sábado, 7 de junho de 2014

Seria possível tornar a história de "Oldboy - Dias de Vingança" ainda mais sangrenta? Pois Spike Lee fez isso





Spike Lee dispensa apresentações. Todos que gostam da sétima arte conhecem a trajetória fulgurante do diretor que surgiu no final dos anos 1980 com" Faça a Coisa Certa", passou aos 90 com "Mais e Melhores Blues", "Febre da Silva" e "Malcolm X" e prosseguiu carreira irregular, mas prolífica, até chegar a este "Oldboy - Dias de Vingança"

Parecia improvável que a versão americana de “Old Boy”, conseguisse superar a violência do filme original. Mas o diretor norte-americano Spike Lee, nesta refilmagem homônima seguida quase à risca, não só aumentou o sangue, como também ampliou o impacto do macabro desfecho, que já era escabroso. Essa versão do cultuado filme de 2003 dirigido por Park Chan-Wook é um petardo sul-coreano, baseado em mangá japonês, que está no centro de uma trilogia do mesmo diretor, formada por Mr. Vingança e Lady Vingança.

Apesar do teor, o requintado longa asiático foi um sucesso, levando, em 2003, o Grande Prêmio do Júri em Cannes e, mais do que justos elogios da crítica pelo mundo. Com visual rústico e personagens com moral própria, a produção criava uma atmosfera de ultraviolência e arte sem retirar o norte da redenção que o protagonista, no fim, ansiava.

Daí, a difícil tarefa de refilmar a produção ao gosto do cinema americano. O projeto, que em princípio poderia estar mais próximo a Quentin Tarantino (já que dialoga com “Kill Bill”), no entanto, caiu nas mãos de Spike Lee, um dos diretores mais engajados da América. As dúvidas sobre o resultado final, assim, só aumentaram.

Surpreende a forma com que Lee manteve, de forma geral, a estrutura narrativa do original (que é inspirado em um mangá), com diferenças de contexto (algumas desnecessárias, incluídas no roteiro adaptado por Mark Protosevich (de "Eu Sou a Lenda").

Na versão norte-americana, Josh Brolin, - em uma atuação primorosa, - é o homem que permanece trancafiado por anos a fio, sem saber o motivo, vivendo em um ambiente desesperador, sabe por um programa de TV que sua ex-mulher foi brutalmente assassinada e sua filha entregue para adoção. Durante os 20 anos que Joe passará nesse quarto, tentando manter sua sanidade, escreve uma série de cartas à filha (que planeja enviar, se sair) e atém-se a um plano de fuga que nunca dá certo.

No entanto, certo dia é libertado sem qualquer explicação. Com a ajuda de uma assistente social (Elizabeth Olsen) e um amigo de infância (Michael Imperioli), busca a verdade sobre sua prisão. Não demora muito para encontrar seu algoz (Sharlto Copley), que lhe faz uma proposta: se descobrir, em cinco dias, porque foi mantido em cativeiro durante duas décadas, receberá US$ 30 milhões em diamantes e será levado a sua filha.

O rastro de sangue, que deixa pelo caminho do momento em que acorda livre ao grande desfecho, é ainda mais perverso que o original, saturando a tela. Em especial, a cena em que Joe tortura o chefe da “prisão” (Samuel L. Jackson), de um realismo desconcertante.

Justiça seja feita: é evidente a superioridade do original sul-coreano quando comparado a esta versão de Spike Lee, pois alta aos olhos a inventividade de Chan-wook Park ao levar toda a história à tela, equalizando estilo, sensibilidade, brutalidade e arte, como poucas vezes se viu na história dos cinema.

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