sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O antológico show de Bob Dylan no Madison Square Garden, em 1992, é lançado em CD, DVD e Blu-Ray



Ainda é cedo para avaliações definitivas, até porque Bob Dylan segue ativo e produtivo, os setenta e poucos anos do artista, tem estimulado avaliações sobre o tamanho do seu legado artístico, notadamente o fato de ter inventado uma espécie de subgênero musical, o folk-rock, até hoje com novos discípulos 

Aos 51 anos, Dylan completava 30 de carreira e trazia como legado 28 discos lançados e ele não estava só pois tinha acabado de ganhar seu primeiro grande tributo em vida, realizado por uma lista impressionante de convidados que cantariam suas canções naquele memorável show, "A noite sem fim", no Madison Square Garden, em 1992. O time estrelado: Stevie Wonder, Lou Reed, Eddie Vedder, Tracy Chapman, Booker T, John Mellencamp, Johnny Cash, Willie Nelson, Johnny Winter, Ron Wood, Richie Havens, The Clancy Brothers, The Band, Tom Petty, Neil Young, Chrissie Hynde, Sinead O’Connor e mais dois cavalheiros que garantiriam tributos mesmo se resolvessem fazer shows solos: George Harrison e Eric Clapton.

A Sony acaba de lançar "A noite sem-fim" em três formatos. Caixa com dois CDs, outra com dois DVDs e Blu-Ray. Além do material que já era conhecido, o DVD traz três faixas-bônus (Leopard-skin Pill-box Hat, com Mellencamp; Boots of Spanish Leather, com Nancy Griffith e Carolyn Hester; e Gotta Serve Somebody, com Boker T ? e Don’t Think Twice, It’s Alright, com Eric Clapton). De vaias a apoteoses, quase tudo aconteceu em 4 horas de show.

O bônus do CD com Sinead O’Connor cantando "I Believe in You" é valioso justamente por mostrar o que ninguém viu. Poucos dias antes do concerto, O’Connor havia rasgado uma foto do papa João Paulo II diante da estrondosa audiência do programa Saturday Night Live. Era sua forma de dizer que queria uma abertura maior ao diálogo por parte da Igreja. 


Mas os norte-americanos não ofereceram a outra face e a receberam com vaia, muita vaia. Sua expressão de monge se transfigurou e ela perdeu a calma. Sem mais resistir à ira da plateia, mandou a banda parar a introdução. O cantor Kris Kristofferson tentou salvar a noite, indo ao seu ouvido dizer “não deixe os bastardos a colocarem para baixo”. Mas O’Connor esbravejou e saiu de cena às lágrimas. A faixa que só agora sai no disco havia sido gravada durante a passagem de som.

O incidente ganhou contornos maiores do que deveria e, de certa forma, reduziu à época o tamanho de uma das maiores noites do rock a uma lamentável pendenga pessoal da cantora irlandesa. Agora, 22 anos depois, tudo aparece em seu devido lugar, com sua devida importância, mas à luz de uma nova realidade, tanto na música quanto no campo religioso.

O material traz momentos momentos grandiosos como a performance de Richie Havens interpretando "Just Like a Woman" apoteótico, fazendo-se acompanhar apenas do violão, diante das 18 mil pessoas da plateia; ou The Band tocando "When I Paint My Masterpiece" como legítimos caubóis; George Harrison, em sua primeira aparição nos Estados Unidos depois de 18 anos de distância, com A"bsolutely Sweet Mary". 


Para finalizar, o próprio Dylan, dividindo "Knockin’ On Heaven’s Door" com todos que haviam passado pela noite. A lamentar, o fato de quinze deles não estarem entre nós, mas como a música é imortal e não tem idade, o conteúdo é arrebatadoramente inebriante mesmp para aqueles que não são tão fãs do rock.

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