quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um dia após ser libertada, sudanesa Yahia Ibrahim Ishag, condenada por conversão ao cristianismo, volta a ser presa








O Tribunal de Apelação de Cartum anulou na segunda a condenação à morte contra ela, ao considerar que a decisão em primeira instância havia se baseado em "provas frágeis e contraditórias". A Justiça sudanesa também afirmou que houve um erro de procedimento na anulação do casamento entre Yahia e o marido cristão

A médica sudanesa Yahia Ibrahim Ishag, que ganhou liberdade na segunda-feira (23/06) após se livrar de uma condenação à morte, foi detida novamente na última terça (24/06) ao tentar deixar o país ao lado de sua família no aeroporto de Cartum. A informação é dos advogados dela, que não explicaram os motivos da nova detenção.

Yahia, de 27 anos, foi levada, junto com a família, para um lugar desconhecido, informou um dos advogados. Ela ia para os Estados Unidos, país do qual o marido dela tem passaporte.

A tradição islâmica designa automaticamente os filhos de muçulmanos como seguidores desta religião. O pai de Yahia é muçulmano, mas a mãe é cristã. Ao contrário do que as autoridades judiciais sustentavam, ela nunca renegou sua fé, já que ressaltou ter sido educada por sua mãe e nunca ter professado o islã.

O caso provocou forte reação de governos ocidentais e diferentes grupos de direitos humanos, principalmente depois que um juiz a condenou à forca em meados de maio. No entanto, Yahia, que estava gravida na ocasião, ganhou o direito de cumprir a pena depois de anos para amamentar seu filho, nascido no dia 27 de maio.

Asia Bibi

Outro caso emblemático e que se arrasta por longos 5 anos, é da paquistanesa Asia Bibi, condenada à morte desde 2009 mas que vem tendo sua execução postergada por apelos e protestos da comunidade internacional e por inúmeras entidades de defesa dos direitos humanos.

Um tribunal paquistanês que estava programado para ouvir o apelo de Asia Bibi, mulher cristã pobre, mãe de cinco filhos, que enfrenta pena de morte acusada de blasfêmia, foi ordenado a não prosseguir com o caso, segundo os relatórios do serviço noticioso Mundo Católico. Após uma série de adiamentos, o apelo Bibi desapareceu da pauta do tribunal.

É a quinta vez que o apelo de Asia Bibi contra sentença de morte é adiado, quando estava marcado para a terça-feira 27 de maio de 2014. Bibi está no corredor da morte desde 2010 por, supostamente, cometer blasfêmia ao se declarar cristã. Shahid Khan, vice-presidente das Minorias Globais, entidade baseada em Glasgow Alliance, disse que extremistas às vezes marchar em direção à sua cela de prisão, exigindo das autoridades a imediata execução de Asia Bibi.

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