segunda-feira, 2 de junho de 2014

Maria Gadú e Lenine levam a MPB para outros países da América do Sul e arrebatam locais e visitantes



Juntos, Gadú e Lenine abriram o show cantando “Miedo”, do espanhol Pedro Guerra, acompanhados apenas de seus violões, o que permitiu ao público ter uma ideia do que os músicos sentem quando nasce uma canção e do quanto ela pode ser rica em seu estado bruto

Em clima de família, Lenine apresentou Gadú com o sentimento de um “pai” orgulhoso da “filha”. O sentimento é recíproco, já que a cantora afirma que “essa turnê é o encontro da criatura com o seu criador” e se refere ao músico como mestre e peça chave no seu desenvolvimento musical.“Esta es la oportunidad de conocer la canción desnuda”. Foi assim que Lenine definiu a pequena turnê Cantautores – termo muito conhecido entre hispanohablantes, criado a partir das palavras cantor + autor para denominar um grupo de artistas que também se dividem na função de intérpretes de suas músicas – com a cantora Maria Gadú, pelas cidades de Buenos Aires, Montevidéu e Santiago, onde encerraram a turnê no dia 18 de maio.

Apesar de Gadú com 28 anos de idade dividir o palco com um homem que só de estrada tem 30 anos, a cantora mostrou-se com total segurança, deixando claro porque ganhou um disco de ouro e duas indicações ao Grammy Latino. “Dona Cila”, sua primeira interpretação solo no show, demonstrou sua completa consciência musical, originalidade e uma entrega que terminou com um choro sincero, que mais parecia um desejo de que ele chegasse como um beijo a sua avó, para quem a música é dedicada, já falecida.

Ao se apresentar sozinho, Lenine confessou que tem uma relação de paternidade com o seu trabalho, especialmente com suas músicas. Chama cada uma de suas composições de filhos e diz que não é verdade que o filho mais novo é o mais amado, mas que talvez ele só precise de mais atenção até que aprenda a andar e se tornar independente, mas todos os “filhos que fez” ocupam um espaço inconfessável no seu coração e lhe dão a mesma alegria. “Solo hay que percibir cual es el momento para estar con cada hijo que tengo porque ellos poseen distintos mensajes para cada respirar de mi vida.”

“O Silêncio das Estrelas” é um dos filhos mais velhos que o público gosta e “Jack Soul Brasileiro” foi o filho que divertiu todo mundo, já que o músico fez questão que a plateia participasse cantando. As músicas “Envergo, Mas Não Quebro” e “Candeeiro Encantado” arrancaram risos do público com uma interpretação irreverente.

Gadú e Lenine voltaram a cantar juntos, em um bloco que chamaram de “Dorivan”, para homenagear Dorival Caymmi e Adoniran Barbosa. As músicas “É Doce Morrer no Mar” e “Iracema” expressaram tanto sentimento e gratidão por estes artistas, que realmente o show poderia ter terminado depois disso – como de fato era a intenção dos dois – mas o público não conseguiu deixar que fossem embora.

O bis, então, cantado por todos, público e artistas, foi composto pelas canções “Paciência” e “Shimbalaiê” que, executadas de maneira tão intimista, fizeram brotar da plateia confissões como “se a música continuar mais um pouco, será possível se transportar ao céu ou ao mar”. Depois, foi a vez de Gadú elevar o público a um lugar que não se sabe o nome, ao cantar com tanta verdade “Ne Me Quitte Pas”. Contagiados de muita alegria e com a sensação de que a trajetória toda valeu a pena, Gadú e Lenine terminaram a apresentação divertindo o público com a música “O Verbo e a Verba.”

A série de shows, pode ser definida como uma declaração de amor. O declarado amor de Lenine e Gadú pela música, por suas canções e pela cumplicidade clara existente, mas, também, de um público chileno que não teve como não se render diante de tanto talento e de brasileiros que se orgulham da riqueza musical de seu país.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!