sexta-feira, 16 de maio de 2014

MoMA inaugura primeira grande retrospectiva que mostra as quatro décadas da obra de Lygia Clark nos EUA


 


A pintora e escultora brasileira Lygia Clark vai ganhar sua primeira grande retrospectiva nos Estados Unidos. Entre os dias 10 de maio e 24 de agosto, o Museu de Arte Moderna de Nova York – MoMA vai exibir quase 300 obras da artista, entre pinturas, esculturas e instalações

A exposição, chamada “Lygia Clark: O Abandono da Arte, 1948-1988”, será também o tema de um documentário dirigido por Daniela Thomas. Os trabalhos expostos, que reúnem todas as fases da obra da artista plástica brasileira Lygia Clark, serão apresentados pela primeira vez no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa.

É a primeira grande exposição nos Estados Unidos da artista, que é autora da obra de arte brasileira mais valiosa até hoje — “Superfície modulada nº 4”, de 1958, comprada por R$ 5,3 milhões num leilão em São Paulo no ano passado — e que atrai cada vez mais atenção internacional. Além de agrupados por datas, seus desenhos, pinturas, esculturas e projetos participativos são organizados em três temas-chave no sexto andar do MoMA: abstração, neoconcretismo e, claro, o “abandono da arte”.

Mineira de Belo Horizonte, mas presente no Rio de Janeiro e em Paris, Lygia Clark tem uma obra difícil até de ser definida devido a seu aspecto atemporal, mas certamente a palavra genialidade pode ser utilizada como predicado. Reconhecendo isso, o MoMA presta um solene tributo, dedicando suas galerias mais importantes às obras de Lygia.

“Trata-se verdadeiramente de uma mostra de consagração. Para nós é uma honra e um privilégio ter a possibilidade de expor a obra completa de Lygia Clark, desde o começo da sua carreira até o final, no MoMA. Acho mais importante para o MoMA do que para a Lygia”, diz o curador de arte latino-americana do museu, Luis Pérez-Oramas, que organizou a exposição com a curadora-chefe do Hammer Museum de Los Angeles, Connie Butler.

A exposição “O abandono da arte” reúne todas as fases da artista. No começo, a influência de um artista importante: Roberto Burle Marx.

Nas superfícies moduladas, a moldura do quadro é uma extensão da obra. O neo-concretismo, um movimento brasileiro, que resultou na série de esculturas “Bichos“.

Para Eduardo, filho de Lygia, ver uma exposição tão grande foi como reencontrar a mãe, que morreu há 26 anos. “Desde o início, quando ela começou a pintar, ela tinha um objetivo, uma missão. Eu tenho a impressão que aqui, hoje, ela está completando essa missão“, afirma Eduardo Clark, filho de Lygia.

A exposição em Nova York revela uma preocupação que a Lygia Clark sempre teve: ela queria que o público fosse muito mais que apenas espectador de suas obras. E conseguiu. Uma das provas é a instalação ‘A casa é o corpo’, que a Lygia criou para a Bienal de Veneza, em 1968.

A exposição se estende ao quarto andar do museu, onde foi remontada a instalação penetrável “A casa é o corpo”, de 1968. O MoMA aproveita para apresentar, de carona, a mostra “On the edge: Brazilian film experiments of the 1960’s and early 1970’s”, com filmes experimentais de Anna Bella Geiger, Arthur Omar, Glauber Rocha e Neville D’Almeida, entre outros. Até o fim da mostra, em 24 de agosto, haverá ainda workshops com artistas como Carlito Carvalhosa, Michel Groisman, Ricardo Basbaum e Allison Smith.

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