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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

35 anos da canção “O bêbado e a equilibrista” ou, o Hino da Anistia: um marco de luta contra o golpe de 64





Quando o golpe militar foi deflagrado, em 1964, a Música Popular Brasileira começava a atingir as grandes massas, ousando falar o que não era permitido à nação. Diante da força dos festivais da MPB, no final da década de sessenta, o regime militar vê-se ameaçado e a tesoura da censura agiu com mão de ferro, atingindo primordialmente os artistas engajados politicamente
O Brasil tinha na época, os movimentos de bases político-sociais mais organizados da sua história, com sindicatos, movimento estudantil, movimentos de trabalhadores do campo, movimentos de base dos militares de esquerda dentro das forças armadas, todos estavam engajados e articulados e a música era a válvula de escape de toda essa sociedade que começava a ser reprimida.

Movimentos como a Tropicália, com a sua irreverência mais de teor social-cultural do que político-engajado, passou a incomodar os militares. A censura passou a ser a melhor forma de a ditadura combater as músicas de protesto e de cunho que pudesse extrapolar a moral da sociedade dominante e amiga do regime. Com a promulgação do AI-5, em 1968, esta censura à arte institucionalizou-se e a MPB sofreu amputações de versos em várias das suas canções, quando não eram totalmente censuradas.

Antes mesmo de deflagrado o AI-5, alguns representantes incipientes da MPB já eram vistos pelos militares como inimigos do regime, entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Taiguara e Geraldo Vandré. A intervenção de Caetano Veloso era mais no sentido da contracultura do que contra o regime militar. Juntou-se a isto a provocação de Caetano Veloso na antevéspera do natal de 1968, ao cantar “Noite Feliz” no programa de televisão “Divino Maravilhoso”, apontando uma arma na cabeça. O resultado foi a prisão e o exílio dos dois baianos em Londres, de 1969 a 1972.

Em 1975, o álbum “Jóia” trazia na sua capa Caetano Veloso, sua então mulher Dedé e o filho Moreno, completamente nus, com o desenho de algumas pombas a cobrir-lhe a genitália. Censurada, o álbum foi relançado com uma nova capa, onde restaram apenas as pombas.
Já Geraldo Vandré tornou-se o inimigo número um do regime militar com a canção “Caminhando (Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores)”, que ficou com o polêmico segundo lugar no Festival Internacional da Canção, em 1968, mas atingiu o primeiríssimo lugar como hino contra a ditadura militar, cantado por toda a juventude engajada do Brasil de 1968. Esta canção, afirmam alguns analistas de história, foi uma das responsáveis pela promulgação do AI-5. Ficou proibida de ser cantada e executada em todo país. Só voltaria a ser ressuscitada em 1979, após a abertura política e a anistia, quando Simone a cantou em um show, no Canecão.

Numa época em que a liberdade de expressão é cerceada, nada mais criativo que expressar desejos e anseios através da música e foi esse o mote para que várias músicas se tornassem hinos e verdadeiros gritos de liberdade aos cidadãos oprimidos e sem possibilidade de se expressar como desejavam. Através de letras complexas e cheias de metáforas, elas traduziam tudo o que sentiam.

Além disso, os festivais de MPB, promovidos pela TV Excelsior e, posteriormente, pela TV Tupi, auxiliaram na divulgação das canções tornando-as ainda mais populares.

Os terríveis anos da ditadura perseguiu a exaustão diversos artistas, mas poucos foram tão cerceados como Chico Buarque de Holanda. A sua obra sofreu respingos da censura em todas as vertentes, tanto nas canções de protesto, quanto nas que feriam os costumes morais da época. Após inúmeros cortes e mutilações nas suas canções, ele acabou exilado na Itália, de 1969 a 1970, mas Chico Buarque sofreria com a perseguição da censura mesmo após o retorno ao Brasil.

Em 1970, recém chegado do exílio, o compositor enviou a música “Apesar de Você” para a aprovação da censura, tendo a certeza que a música seria vetada. Inesperadamente a canção foi aprovada, sendo gravada imediatamente em compacto, tornando-se um sucesso instantâneo. Já se tinha vendido mais de 100 mil cópias, quando um jornal comentou que a música referia-se ao presidente Médici. Revelado o ardil, o exército brasileiro invadiu a fábrica da Philips, apreendendo todos os discos, destruindo-os. Na confusão, esqueceram de destruir a matriz.
Em 1973 Chico Buarque sofreria todas as censuras possíveis. A peça “Calabar, ou o Elogio à Traição”, escrita em parceria com Ruy Guerra, foi vetada pela censura.

“O bêbado e a equilibrista”: o Hino da Anistia


Com o início da abertura política que ganhou o pomposo titulo de “lenta, gradual e progressiva” até chegar na “ampla, geral e irrestrita”, muita água passou por baixo da ponte e muitas arbitrariedades foram cometidas. Foi quando surgiram canções “Não chores mais”, de Gilberto Gil e “O bêbado e a equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, que se tornaria o maior sucesso do disco Essa mulher, de Ellis Regional, ganhando o apelido de “Hino da Anistia”.

Embora tenha se tornado um marco do momento político brasileiro, O bêbado e a equilibrista nasceu para homenagear Charles Chaplin, que havia morrido dois anos antes do lançamento, em 1977. Além de classificar a composição como o casamento perfeito da dupla João e Aldir, Elis acreditava que a canção era o retrato do Brasil de então. “Grande parcela da população anseia encontrar um Carlitos desses e sonha não ver mais nem Marias nem Clarices chorando”, defendia ao citar versos do samba que podem fazer referência a Clarisse Herzog, mulher do jornalista Vladimir Herzog, morto por maus-tratos nas dependências do DOI-Codi em 1975.

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