sábado, 5 de julho de 2014

Degradação faz despertar o interesse local e mundial pela Serra da Caboronga, em Ipirá

 Os longos períodos de estiagem tão comuns na região, aliados ao desmatamento e à falta de cuidados de moradores e poderes públicos, foram reduzindo a capacidade aquífera da Caboronga, reduzindo-a a um filete d’água e culminando com sua extinção há cerca de 5 anos


Quem é ipiraense, certamente conhece a historia da Caboronga, uma nascente que aplacou a sede dos moradores durante décadas, quando o abastecimento de água da cidade era algo utópico. Os jumentos transportando quatro ‘carotes’ (barris de madeira) com água da Caboronga para consumo humano, compunham a paisagem que emoldurava as ruas de Ipirá.

A expressão “Caboronga” é de tal forma familiar aos nativos que, em meados da década de 80, o empresário Almir Miranda fundou uma rádio e a denominou “Caboronga FM”. Para os filhos “Camisão” (antigo nome de Ipirá), nada mais natural do que Rádio Coboronga, mas para os ouvintes em geral, soava algo estranho e eles se referiam à emissora como a “Rádio de Ipirá”. Depois de algum tempo, a rádio passou a se chamar “Ipirá FM”, embora mantenha a razão social de “Rádio Caboronga FM Ltda”.


A Bica da Caboronga

Os longos períodos de estiagem tão comuns na região, aliados ao desmatamento e à falta de cuidados de moradores e poderes públicos, foram reduzindo a capacidade aquífera da nascente, reduzindo-a a um filete d’água e culminando com sua extinção há cerca de 5 anos. A seca continua a castigar o município periodicamente, mas já não existe a “Bica da Caboronga” para amenizar a sede dos moradores da região da Serra da Caboronga, que abrigava a nascente que teve a mesma denominação.

Reserva Natural da Caboronga

Depois de passar por tantos percalços que a transformaram em um arremedo do que foi a “Bica da Caboronga” há cerca de meio século, foi criada a Reserva Natural da Caboronga, com o intuito de preservar o que ainda restou e iniciar um trabalho de recuperação para que, dentro de alguns anos, possamos ter o prazer de presenciar o soerguimento daquele manancial que é um dos orgulhos de Ipirá.

Segundo historiadores, a Caboronga sempre foi uma zona estratégica para a ocupação humana, havendo ainda hoje registros dando conta de que povos aborígenes, os Paiaiás, - que estenderam os tentáculos até a região de Jacobina, - habitaram o local. Verdadeiro oásis em meio à tórrida caatinga, dotada de muito verde e com presença de água durante o ano inteiro, certamente, a Caboronga foi palco de diversas disputas territoriais.

Para discutir a situação da reserva, mostrar e despertar o interesse local e mundial pela Serra da Caboronga e chamar à atenção para outros problemas do município, a Associação Reserva Ecológica da Caboronga (Areca) promoveu no último mês de abril o II Seminário Internacional de Ecoética da Caboronga Brasil-Europa, no Centro Cultural Elofilo Marques. Durante o evento foram distribuídos certificados as pessoas que de alguma forma contribuem para a causa ambientalista.

Um comentário:

  1. É o que tem acontecido com tantas outras nascentes que têm suas áreas de recarga nas montanhas, quando preservadas das ações antrópicas. É preciso um trabalho conjunto entre o CBH-Paraguaçu e o órgão gestor estadual para recuperar as nascentes de vários rios que já não correm como antes, a exemplo do Paraguaçu.

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