terça-feira, 3 de junho de 2014

“Dia nacional em defesa do Velho Chico” movimenta a sociedade e discute a sobrevivência do Rio São Francisco





“Eu viro carranca pra defender o Velho Chico”, é o mote que marca o Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Rio São Francisco, que acontece hoje, dia 3 de junho e contará com atividades em toda a extensão da bacia, que compreende 504 municípios brasileiros, distribuídos por cinco estados (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas) e mais o Distrito Federal


Em Penedo, no Baixo São Francisco alagoano, a comunidade acadêmica estará representada por meio de estudantes da Universidade Federal da Alagoas-UFAL, Universidade Federal da Sergipe-UFS e Universidade Tiradentes – UNIT - que farão exposição de painéis temáticos sobre afetos ao rio.

Os municípios que integram a Bacia do Rio São Francisco estarão mobilizados em torno do Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, que acontece neste 03 de junho. Uma vasta programação está prevista nos municípios ribeirinhos com o objetivo de alertar a sociedade para a necessidade de revitalização do São Francisco.

A campanha será veiculada, sobretudo, em emissoras de rádio, devido ao seu alto grau de abrangência na região da bacia, mas também irá buscar a participação/sensibilização de outros públicos. Para isso, o material publicitário será aplicado em sites e redes sociais, mídia aeroportuária, TV e impressos.

Para os organizadores, a manifestação não significa um protesto e sim um dia de mobilização em defesa do nosso 'Velho Chico'. Com isso, as comunidades, a população, os defensores da causa do São Francisco, todos podem ter iniciativas que marquem a data. Pode ser uma caminhada, uma ação dentro do rio, uma entrevista em emissora de rádio ou de televisão. O importante é que o São Francisco seja lembrado nesse dia em sua importância para o país”, observa.

Tradição, misticismo e folclore

O rio São Francisco que liga duas áreas de grande densidade demográfica em nosso país – Sudeste e a Zona da Mata nordestina – com seus 2.624 km de comprimento, é uma atração diferente e bastante procurada pelos turistas que residem nas grandes cidades do sul do país e por estrangeiros.

Esse rio separa a Bahia de Pernambuco e Alagoas de Sergipe, sendo inteiramente brasileiro, da nascente à foz. Em toda sua extensão crescem lugares históricos cheios de lendas, estórias, superstições e costumes seculares.

A viagem

A cidade mineira de Pirapora assinala o começo da grande viagem fluvial. Localizada onde outrora habitavam as tribos Cariris, no sertão, é a maior cidade da região. Depois vem a pequena Ibiaí, onde não há meios de atracarem e os descarregamento é feito no barranco.

Depois a viagem prossegue durante toda a tarde, para, bem tarde da noite, a embarcação atingir São Romão. Antes que a noite chegue, entretanto, é dado ao viajante apreciar um dos mais belos crepúsculos da terra, os raios solares criando incríveis reflexos nas águas.

Depois, contrastando com as cenas de abandono, surgem as torres e a rede elétrica de São Francisco e o cais de pedra repleto de gente, para quem a chegada dos barcos representa sempre novidade.

Januária surge aos olhos do viajante no segundo dia de percurso, já à tardinha. Ali, todos desembarcam para dar uma circulada pela cidade calçada por mãos escravas, ver de perto os seus velhos sobradões e "conhecer" a sua famosa cachaça.

Depois vão aparecendo as vilas de Itacarambi e Manga, antes de chegar à Bahia, onde a paisagem vai ser transformando um pouco e o vento, mais forte, anuncia a primeira cidade do sertão da Boa Terra, Carinhanha. Ali a parada é bem mais demorada que as anteriores, pois é sempre muito grande o volume de mercadorias a ser desembarcado.

Na Lapa, o misticismo

A viagem segue, sertão em fora, para atingir a Bom Jesus da Lapa, onde o misticismo campeia mais intensamente que em qualquer outro local das margens do São Francisco. O viajante é envolvido pela multidão de vendedores que ali atuam e lhe oferece, em vozes cantadas, frutas, doces, aves e artesanatos diversos. Toda a gente tem, logo a seguir a impressão de mistério, a começar pela enorme pedreira, onde se localizam escuras grutas, vindo depois uma estátua de bronze do monge Francisco Mar e a sala dos milagres, à margem do rio.

A cidade de Barra fica no quinto dia de viagem. É a terra natal do barão de Cotegipe, onde se realizam os mais tradicionais festejos de São João de toda a zona ribeirinha. Remanso, Sento Sé, Santana são outras cidades que se encontram nesse roteiro.

Juazeiro é o ponto final da grande arrancada a bordo das gaiolas. Tem um folclore riquíssimo em que se destacam as congadas, as cheganças, os reisados e o São Gonçalo. Na margem oposta, outra cidade centenária aparece com sua imponente catedral, no mais puro estilo gótico. Uma ponte liga hoje as duas cidades, mais muita gente prefere ir de uma a outra, com antigamente, em canoas.

Lendas

O São Francisco corta uma região povoada de lendas bizarras, de estórias de jagunçada, quilombos, assombramentos e superstições. E os "contadores" revestem o que narram de cores tão reais que muita gente sente-se arrepiada ante tais contos.

Uma dessas lendas tem como figura central um negro que se posta às margens do rio à espera dos remeiros que lhe dão presentes. Se estes forem recusados, o negro vira a embarcação e os passageiros se afogam.

Outra história é a de uma grande cara esculpida em madeira, que os pescadores colocam na frente dos barcos para afugentar os espíritos malévolos e evitar as surpresas do rio e do negro durante a viagem. Quanto mais feia é a carranca maior proteção gozariam os viajantes frente a todos os perigos do rio.

Onde o Velho Chico encontra o oceano

O caminho percorrido pelo Rio São Francisco é longo. Da Serra da Canastra, em Minas Gerais, onde nasce, o Velho Chico percorre 3.160 km banhando terras da Bahia, Sergipe e Pernambuco até desaguar no mar da Praia do Pontal do Peba, em Piaçabuçu, a 134km de Maceió e a 26km da histórica Penedo.

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