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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Saga de emigrantes no Brasil ganha prêmio do cinema alemão



'Die andere Heimat', de Edgar Reitz, recebeu Lola de Ouro e mais dois prêmios da Academia de Cinema em Berlim: os troféus de melhor roteiro e melhor direção

O épico em preto e branco, com quatro horas de duração, narra o êxodo dos habitantes da região de Hunsrück (no estado de Renânia-Palatinado) para o Rio Grande do Sul, no século 19.Die andere Heimat– Chronik einer Sehnsucht (A outra pátria – Crônica de um desejo, em tradução livre) foi anunciado nesta sexta-feira (09) como grande vencedor do Prêmio Alemão de Cinema. Além do Lola de Ouro como melhor filme, a produção dirigida por Edgar Reitz, de 81 anos, levou, ainda, os troféus de melhor roteiro e melhor direção, na cerimônia em Berlim.

No vilarejo fictício de Schabbach, os irmãos Jakob e Gustav Simon reconhecem que somente o sonho pode salvá-los de sua triste realidade. Jakob, o mais novo, deixa para trás os limites impostos a um jovem camponês, lê todos os livros que lhe caem nas mãos, aprende a língua dos índios e faz planos de aventuras românticas nas florestas brasileiras. Ele sonha com o recomeço numa nova pátria, porém os golpes do destino dificultam a realização de seu sonho.

Como uma espécie de prequel, o filme – apresentado no 70º Festival de Veneza e no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro – complementa a trilogia Heimat ('pátria' ou 'terra natal'). A série televisiva de três temporadas, realizada entre 1984 e 2004, rendeu ao diretor e roteirista Reitz elogios da crítica e do público alemão.

Assim como as demais partes do épico histórico, Die andere Heimat cativa pela observação detalhada e pela poesia. Por meio de grandes imagens de época, narra o êxodo dos camponeses e artesãos alemães para o Novo Mundo e documenta como as dificuldades econômicas expulsaram centenas de milhares de sua terra natal. Ao mesmo tempo, mostra como educação e leitura dão asas à imaginação e ao desejo de conhecer outras realidades.

Prata, bronze e Schtonk!
Concedido desde 1951 pela Academia Alemã de Cinema, o Deutscher Filmpreis, apelidado de Lola, é a mais importante distinção do ramo no país. Ele é também o prêmio cultural mais bem dotado, perfazendo um total de quase 3 milhões de euros.

Nesta 64ª edição, o Lola de Prata foi para Das finstere Tal (O vale escuro), de Andreas Prochaska, que arrebatou oito premiações, ao todo, incluindo melhor fotografia, som e design de produção. Situado no século 19, trata-se de uma espécie de western, enfocando um jovem peregrino recém-chegado a uma aldeia nos Alpes onde mortes misteriosas ocorrem.

O Lola de Bronze da noite foi para Zwei Leben (Duas vidas). Na produção teuto-norueguesa dirigida por Georg Maas, a protagonista Katrine leva uma vida familiar despreocupada, até que seu passado a alcança. Filha de um oficial militar do Terceiro Reich e de uma norueguesa, a ex-agente do Stasi (serviço secreto da Alemanha comunista) é solicitada por um advogado alemão a ajudá-lo na investigação de crimes de guerra nazistas. O elenco inclui a famosa atriz sueca Liv Ullmann.

Na cerimônia de gala no Tempodrom de Berlim foi também laureado, pelo conjunto de sua obra, o diretor, produtor e roteirista Helmut Dietl, nascido em 1944. No Brasil, ele ficou conhecido com a sátira hitleriana-midiática Os irresistíveis falsários (Schtonk!, de 1992).

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