quinta-feira, 22 de maio de 2014

O mago da fotografia Sebastião Salgado é o homenageado de “O sal da terra”, presença brasileira em Cannes 2014

Sem películas brasileiras na Seleção Oficinal, sobrou apenas a participação do longa-metragem O sal da terra, uma coprodução entre França, Itália e Brasil que celebra o trabalho do renomado fotógrafo Sebastião Salgado, dirigido pelo alemão Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião

O filme é um dos melhores da Mostra Um Certain Regard foi, com justiça, incluído na seleção deste ano e como já se encontra na reta final do festival, não deve aparecer coisa melhor para levantar a qualidade que supere o trabalho de nacional.

A sessão de O sal da terra foi das mais concorridas, mas não contou com a presença de Sebastião Salgado nem de sua mulher, a também fotógrafa e produtora editorial Lélia. Wenders e Juliano fizeram a apresentação de praxe, só com os costumeiros agradecimentos. Mas, no final da projeção, foram bastante recompensados com uma ovação de mais de cinco minutos.

Um ícone na arte de fotografar
Tantos são os trocadilhos possíveis de se aplicar ao seu sobrenome. Como infinitas parecem as possibilidades que o talento desse homem coloca diante de nós, observadores. Magníficas imagens que abrem diante de nossos olhos outros mundos. E a nós, que escrevemos, fica o privilégio de rascunhar sobre ele. O próprio tempero. O que satisfaz o olhar ávido de representações sensíveis. O sal da terra. Sebastião Salgado. O talento de captar imagens tão chocantes, e belas. Recém completado 70 anos, Sebastião Salgado é a própria definição de sua terra, Aimorés. A parte de Minas Gerais mais quente. O nosso olhar mais árido.

A primeira grande escolha de Salgado foi pelos números. Nascido em 8 de fevereiro de 1944, aos 19 anos foi para São Paulo cursar a faculdade de economia da USP. Assim, seguiu até 1967, quando conheceu Lélia Deluiz Wanick, que logo se tornou sua esposa – como permanece até hoje, sendo uma figura tão importante na trajetória de Salgado como o seu próprio talento. Juntos, lutaram contra a ditadura militar. Sebastião e Leila foram amigos de Marighella. Mas a carreira no Brasil não poderia seguir com sucesso com tamanha censura – e pensando de maneira tão contrária. O casal, então, foi embora para Paris, em 1969. E Sebastião escreveu uma tese em ciências econômicas. Mais inverso impossível à veia artística que ainda não havia surgido, mas que não tardaria.

Experimentando um novo viés na sua carreira, ele foi como secretário para a Organização Internacional do Café, em Londres e seguiu viajando. Na África, realizou sua primeira sessão de fotos funcionando como um amor à primeira vista e, em 1973, o mineiro se apresentava como fotojornalista. Hoje, aos 70 anos, não há prêmio que ele não tenha recebido, de todas as renomadas instituições do mundo, tendo passado por grandes agências mundiais como a Sygma, a Gamma e a Magnum.

Desde 1994 Salgado mantém a Amazonia Imagens. Ela que concentra sua obra e dirige sua carreira, sempre sob o olhar meticuloso de Lélia que cuida da carreira do fotógrafo com uma dedicação ímpar. Se tivermos que procurar a palavra a mais adequada para descrever sua missão, se assim podemos chamar, seria 'dignidade'. Sem pretensões religiosas, a missão do casal inclui o fazer artístico que derruba fronteiras e é capaz de levar novas maneiras de interpretar conceitos velhos e de fazer repensar esses próprios velhos conceitos.

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