sábado, 12 de julho de 2014

Um dos mais expressivos espaços culturais de Brasília, o CCBB apresenta a Mostra Neville D’Almeida




Teve início no dia 2 a se prolonga até o dia 20 de julho a Mostra Neville D’Almeida – Cronista da beleza e do caos, que disponibiliza a filmografia de um dos maiores cineastas brasileiros autor, de longas nacionais emblemáticos, cuja carreira abrange desde títulos experimentais, como Jardim de Guerra, realizado em 1970, até clássicos da cinematografia nacional, como Os sete gatinhos (1980)


Ator, roteirista, produtor, escritor, fotógrafo, artista plástico, ativista e um dos mais importantes cineastas da história do cinema brasileiro. O mineiro Neville D’Almeida tem espalhado sua criatividade pelas diversas linguagens artísticas. Polêmico, controverso, o diretor de 'A dama do lotação', até hoje a terceira maior bilheteria do cinema nacional em todos os tempos, é tema de uma grande retrospectiva que o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília realiza de 2 a 20 de julho de 2014, sob a curadoria de Mario Abbade, jornalista, publicitário e presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro. Ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00.

A mostra NEVILLE D’ALMEIDA – CRONISTA DA BELEZA E DO CAOS vai proporcionar ao público acesso aos filmes do autor de longas nacionais emblemáticos, cuja carreira abrange desde títulos experimentais, como Jardim de Guerra, realizado em 1970, até clássicos da cinematografia nacional, como Os sete gatinhos (1980). E irá promover o contato com filmes raríssimos, como Mangue-Bangue, de 1971, apontado pelo artista plástico Hélio Oiticica como uma “experiência limite”. Este clássico da contracultura ficou anos perdido nos arquivos do MoMA, em Nova York e seus rolos só foram recuperados em 2010.

Serão 33 sessões que promovem um passeio pela obra deste criador inquieto, que tem cerca de 15 longas-metragens, mais de 100 curtas (aproximadamente 80 filmes só em super-8), oito documentários, dois livros (sendo um romance, A dama da internet), instalações artísticas (Cosmococa 5 Hendrix War, de 1973, criado em parceria com Hélio Oiticica, pode ser visto em Inhotim) e muito mais. NEVILLE D’ALMEIDA – CRONISTA DA BELEZA E DO CAOS inclui ainda uma conversa com o cineasta, no dia 17, às 20h. O debate vai contar ainda com a presença do pesquisador e produtor audiovisual Gilberto Barral e do curador Mario Abbade.

A MOSTRA

Ao todo serão exibidos 12 longas e 12 curtas de Neville D’Almeida, realizados durante seus mais de 40 anos de carreira. A começar por sua primeira produção, Jardim de Guerra, de 1970, que foi proibida pela censura da ditadura militar e só liberada seis anos mais tarde, com dez cortes. Na mostra, o título será exibido na íntegra. Outra raridade é Mangue-Bangue, de 1971, filme no qual o diretor procurava criar um painel do Brasil na época e que inclui imagens captadas no Mangue, zona de prostituição do Rio de Janeiro. Temendo a repressão, Neville levou os rolos de filme para Londres e depois para Nova York, exibindo-os para Hélio Oiticica em 1973, em sessão no MoMA. Desde então, o filme ficou perdido nos arquivos do Museu, até ser redescoberto em 2010.

A mostra inclui também os títulos de maior sucesso de bilheteria de Neville D’Almeida, como A dama do lotação (1975), que detém a marca histórica de terceira maior bilheteria nacional, Os sete gatinhos (1980), um clássico da cinematografia nacional, e Navalha na carne (1997), adaptação do cineasta para a obra do escritor maldito Plínio Marcos. O filme contou com um ícone brasileiro, Vera Fischer, e com o ator cubano Jorge Perrugoría, que havia feito os sucessos Guantanamera (1995) e Morango e chocolate (1994).

Mas a programação exibirá ainda outros grandes sucessos de Neville, como o polêmico Rio Babilônia (1982), apontado por alguns críticos como profético, ao tratar de temas como a relação entre o asfalto e a favela, o consumo e o comércio de drogas na cidade e a escalada da cocaína, além de fazer um retrato sem disfarces do sexo. Também Matou a família e foi ao cinema (1991), uma releitura do clássico do Cinema Marginal que Júlio Bressane filmou em 1969 e muitos outros. Um grande passeio pela trajetória de um artista contestador, que nunca deixou de lado a vontade de experimentar e romper limites.

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