segunda-feira, 16 de junho de 2014

Aos 97 anos, morre 'Vinte e Cinco', último cangaceiro do bando de Lampião

Em decorrência de problemas respiratórios, morreu na manhã do último domingo, 15, o ex-cangaceiro José Alves de Matos, conhecido como ‘Vinte e Cinco’. Remanescente do grupo dos cangaceiros de Lampião, nasceu na cidade de Paripiranga, na Bahia e tinha 97 anos

 

O último capítulo da história do cangaço foi encerrado no último dia 15 de junho, com o falecimento de "Vinte e Cinco", o remanescente do bando do pernambucano de Serra Talhada, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. O ex-cangaceiro ganhou esse apelido por que foi no dia 25 de dezembro de 1933 que ele integrou o bando de Lampião. Com o fim do cangaço, ele se entregou à polícia e cumpriu quatro anos de prisão em Sergipe. Durante o cumprimento da sentença estudou e chegou a concluir o segundo grau.

O sepultamento de José Alves aconteceu nesta segunda-feira (16), no Cemitério Parque das Flores, no Tabuleiro do Martins, parte alta de Maceió. O último componente do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", José Alves de Matos era conhecido entre os companheiros como "25". Ele tinha 97 anos e estava na companhia dos netos quando sentiu falta de ar e foi socorrido imediatamente até um hospital particular da cidade, mas não resistiu e morreu.

O neto de José Alves, Clayton Matos, disse que foi criado como filho por '25', e que a morte deixou toda a família abalada. "Meu avô fez parte da história do país e foi um grande pai para todos nós", lamentou Clayton. Ele deixa seis filhos e 16 netos.

No ano passado, um colega da 'volante', conhecido como "Candeeiro" também faleceu. Ainda segundo Clayton, '25' e Candeeiro eram muito chegados. "Meu avô vivia de memórias e merece ser homenageado por participar da história do Cangaço", concluiu o neto.

O cangaceiro compôs o grupo liderado por Lampião que atuou entre os anos de 1922 e 1938, quando a volante foi capturada e a maioria de seus componentes degolada. Eles costumavam invadir várias cidades do interior nordestino, praticar saques e enfrentar a polícia local. Conhecidos por sua valentia, até hoje os fatos geram polêmica. Enquanto alguns consideram Virgulino herói, para outros ele foi um vilão sanguinário.


Homenagens

José Alves de Matos era membro ativo de Loja Maçônica em Maceió e, no meio maçônico era conhecido por 'Irmão 25'. Na entrada do templo está exposto um painel com as fotos de várias personalidades que pertenceram ou ainda são membros da Loja e a foto do 'Irmão 25' sempre esteve em destaque. Um dado importante a destacar é o fato de '25', após cumprir sua pena,  ter-se tornado um exemplo de ser humano, de comportamento irrepreensível, ou seja, um digno cidadão e, como tal, sempre foi tratado. 

O grupamento maçônico prestou uma merecida homenagem ao Irmão 25, como manda a tradição maçônica, incluindo uma missa de corpo presente. Logo após, o cortejo seguiu até a sepultura ao som de um grupo de seresta que entoou as músicas que ele mais gostava de ouvir e cantar. A primeira, sem dúvida, foi "Acorda Maria Bonita".

'Acorda, Maria Bonita
Levanta, vai fazer o café
Que o dia já vem raiando
E a polícia já está de pé'

Matéria sugerida: Tarcisio Neto, 
Colaboração:          Derli Klusener

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!