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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Fotografias de vendedores ambulantes são alvo de exposição na Rocinha e mostra que o ofício que costumava ser de ex-escravos continua presente mesmo mais de cem anos após a abolição



Exposição na Comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, reúne fotografias antigas e recentes de vendedores ambulantes. As fotos fazem uma homenagem aos trabalhadores e são uma iniciativa do Museu Sankofa Memória e História da Rocinha, em parceria com o Instituto Moreira Salles 

Mascates, comerciantes informais, ambulantes. Trabalhadores que exercem esses ofícios, com frequência cobertos de preconceitos, são também muitas vezes os salvadores da pátria. Afinal, quem nunca precisou comprar um guarda-chuva no meio de uma tempestade? No Dia do Trabalho, 01/05, os vendedores ambulantes são os homenageados no Museu Sankofa Memória e História da Rocinha, na Biblioteca Parque da Rocinha. Com o título Ambulantes Ontem e Hoje, a mostra reúne fotografias de Flávio Carvalho ao lado do centenário Marc Ferrez.

O acervo de Ferrez do século XIX faz parte do Instituto Moreira Salles e é composto por mais de cinco mil imagens, sendo quatro mil negativos originais de vidro. O fotógrafo franco-brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, retratou cenas dos períodos do Império e início da República. O legado visual eterniza vendedores de aves, funileiros, amoladores de facas e tesouras, verdureiros e outras funções comuns da época.

A imagem de dois garrafeiros despertam a curiosidade, por não fazerem mais parte da paisagem urbana. Em torno de 1895, quando o boom petróleo ainda não havia acontecido, os artigos de plástico não era fabricados. As únicas formas de armazenar líquidos eram em moringas de barro ou garrafas de vidro. Estes ambulantes passavam nas ruas e compravam estas garrafas. Crianças e pessoas de classes mais baixas vendiam para ajudar na renda.

O ofício que costumava ser de ex-escravos continua presente mesmo mais de cem anos após a abolição. Quem visita a exposição retorna ao passado, mas o resgata para o presente cotidiano carioca. Antônio Carlos Firmino, na companhia de Fernando Ermiro, assina a curadoria da exposição que ocupa o museu e destaca a importante reflexão surgida a partir das fotografias. “Os ambulantes ainda são perseguidos e sofrem com o preconceito. É importante pensar nesse ofício e levar a discussão para as condições de trabalho atuais. Se queremos construir um futuro diferente, precisamos olhar para o passado.”

Do outro lado da câmera


O olhar do presente de Flávio Carvalho recorta estes profissionais. A comunidade da Rocinha foi personagem e espaço de pesquisa. A conversa com os trabalhadores aproximou o fotógrafo de uma realidade que muitas vezes faz parte do papel de parede da cidade. “Pude ver que , de uma certa forma, eles estavam felizes de estar ali. 
Cada um possuía um talento e o usava em benefício próprio. Num primeiro momento, imaginei fotos mais contemporâneas, mas depois nos demos conta que ao colocar um fundo branco atrás do ambulante dava o destaque necessário para quem muitas vezes passa despercebido.”

O toque de leveza fica por conta do carisma dos que ganham a vida na rua. A criatividade para ganhar a clientela, a capacidade de improviso e a simpatia para interagir são quase pré-requisitos na profissão. É assim que Firmino enxerga beleza na mostra. “O ambulante é diferente do camelô que fica com o ponto fixo esperando as pessoas, ele precisa ir atrás. Tem um pouco de artista nisso, de estar onde o povo está”, descontrai.

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