quinta-feira, 17 de julho de 2014

Mais de 20 poemas inéditos de Pablo Neruda são encontrados em arquivos e serão publicados até o final de 2014



Durante uma revisão dos arquivos do autor chileno Pablo Neruda por parte da fundação que leva seu nome, foram encontrados mais de 20 poemas inéditos, cuja publicação na América Latina está prevista para o semestre em curso, conforme anunciou a editora Seix Barral
Nessa revisão, foi comprovado que alguns poemas manuscritos não tinham sido incluídos nas obras publicadas correspondentes a cada caixa. A publicação deste material inédito de Pablo Neruda vai coincidir com o 110º aniversário do nascimento do Prêmio Nobel e o 90º aniversário da publicação de Vinte Poemas de Amor e uma Canção do Desespero.

A relevância deste achado é que os poemas encontrados foram escritos depois de Canto Geral (1950), no momento da maturidade de Pablo Neruda. Antes, só tinham aparecido dois trabalhos inéditos do poeta: O rio invisível (editora Seix Barral, 1980), que incluía poesia e prosa de juventude, e seus poemas de adolescência, Cadernos de Temuco (Seix Barral, 1996).

A Seix Barral antecipou um fragmento de um poema sem título, escrito em 1964, ano em que aparece "Memorial da Ilha Negra”, a grande recapitulação poética autobiográfica de Pablo Neruda ao completar sessenta anos:

"Reposa tu pura cadera y el arco de flechas mojadas/extiende en la noche los pétalos que forman tu forma/que suban tus piernas de arcilla el silencio y su clara escalera/peldaño a peldaño volando conmigo en el sueño/yo siento que asciendes entonces al árbol sombrío que canta en la sombra/Oscura es la noche del mundo sin ti amada mía,/y apenas diviso el origen, apenas comprendo el idioma,/con dificultades descifro las hojas de los eucaliptos”.

"Repousa tua pura cadeira e o arco de flechas molhadas/ estende na noite as pétalas que formam tua forma/ que subam tuas pernas de argila o silêncio e sua clara escada/ degrau a degrau voando comigo no sonho/ eu sinto que ascendes então à árvore sombria que canta na sombra/ Escura é a noite do mundo sem ti amada minha,/ e apenas diviso a origem, apenas compreendo o idioma,/ com dificuldades decifro as folhas dos eucaliptos" (em tradução livre para o português).

De acordo com as informações da editora, esse poema foi encontrado na Caixa 52, que contém materiais muito diversos cujos originais são mecanografados e não se achou uma versão manuscrita do mesmo.

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