viajou por cidades como Rio, São Paulo, Salvador, Vitória e Cabo Frio, dando origem a um livro, CD e DVD avidamente devorado pelos fãs incondicionais do ‘Maluco Beleza’.

Baú do Raul

“Artistas de várias gerações, antigos fãs e jovens. Principalmente os jovens, que nunca viram o artista ao vivo, que eram apenas crianças quando os sucessos de Raul Seixas eram executados nas rádios, reuniram-se em uma homenagem começando ali, espontaneamente, a mitificação de um dos mais criativos artistas do nosso tempo”, explica Kika Seixas, ex-mulher do artista e responsável pelo projeto. Desde o primeiro show, no Rio de Janeiro, já participaram no Baú artistas como Toni Garrido, Pitty, Gabriel o Pensador, Caetano Veloso, Sandra de Sá e Marcelo Nova.

Neste capítulo dessa longa história, o projeto volta a reunir Os Panteras, primeira banda de Raul, e Jerry Adriani, responsável por levá-lo ao Rio de Janeiro pela primeira vez.

Entrevista

Raul concedeu uma entrevista emblemática um ano antes de partir, onde falou sobre os dias em que ficou preso pela ditadura no ano de 1974, sobre os rumos do rock, da música, da cultura e da política no Brasil. Raul também fala sobre a saúde, que já começava a comprometer na época, e do disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum, que havia sido lançado na época.

Raul mostrava descontentamento com o momento do Brasil. “O Brasil está passando por uma fase dificílima. É um absurdo, tá muito fraco em matéria de pulso e infraestrutura”, dizia.

Com bandas como Ultraje a Rigor, RPM e Titãs fazendo sucesso, Raul Seixas se mostrou um profundo crítico à cena musical brasileira da época. “O rock & roll no Brasil era baseado nas versões internacionais. Hoje é bem mais ingênuo, mais pobre de harmonia em relação ao tropicalismo. Inútil, nu com a mão no bolso. Há uma falta de cultura musical. A juventude está mal informada mesmo. Deve ser uma grande conquista de quem queria isso”, disse.

Raul também falou sobre os boatos de que a sua saúde não estava boa: “Muita coisa de jornal, de noticiazinha, de notinha. Já me assassinaram um monte de vezes. Tive problemas de diabetes. Ela descompensa. Fui internado numa clínica em Santo Amaro. Disseram que tô morrendo. E tô aqui”. Esse era o Raul Seixas: irreverente quando queria e ácido quando era necessário!

Referência: EBC


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