quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Ausência de afrodescendentes na cultura e na política brasileira é ressaltada por ativista norte-americana


A chamada diversidade brasileira foi contestada pela filósofa, escritora, professora e ativista norte-americana Angela Davis que criticou a ausência de negros nos espaços de poder, na cultura e nos meios de comunicação no Brasil

"Não posso falar com autoridade no Brasil, mas às vezes não é preciso ser especialista para perceber que alguma coisa está errada em um país cuja maioria é negra e a representação é majoritariamente branca", disse. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população brasileira (50,7%) é negra.

A filósofa continua questionando: "Quantos senadores negros há no Brasil? Se olharmos para o Senado não saberíamos que os negros constituem mais de 50% da população brasileira", disse, em participação no Festival Latinidades 2014: Griôs da Diáspora Negra. "Sempre assisto TV no Brasil para ver como o país se representa e a TV brasileira nunca permitiu que se pensasse que a população é majoritariamente negra".

Apesar da constatação, Angela fez um alerta: "Não significa somente trazer pessoas negras para a esfera do poder, mas garantir que essas pessoas vão romper com os espaços de poder e não simplesmente se encaixar nesses espaços". A ativista citou o caso dos Estados Unidos, em que houve época em que não havia político negro e que atualmente é presidido por um negro, Barack Obama. "O que mudou?", perguntou, sem responder.

Constatações na Copa do Mundo

Pesquisadores e ativistas afrodescendentes afirmam que no Brasil ainda existe o racismo velado, apesar de apregoar a crença de ser um paraíso racial. Essa ideia surgiu, principalmente, por conta da comparação com outras nações em que o preconceito e a discriminação racial eram mais expostas. Essa ausência de questionamento sobre o assunto dificultou o enfrentamento do racismo no país (que sempre existiu).
A realização da Copa do Mundo no nosso país foi responsável por despertar esse debate. A chamada diversidade brasileira foi contestada pela falta de negros nas arquibancadas dos estádios. Dentro do campo, a pouquíssima presença de crianças negras, que entravam ao lado dos jogadores, confrontou o evento que teve como um dos temas “Copa sem racismo”.

A ausência de afrodescendentes no Mundial também é vista em outros ambientes como em cargos de chefia de empresas públicas e privadas, setores da educação e da saúde, na representação política e ainda no ambiente artístico. Na sétima arte, a situação foi comprovada por meio da pesquisa A cara do cinema nacional, desenvolvida no Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (Gemaa), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

O estudo analisou os filmes nacionais de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012 e mostrou que apenas 14% dos atores são negros e 4% das atrizes também. Os números ficam ainda mais alarmantes quando investigada a participação em roteiro e direção: 4% dos roteiristas e 2% dos diretores são homens negros. Nesses ambientes, não existe nenhuma mulher negra.
Referências:
  • EBC
  • CB

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