quarta-feira, 21 de maio de 2014

“Chronos “ e “Kairós”: é impossível compreender esse pensamento sem mergulhar e entender um pouco da cultura em que tudo isso foi escrito e tratado



O lado controverso do tempo: quando vamos falar sobre tempo, devemos ter o cuidado de especificar sobre o que estamos querendo abordar, já que a compreensão sobre esse tema é muito mais abrangente do que imagina a nossa vã filosofia. A língua grega tem uma riqueza de termos com os quais se expressa a experiência do tempo e temos que focar o entendimento Kairós e Chronos sob o prisma 

Mitologicamente falando, Chronos era um titã que se tornou senhor do céu após destronar seu pai (Urano) e, a partir desse acontecimento, os titãs passaram a governar o mundo. O mito do Chronos ilustra temas como envelhecimento, mudança entre outros elementos relacionados ao tempo. Chronos personificava o senhor do tempo, aquele que tudo devora; “Chronos devora ao mesmo tempo que gera”, essa é uma alusão ao mito que ele devorava todos os filhos assim que deixavam o ventre sagrado da mãe.

De acordo com a mitologia ele temia uma profecia segundo a qual seria tirado do poder por um de seus filhos pois não queria que ninguém lhe sucedesse, além dos próprios filhos devorava os seres e o destino, Chronos deu origem a palavra cronometro do nosso relógio que regulamenta o nosso tempo.

Kairós por sua vez representava o oposto, era descrito como um jovem que não se preocupava com o relógio, calendário e o tempo cronológico. Kairós era representado por um jovem que sempre estava nu, de asas nos ombros e nos tornozelos, tinha mechas de cabelo caindo sobre a testa, mas a sua nuca é calva. 

Isso representa o carálos (cabelos) em sua passagem por nós e, uma vez tendo passado, é impossível alcançá-lo (não tem caráter instantâneo de sua apreensão: ele só pode ser pego (agarrado pelos na nuca por onde possa ser puxado de volta), Kairós tem numa das mãos uma balança. A balança é símbolo do equilíbrio e da justiça: Kairós, embora veloz, não ultrapassa a medida.

Vimos que bem antes do cristianismo a ideia de tempo (Kairós e Chronos) era utilizada pelos filósofos gregos, a começar por Hesíodo (+ ou - 750 e 650 a.C) - poeta e um dos pais da cultura grega.

Segundo a tradição, ou para muitos apenas uma lenda, Ptolomeu II Filócrates (287-247 a.C.), rei do Egito, pediu que fosse traduzido a lei dos Judeus para o grego, para assim enriquecer a biblioteca de Alexandria, já considerada centro intelectual da época, para isso foram convocados 72 sábios Judeus, e assim a tradução foi concluída em 72 dias, dando nomenclatura ao titulo.

Tendo a tradução do velho testamento para o grego, estratificou-se a ideia do conhecimento de tempo já empregado na mesma.

“Tudo tem o seu Chronos determinado, e há um Kairós para todo propósito” – existe um tempo cronológico dentro do qual vivemos, e dentro dele um momento oportuno para que se cumpram os propósitos.

Assim, fica clara a ideia de tempo no entendimento baseado na cultura grega que era uma forma comum de passar o conhecimento para que o povo a qual estivesse destinado conseguisse entender.

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