quarta-feira, 2 de julho de 2014

O cantor Alceu Valença irá concorrer com o longa 'A luneta do tempo', seu primeiro longa-metragem, no Festival de Cinema de Gramado

O consagrado Festival de Cinema de Gramado, que será realizado de 8 a 16 de agosto deste ano, teve a seleção foi divulgada hoje, em Porto Alegre, com os curadores Rubens Ewald Filho, Marcos Santuário e Ewa Piworski, produtora argentina que entrou no lugar do ator José Wilker

Ambientado no agreste pernambucano,1930, “A Luneta do Tempo” narra a história onde Severo Brilhante, cangaceiro de Lampião, que é morto pelo policial Antero Tenente. Sua viúva, Nair ingressa no Circo de Nagib Mazola, que já fizera um filho em Dona Dodô, mulher de Antero Tenente. Nair também se apaixona por Mazola e tem um filho com ele. Anos depois, estabelece-se uma animosidade entre os dois irmãos Severo Filho e Antero Filho, que brigam sem razão, creditando serem filhos do cangaceiro e do policial.

“A Luneta do Tempo”, pelo próprio Alceu Valença

A história começa pelos olhos de uma criança. As imagens cotidianas do menino Rodrigo, que vive na fazenda Riachão, criam as primeiras impressões do filme. O clima interiorano, o casarão da fazenda, o belo pôr-do-sol, a boiada e o circo, com toda a sua magia, são o prelúdio para o desenvolvimento da trama. Um lapso de tempo e Rodrigo, já como diretor de cinema, volta à São Bento do Una e a fazenda de sua infância para filmar a saga de Lampião, Maria Bonita, Severo Brilhante e seu bando contra Antero Tenente e seus soldados.

“A Luneta do Tempo” aborda o cinema dentro dele mesmo e traz a figura mais conhecida do cangaço brasileiro: Virgulino Lampião - o mito - como um de seus personagens principais, revestindo o filme de um caráter épico. A batalha entre os cangaceiros e os soldados vai além das armas de fogo, peixeiras e punhais, e ganha sua força maior na palavra e na música. Um jogo de rimas permeia o desafio constante entre os oponentes. O circo é o elemento por onde a trama ganha contornos líricos e lúdicos e o personagem de Nagib Mazola, o dono do circo, traz a pitada de sedução, aventura e mistério do filme.

“A Luneta do Tempo” é uma homenagem ao Brasil por meio da musicalidade, da beleza e da forte imagética do agreste. Lança um olhar contemporâneo e afetivo sobre elementos que formam a nossa identidade cultural, ao mesmo tempo que propõe um regresso às origens como quem observa o mundo por uma luneta aguçada em permanente transformação, como o próprio tempo de Alceu Valença e seu universo musical, poético e agora cinematográfico.

‘“A Luneta do Tempo” não segue a linha de nenhum musical tradicional. No fundo, é um mergulho que faço em minha infância, no meu passado. E este passado tem a trilha sonora das ruas do Nordeste, dos cantadores anônimos, conquistas, violeiros, emboladores, cegos arautos de feira, da música de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, do samba-canção dos anos 50, da música contemporânea brasileira. Um documento para se pensar a cultura do Brasil e do Nordeste.’

Alceu Valença

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