quarta-feira, 28 de maio de 2014

Com números semelhantes aos de 2012, Santuário de Aparecida bate recorde com quase 12 milhões de visitantes



A Basílica de Nossa Senhora Aparecida, também denominada Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, está localizada na cidade de Aparecida (SP) e é o segundo maior templo católico do mundo, menor apenas que a Basílica de São Pedro no Vaticano

A sagração solene se deu em 4 de julho de 1980, por João Paulo II quando ele visitou o Brasil pela primeira vez. Em outra de suas visitas, passando por Aparecida, abençoou o Santuário e, em 1984, a CNBB elevou a Nova Basílica a condição de Santuário Nacional. Localiza-se no centro da cidade, tendo como acesso a "Passarela da Fé", que liga a basílica atual com a antiga, ambas visitadas por romeiros


Os números do Santuário de Aparecida são impressionantes, sob todos os aspectos. Segundo administração, público visitante aumentou 69% nos últimos dez anos, atingindo o ápice em 2013 com 11.856 milhões de romeiros, o que equivale a742 mil peregrinos a mais do que o contabilizado no ano anterior. A mola propulsora que levou ao recorde foi a visita do Papa Francisco em julho, e durante a semana missionária, evento que antecedeu a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Rio de Janeiro (RJ).

Setembro, o mês que antecede os festejos em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, tradicionalmente é o mês onde se o maior número de visitantes, uma vez que, usualmente, os católicos vão ao templo neste mês para evitar a superlotação do mês de outubro, dedicado à Padroeira do Brasil.

Movimento

Depois de setembro, dezembro e novembro tiveram o maior público em 2013. Os visitantes no ano passado são de ao menos cinco nacionalidades. O dia de maior movimento no Santuário Nacional no ano passado foi o feriado de 7 de setembro, com 179.693 fiéis. O dia 15 de setembro registrou 173 mil pessoas e 24 de novembro contabilizou 171 mil devotos, no segundo e terceiro maiores públicos do ano na Basílica, respectivamente.

O público nestas datas foi maior, por exemplo, que o contabilizado na visita do Papa Francisco, ocasião em que 150 mil fiéis foram a Aparecida na primeira missa pública do Santo Padre desde o início do pontificado, em março.

Economia

Com a economia girando em torno do turismo religioso, o comércio de Aparecida registrou em 2013 crescimento entre 8% e 10%, tendo recebido cerca de 80 mil turistas por fim de semana. Em algo sem precedentes, a cidade teve crescimento muito acima da média, mesmo sendo um período de baixa temporada, dando mostras de que a fé é o maior convite que a cidade pode oferecer aos seus turistas.

A exceção da imagem de Nossa Se­nhora Aparecida, que mede apenas 39 cm, os números  que movem o Santuário Na­cio­nal são superlativos. A engrenagem que começou exclusivamente por causa da fé, hoje não pode se desvincular dos números que giram um comércio gigantesco na cidade. Os mes­mos fiéis que de joelhos rogam pela intervenção da Pa­droeira do Bra­sil, movimentam mais de 30 milhões de reais por ano somente no santuário, em doações e compras de objetos religiosos e lembranças. O divino e o profano, a fé e consumismo, se integram em total harmonia na Meca brasileira.

A demanda é realmente gigantesca. Peregrinos de diversas partes do Brasil transformam a Basílica em um formigueiro e eles es­tão em todos os lugares: há filas para visitação à imagem original da san­ta, banheiros, missas, restaurantes, até mesmo para anunciar perdidos e achados. Eles movimentam também a economia da cidade: 99% da população – segundo estimativas da prefeitura da cidade – dependem direta, ou indiretamente, do santuário que é o maior empregador com seus 1.211 funcionários. 

As despesas mensais ficam em 1,5 milhão de reais. Tudo parece seguir a lógica da grandiosidade: o tamanho da Basílica Nova, o maior templo Mariano do mundo, impressiona: 23 mil m2 de área construída em estilo neo-românico e mais 272 mil m2 de estacionamento, com capacidade para abrigar até 40 mil pessoas. Um estádio de futebol de médio porte.

É neste cenário que uma massa de visitantes parece desconhecer a crise econômica, a julgar pelo vai-e-vem dos fiéis por to­das as lo­jas e as sacolas em seus braços, a lógica é que o comércio vai muito bem, obrigado. É possível gastar me­ros 0,50 centavos ou bem mais de mil reais. Há velas a metro para pedidos de orações, uma infinidade de produtos e brinquedos da China, eletro portáteis, ou­tros tantos milha­res de escapulários, terços, orações, e até noivas procurando vestidos de casamen­to.

Muitos argumentam que essa transformação em templo de consumo desvirtuou os propósitos do Santuário que foi idealizado e projetado para se professar a fé, mas os defensores rebatem dizendo que o número de visitantes se avolumou de tal forma que se tornou absolutamente necessário dotar a cidade de uma estrutura que bem atendesse a todos.

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