sábado, 7 de junho de 2014

Raso da Catarina: a maior reserva de caatinga do mundo é um prato cheio para quem aprecia ecoturismo, trilhas e botânica, bem como a cultura e a história do Brasil



Já falei aqui no Artecultural, do quão profícuo foi o período de três anos em que vivi em Paulo Afonso. Tratando-se de uma tríplice fronteira, - lá a Bahia está a alguns quilômetros, de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, - a cultura local sofre influência dos quatro Estados, mas salta aos olhos a predominância de Pernambuco, nos hábitos, costumes, gastronomia e, principalmente, no linguajar, aí incluídas figuras e os vícios de linguagem

Assim, em Paulo Afonso, fala-se “tu visse”, “tu chegasse de que hora?”, aipim lá é “macaxeira”, requeijão é “queijo de manteiga” e passadeira (aquela peça que se usa para prender os cabelos) é “diadema”.A preponderância do Pernambuco sobre a Bahia na cidade de Paulo Afonso é facilmente explicada. A cidade foi emancipada em 1958 e a Chesf constituída em 1948, ou seja, a “Capital da Energia” é 10 anos mais nova que a Chesf e fui erguida em função da hidroelétrica. 

Dois outros dados explicam a "pernambucanização" de PA: o fato da sede da Chesf ser em Recife e a ligação rodoviária para a capital de Pernambuco estar sempre em boas condições, enquanto a BR que a liga a Salvador ter permanecido em situação calamitosa por quase quatro décadas, retomando as condições de trafegabilidade apenas nos últimos 10 anos.

Raso da Catarina

Dentre as várias atrações paulo afonsinas, cidade de beleza natural ímpar, está a maior reserva de caatinga do mundo, conhecida como o Raso da Catarina. A reserva ecológica do Raso da Catarina é dividida entre reserva biológica e a indígena, com extensão de 6.400 km², recoberta de vegetação do tipo caatinga e clima típico de área desértica: durante o dia a temperatura chega a 40°C, enquanto que à noite é de até 10°C.

Famílias dos índios pankararés habitam na entrada do cânion seco na chamada Baixa do Chico que apresenta belíssimas formações rochosas esculpidas pelo vento que lembram castelo, torre e bispo, como um tabuleiro de xadrez sertanejo. Uma outra, lembra uma grande catedral gótica, erguida da imensidão da caatinga.

Refúgio de Lampião

A reserva ecológica do Raso da Catarina é dividida entre a reserva biológica e a dos índios Pankararés. Situada no Município de Glória, é um lugar obrigatório para se visitar, principalmente para quem gosta de ecoturismo, trilhas, botânica e para quem aprecia a história do Brasil. O Raso da Catarina no Estado da Bahia ficou famoso por ter sido o lugar onde o bando de Lampião mais usava para se esconder dos volantes, que era a força policial que os perseguia.

Por ser uma vasta região plana como se fosse um tablado e tiver no seu interior enormes desfiladeiros e cavernas e contando com a ajuda dos índios Pankararés, não poderia haver lugar melhor para se esconder. Do alto dos desfiladeiros, Lampião e sua turma também tinham uma visão privilegiada e podiam ver seus perseguidores quando ainda estavam muito distantes. Com isso o bando tinha tempo de sobra para fugir. Como naquela época a polícia de um Estado não podia invadir outro Estado, Lampião e seus companheiros também se aproveitaram dessa situação para usar a geografia da região, que tem as divisas com Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Euriques Carneiro

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