sexta-feira, 30 de maio de 2014

Um dos maiores poetas populares do Nordeste, Chico Pedrosa contou causos e encantou o público presente na Cidade da Cultura – Feira (BA)

Chico Pedrosa e convidados no espaço Cidade da Cultura (Foto: Nilvaldo Cruz)



Caros amigos leitores, esse escrevinhador pede licença/

Hoje falando de ontem, em uma oportunidade única /

Inimitável Chico Pedrosa, aqui sua “excelença”/

Contando e declamando os seus versos mágicos/

O mundo da poesia, para aqueles que a têm “querença”
O casal que burila a cultura nordestina, Asa Filho & Jaci, receberam os amigos e admiradores da arte de um modo geral, no seu espaço Cidade da Cultura, em Feira de Santana. A atração maior da noite foi o poeta paraibano Chico Pedrosa, com a sua “poesia matuta”, - como diria o seu conterrâneo Jessie Quirino, - mas lá estavam também o pesquisador da cultura do Nordeste e radialista Nivaldo Cruz, o estudioso da obra de Jackson do Pandeiro, Paulo Costa, além de Kadet Violeiro, entre outros convidados.

Chico declamou poesias, contou causos da sua autoria e de outros poetas e, demonstrando uma memória invejável do alto dos seus 78 anos, pôs à prova sua inigualável capacidade de prender a atenção da plateia. Entremeando a apresentação de Pedrosa, o anfitrião Asa Filho dedilhou algumas canções e Paulo Costa mostrou outras tantas músicas próprias e algumas que fazem parte da história de Jackson do Pandeiro.

A lamentar, a diminuta presença de público, mostrando o quanto Feira de Santana é pouco receptiva a eventos de cunho cultural. Irreverente, Asa Filho comentou: “é uma concorrência desleal, no dia em que Chico Pedrosa vem aqui na Cidade da Cultura, coincide com o jogo do Bahia no Joia da Princesa”.

A história do poeta

Chico Pedrosa nasceu Francisco Pedrosa Galvão, no município de Guarabira, Paraíba, no sítio Pirpiri, a 14 de março de 1936, Dia da Poesia e de aniversário de Castro Alves.

Seu pai Avelino Pedro Galvão era cantador de coco e agricultor conhecido por Mestre Avelino; sua mãe Ana Maria da Cruz era dona-de-casa e prima legítima do cantador Josué Alves da Cruz.

Estudou na escola do sítio onde morava até o terceiro ano primário quando sofreu a injustiça de ser afastado pela professora, incidente relatado no poema "Revolta dum Estudante".

Começou a escrever folhetos de cordel aos 18 anos sob a influência do ambiente que encontrava em casa. Junto com seu amigo e poeta Ismael Freire cantava e vendia seus folhetos nas feiras da região. Além de folheteiro foi camelô. Também trabalhou como representante de vendas durante muitos anos.

É pai de dois filhos: Francisco Carlos Galvão e Flávio do Nascimento Galvão. Pedro Henrique, um de seus netos, já aos cinco anos começou a demonstrar tendência para a arte do avô. A ligação do poeta com Feira de Santana vem de longa data, pois Chico morou em Feira de Santana por 32 anos.

Chico Pedrosa tem três livros publicados (Pilão de Pedra I II e II, Raízes da Terra, Raízes do Chão Caboclo - Retalhos da Minha Vida) e vários cordéis escritos. Tem poemas e músicas gravadas por cantores e cantadores como Téo Azevedo, Moacir Laurentino, Sebastião da Silva, Geraldo do Norte, Lirinha dentre outros.

Lançou três CDs, chamados "Sertão Caboclo", "Paisagem Sertaneja" e "No meu sertão é assim", registrando assim a sua poesia oral. Ele é cultuado hoje pela geração nova, como o pessoal do "Cordel do Fogo Encantado", que em seus shows declamam poemas desse "poeta matuto".

Nos últimos anos, tem participado de diversos shows, apresentando sua poesia ao público nacional, em especial nas grandes capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Recife. O seu poema mais conhecido é "Briga na Procissão", também chamado "Jesus na cadeia".

Euriques Carneiro

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