segunda-feira, 28 de julho de 2014

Desde Sócrates, já se afirmava que “Questionar é tarefa do pensamento”; então porque algumas pessoas executam algumas tarefas simplesmente ‘por fazer’?


Em meados da década de 90, a escritora Judith Bardwick lançou uma obra que logo virou livro de cabeceira dos CEOs e gestores menos graduados de empresas de todo o mundo, “Perigo na Zona de Conforto”, onde ela convidava os leitores a uma reflexão, justamente nos momentos em que se acredita não precisar fazer muito esforço para obter sucesso

Eu também li o livro da Bardwick e, apesar de não acha-lo digno de tanto furor literário, absorvi alguns fundamentos e procurei utilizá-los na minha função de gestor e até mesmo na vida pessoal. À época, eu dava início a um ciclo de palestras com o tema “Empregabilidade no Século XXI” e muitos conceitos do livro eu incorporei também a esse trabalho.

Anos mais tarde, ouvi duas narrativas que têm tudo a ver com os preceitos da ‘zona de conforto’, as quais eu citei para os meus alunos de Administração da Faculdade Santo Antônio e as relato em conversas informais com amigos. Faço isso por julgá-las pertinentes e carregadas de um certo simbolismo inerente ao fato de algumas pessoas cumprirem determinadas tarefas sem questionar o porquê daquele trabalho. Vamos às histórias:

Os freios do trem

“Um funcionário trabalhou por 35 anos ema ferrovia e, alguns dias antes de se aposentar, foi-lhe apresentado um jovem recém-contratado que iria substituí-lo na função. O irrequieto empregado foi logo querendo saber detalhes da sua função e obteve a seguintes explicação: ‘olha meu filho, a minha função aqui é, bater com essa marretinha nas sapatas de freio do trem e liberá-lo para seguir viagem. Deve ser um coisa importante porque o maquinista só dá partida quando eu autorizo’. E o jovem: ‘sim, mas porque você bate nas sapatas de freio? deve ter algum propósito, porque o trem só parte com o seu OK...’ Então procuraram o engenheiro responsável e ele esclareceu: você bate nas sapatas para examinar se estão rachadas, pois se assim estiverem, emitem um som característico com o contato da marreta. Caso positivo, você retém os vagões até que os equipamentos danificados sejam substituídos.
(Esta passagem foi narrada pelo professor de uma das matérias do MBA em Administração de Negócios que fiz em 1997, na Universidade Federal da Bahia -Ufba).


A frigideira pequena

“Dois jovens se casaram e, conforme a tradição, a mulher cuidava dos afazeres domésticos aí incluídas as tarefas da cozinha. Certo dia, ao chegar em casa mais cedo para o almoço, o marido percebeu que, antes de fritar os peixes, sua esposa cortava a cabeça o rabo de cada um deles. Indagada porque mutilava o pescado ela respondeu: ‘aprendi com a minha mãe; ela sempre fez isso, desde que eu era uma criancinha...’. Insatisfeito com a resposta, ele foi procurar sua sogra e obteve a mesmíssima resposta: era uma tradição herdada da mãe dela. Ainda em busca de uma explicação plausível, dirigiu-se até a avó da sua esposa, quando tudo foi esclarecido: ‘é o seguinte, meu filho, quando eu casei, nós utensílios domésticos eram parcos e eu tinha que fritar os peixes em uma frigideira pequena, na qual não cabia os peixes. Assim, eu cortava a cabeça e o rabo para que fosse possível prepara-los em um recipiente tão pequeno. Nada mais que isso.”
(Ouvi essa pérola de narrativa do Pastor Eli Lourenço, que conduz com infinita sabedoria a Igreja Batista Betel, em Santo Antônio de Jesus – BA, uma das figuras mais iluminadas que tive a felicidade de conhecer e pela qual devoto a mais pura admiração.)
Euriques Carneiro

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