domingo, 24 de agosto de 2014

“Companhia de Jesus”: a controversa ordem fundada por Inácio de Loyola e que tem como seu expoente máximo o Papa Francisco





 Desde a eleição do Papa Francisco, boa parte de historiadores de religião e até curiosos sobre o assunto vêm dando ênfase à corrente católica Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola no século XVI e que até hoje é motivo de muita controvérsia sobre a linha de atuação do grupo conhecido como “jesuítas” Quando busquei as informações sobre os jesuítas para construir esta matéria, deparei-me com uma imensa variedade de opiniões sobre a ordem religiosa, algumas bem pouco auspiciosas.

Sendo os jesuítas padres da Igreja Católica que faziam parte da Companhia de Jesus, a ordem foi criada logo após a Reforma Protestante
(século XVI), como uma forma de barrar o avanço do protestantismo no mundo. Portanto, esta ordem religiosa foi criada por Loyola no contexto da Contra-Reforma Católica e lançou suas bases na capela de Montmartre em Paris a partir de 1534 com seis outros companheiros, entre eles São Francisco Xavier.

Para que tenha uma ideia do quanto à posição dos jesuítas é controversa em relação à posição do Papa Francisco, vejam o depoimento do Pe. Miguel Yáñez, sacerdote jesuíta, professor de Teologia Moral na Universidade Gregoriana, que teve Bergoglio como diretor espiritual, formador e depois colega no Colégio Máximo dos jesuítas.

Para a Companhia de Jesus, ter um papa jesuíta é embaraçoso. Por um lado, sua popularidade colocou também a Companhia no centro da atenção dos fiéis e do público em geral. Por vezes, na sua história, a Companhia teve uma aura um pouco misteriosa: já falaram tantas coisas dos jesuítas, até a expulsão dos reis Bourbon e a supressão por um Papa.

Após o Concílio Vaticano II, muitos jesuítas se tornaram um incômodo para os governantes devido às suas denúncias de injustiças, e alguns deles acabaram sendo mártires. Mas também no interior da Igreja, alguns jesuítas tiveram uma atitude crítica em relação à hierarquia e ao magistério. Mas hoje, no entanto, o próprio Papa é jesuíta.

A Companhia teve a surpresa de ver um filho seu como chefe da Igreja pela primeira vez na história. É uma novidade deste tempo que deu um impulso para continuar a caminhada.”
 Obediência ao Papa

Atualmente é uma das principais ordens religiosas masculinas católicas, organizada em 91 províncias - o Papa Francisco foi por seis anos provincial da Argentina - com cerca de 19 mil membros contra aproximadamente 36 mil em 1964.

Muitas vezes caracterizado por uma frase atribuída erroneamente ao Santo Inácio de Loyola, "perinde ac cadaver" (dócil como um cadáver), os jesuítas acrescentam aos tradicionais votos de pobreza, castidade e obediência, um quarto voto de obediência incondicional ao Papa.

Nada obstante, essa posição não os impediu de terem tido relações complicadas com o papado. Seu superior geral - desde 2008 o padre Adolfo Nicolau - foi apelidado de "Papa negro" por causa da cor de sua vestimenta e sua suposta influência oculta.

Encontro com jovens jesuítas

No último dia 17.08, o Papa Francisco decidiu se encontrar com os jesuítas da Sogang University, de Seul. E o fez de surpresa, comunicando à comunidade apenas 24 horas antes. O papa entrou e foi acolhido por um grande aplauso. Todos se apresentaram um por um no fim, mas no início também por tipologia de atividades: os jovens em formação, depois os noviços e depois aqueles que lidam com o apostolado espiritual, o apostolado juvenil. Foi verdadeiramente uma grande festa.

O papa desfrutou muito desse clima e, apesar de falar absolutamente de improviso, o discurso foi simples e poderoso, todo centrado em uma palavra – consolação – que, para os jesuítas, é uma palavra fundamental: a consolação espiritual. Ele disse que nós somos ministros de consolação, que às vezes na Igreja experimentam-se cansaço, às vezes feridas, às vezes as pessoas experimentam feridas também por parte de ministros da Igreja. E repetiu aquela expressão que ele tinha me comunicado na entrevista sobre a Igreja como um "hospital de campanha". Ele a repetiu, a confirmou. Essa é a sua visão da Igreja.

Euriques Carneiro

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