sexta-feira, 13 de junho de 2014

Apesar da bagagem acumulada em anos de estrada, Skank não mostra o mesmo brilho em novo disco


 

A banda mineira Skank é referenciada por um som realmente "pop", ora cheio de swing, bebendo do reggae e do ska; ora dramático e soturno, dialogando com o rock e o blues. Após seis sem um disco de inéditas, o Skank volta com "Velocia" mas não empolga
Mesmo aqueles que não são fãs ardorosos do Skank lembram de versos como "Me sinto tão / me sinto só / me sinto tão seu", "Te ver e não te querer / É improvável, é impossível", "Sei que amores imperfeitos / São as flores da estação" e "Mesmo que a gente se separe por uns tempos / Ou quando você quiser lembrar de mim / Toque a balada do amor inabalável / Swing de amor nesse planeta".

"Velocia", novo disco de inéditas do grupo, peca justamente nesses dois aspectos: a sonoridade é fraca de experimentações, alegrinha, litorânea, mas constante demais ao ouvido; e, nas letras, o grupo se prende à sonoridade das palavras e se esquece do sentido, do apelo emotivo.

As primeiras críticas ao álbum chegam a afirmar que o grupo retorna a suas raízes. Uma verdadeira heresia. "Skank", independente gravado em 1992, "Calango" e "O Samba Poconé", seus primeiros discos, eram cheios de tempero, de um calor brasileiro. No novo disco, não há nada como "In(Dig)Nação", "Esmola", "Te Ver", "Tão Seu" ou a indefectível "Garota Nacional".

A única música de protesto do disco, "Multidão", tem uma levada paradona, um reggae arrastado demais para o tema, pouco condizente com a letra (também repetitiva) e com o rap de BNegão. Fazendo uma ressalva, há, talvez, em "Velocia", algo de "Jack Tequila". "Alexia", música que abre o disco, tem, sim, a cara do Skank: swing, jogo de palavras e a homenagem a uma mulher. Em vez de Jack-Tequila-Coca-Cola-E-Água, a meio-campista Alexia Putellas Segura, de 19 anos.

Outra canção do disco que traz alguma identidade do Skank é "Esquecimento", sexta faixa. Principalmente por que é a única com alguma carga dramática e letra clara, direta. "Nessa música, sentimos que faltavam cordas, metais, uma coisa sofisticada. E aí, com algumas ligações, conseguimos um arranjador em Abbey Road, Londres. Rob Mathes foi sensacional", explica o baixista. A banda já havia gravado em Londres, em 1998, durante o disco "Siderado". "Realmente, aquele é o grande estúdio do mundo".

Parcerias

De acordo com Zaneti, "Multidão" foi a primeira "a nascer" e "Rio Beautiful" a última. Em ambas, o grupo conta com parceiros: a letra de "Multidão" resulta de uma parceria de longa data na família Skank: Samuel Rosa e Nando Reis. Além de frases do rapper B Negão. Já "Rio Beautiful", divide o batismo entre Samuel e Emicida.

"'Velocia' resume bem esse disco. Velocia remete a tempo e o tempo traz uma qualidade ao trabalho. Não existiu uma pressão para que lançássemos antes. Queríamos que esse novo trabalho acontecesse naturalmente. E assim foi: foram dez meses de estúdio até ficar tudo pronto", detalha e defende Zaneti.

No entanto, particularmente, não sei se é possível concordar que, nesse disco, o tempo foi um bom amigo. "Rio Beautiful" é mais do mesmo: som litorâneo, lentidão, um coro na voz de Samuel que se repete em várias canções anteriores.

E a tão salutar parceria Samuel e Nando - que deu a luz a "Resposta", "Dois Rios", "Ainda Gosto Dela" e "Sutilmente" - parece que desandou. É difícil não sentir falta das letras de Samuel com Chico Amaral, presente nesse álbum apenas em "A Noite". Deles dois, sim, nasceram os melhores hits: "Jack Tequila" (Calango), "Três Lados" (Maquinarama), "Amores Imperfeitos" (Cosmotron), "Vou Deixar" (Cosmotron), "Uma Canção é Para Isso" (Carrosel) e outras tantas.

Apesar do fraco resultado sonoro, a banda acertou em cheio nos detalhes. Vale ressaltar a beleza da capa e das aquarelas produzidas para o encarte pelo desenhista Oriol Angrill Jordà. Segundo Lelo, o ilustrador foi encontrado pelo empresário da banda, Fernando Furtado. "Mandamos umas fotos nossas e ele fez esse trabalho super sofisticado. Ficamos bem satisfeitos", afirma Zaneti. Segundo o baixista, os shows de lançamento do disco só acontecerão em setembro. Fortaleza é uma possível cidade nesse circuito. "Ainda não sabemos de nada, mas gostamos muito de Fortaleza, então é uma aposta", adianta.

Referência: diariodonordeste

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