quarta-feira, 4 de junho de 2014

Novos paradigmas da sociedade em relação ao papel da mulher no grupamento familiar



Uma vez que a sociedade vem passando por mudanças na sua forma de organização, notou-se que a paternidade, um papel estabelecido milenarmente, assim como as formas de poder na sociedade, hoje sofrem radicais mudanças

Estudando com mais acuidade o assunto, deparei-me com o artigo abaixo, escrito com muita lucidez e propriedade pela jornalista Carolina Freitas, o qual compartilho com os amigos que nos acompanham aqui no Artecultural.A sociedade moderna há que procurar compreender a nova estrutura em que a sociedade ocidental contemporânea está inserida buscando desvendar o papel da família em uma nova sociedade que passa a moldar esse conceito a partir de premissas como o afeto, a divisão de tarefas, a educação dos filhos e a mútua satisfação.

Euriques Carneiro


Substantivos Femininos: Mulher e Luta

A saída das mulheres negras e trabalhadoras para os desafios e sinucas de bico da vida urbana compreende muitas vezes o seu protagonismo nas lutas sociais. As ocupações de terra, por exemplo, são experiências da classe trabalhadora em que as mulheres sistematicamente assumem a linha de frente: são elas que respondem pela construção dos barracos, pelo levantamento e manutenção da estrutura básica de sobrevivência da ocupação e, ainda, pelo enfrentamento direto com a polícia.

Dentro dos movimentos populares organizados, é nítida a reprodução do machismo nas relações políticas. Frequentemente se observa que as mulheres assumem tarefas fundamentais de organização, cadastro, alimentação, comunicação, entre outras, mas os momentos públicos, como as assembleias e reuniões, são tomados pelas falas e direções masculinas.

Mesmo assim, é inegável que nos setores populares organizados o papel da mulher é redimensionado. É diferenciado em relação ao seu papel ordinário na sociedade, até porque o povo se movimenta a partir das contradições da sua realidade mais primordial, a partir do cotidiano e do enfrentamento da sobrevivência. Essa sobrevivência sempre é garantida pelo papel desempenhado pelas mulheres. Quando se eleva questões materiais de resistência da vida humana à esfera política, eleva-se também os sujeitos dessa luta diária ao espaço político, descola a prática privada à prática pública.

Por esse viés, pode-se afirmar que a luta pela tomada da cidade pelo povo é uma luta travada, inegavelmente, em razão das próprias contradições sexistas dominantes do capitalismo, pelo levante e pela ação das mulheres trabalhadoras, negras e periféricas.

A dureza do concreto é onde derrama a vida de Tereza.

O duro chão da cidade capitalista,

O duro onde dormem as Terezas e seus filhos,

É também o chão onde elas batem o pé.

Até que esse chão rache.




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