segunda-feira, 26 de maio de 2014

Luiz Felipe Pondé: Deus é o maior personagem da literatura ocidental



Amigos que nos acompanham aqui no Artecultural: leitor contumaz das colunas semanais de Luiz Felipe Pondé via web, a matéria abaixo, que julgo uma das mais intensar já escritas por Eliana de Castro, com a qual os brindo aqui nesse espaço.

Euriques Carneiro


Depois de abandonar a medicina prestes a se tornar “Doutor” e trilhar pelos caminhos da filosofia, Pondé afirma estar cada vez mais convicto de que as virtudes essenciais são: humildade, gratidão e esperança
Pela profundidade da sua escrita, a impressão que fica é que as pessoas que decidem ir além na leitura dos textos de Luiz Felipe Pondé – seja em seus livros ou em sua coluna semanal na Folha de S. Paulo – querem ficar diante dele, olho no olho, a fim de confrontá-lo, decifrá-lo ou simplesmente encontrar em sua postura imponente – para começar – a segurança de alguma certeza quanto aos mistérios da vida. Penetrar, verbo interessante, na fortaleza do seu mundo interior também pode ser um desejo, imbuído, sem dúvida, de intenções mais subjetivas.

Essas intenções decorrem tanto da identidade que o filósofo é capaz de gerar em seus leitores quanto da raiva, porque a acidez de seus textos corrói as paredes sensíveis do conjunto de valores de muita gente. A definição “fortaleza” é de segura, não de forte. A porta de entrada está por trás de seus óculos de armação grossa. Seus olhos azuis, despidos, em algum momento revelam o personagem polêmico além de suas ideias politicamente incorretas.

É o que, por exemplo, acontece em seu dia a dia na FAAP ou na PUC. Pondé é amado por seus alunos e por quem convive com ele de perto. Não como a unanimidade burra, conceituada por seu ídolo Nelson Rodrigues, que homenageia no seu último livro “A Filosofia da Adúltera – Ensaios Selvagens”, publicado pela Editora LeYa. Luiz Felipe Pondé é o próprio contraponto: contrasta e complementa, é ateu e apaixonado por Deus. Aos 55 anos, é casado, pai de dois filhos, e um dos pensadores mais influentes do país.

Visceral, o semideus também se emociona. E alguns segundos de vulnerabilidade podem ser notados se algo da natureza humana se dissolver à sua frente. Sua vocação de provocar a alma é alimentada pela solidão, pela descrença e pela melancolia. É a composição da sua sensibilidade, escondida na ironia deliciosa de suas sentenças. Se o filósofo midiático se esconde atrás de seu cachimbo e ri da fúria de seus leitores, quem sabe? Ele está seguro em sua fortaleza. Instigante, pela beleza do seu vazio.

Eliana de Castro

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