sábado, 31 de maio de 2014

Após reforma, Museu da Imigração reabre em SP neste sábado



Depois de três anos e meio fechado para restauração, o antigo Memorial da Imigração, em São Paulo, reabre neste sábado (31), repaginado e com novo nome: Museu da Imigração do Estado de São Paulo

Segundo ela, as reformas permitiram que o museu ficasse acessível a todos os públicos, mais seguro e com climatização adequada para o acervo. “E esse foi um desafio, já que o edifício é tombado”, disse ela.Esta foi a primeira grande reforma do prédio, que teve sua construção finalizada em 1888. A reforma custou em torno de R$ 20 milhões, e demorou três anos e meio para poder se adequar à função que exerce hoje. Ou seja: para receber público e preservar o acervo, que tem mais de 12 mil itens doados por comunidades de imigrantes, migrantes e descendentes, disse Marília Bonas, diretora executiva da instituição, em recente entrevista.

O prédio do museu, no bairro do Brás, limite com a Mooca, na zona leste da capital, serviu como hospedaria para imigrantes de 1887 a 1978. Por ele passaram mais de 2,5 milhões de pessoas, de mais de 70 nacionalidades. Em 1982 ele foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat).

“O edifício foi construído em um projeto político para atrair mão de obra estrangeira para as plantações de café, depois da abolição da escravatura. Era um projeto ideológico muito forte e político, com grande investimento, e para isso construíram um grande complexo de hospedaria para acolher a mão de obra desejada pelo governo de São Paulo, no final do século XIX”, explicou Marília. A partir de 1930, a hospedaria passou a funcionar como área de refúgio e de assistência social, atendendo também a migrantes. Em 1995, foi criado o Memorial do Imigrante.

Alguns atrativos do antigo Memorial do Imigrante permanecem, como o passeio de Maria Fumaça. Uma das novidades é a exposição de longa duração Migrar: Experiências, Memórias e Identidades, que vai contar em oito módulos como o processo migratório ainda continua no país. Para isso, a exposição contará com documentos, fotos, vídeos, depoimentos e diversos objetos. Mais de 200 itens do acervo serão apresentados, de malas a mobiliários da antiga hospedaria. “Tem uma sala que reproduz o refeitório da hospedaria, e outra, um dormitório, para aproximar as pessoas da vivência [de então]”, falou Marília.

A ideia, segundo ela, é fazer uma aproximação com a questão da imigração contemporânea. “A exposição faz um panorama da imigração no Brasil, principalmente em São Paulo. Ela conta com bastante recurso tecnológico, várias projeções e multimídias, para que o público viva uma espécie de imersão na experiência da imigração, tanto no passado quanto hoje”, falou.

Um módulo da exposição também vai apresentar a cidade de São Paulo pela perspectiva dos bairros Bom Retiro, Mooca, Brás e Santo Amaro, homenageando com imagens e vídeos as referências a imigrantes inscritas nas festividades, nos traços arquitetônicos e nas transformações culturais presentes naquelas regiões. Outro espaço pretende discutir a imigração nos dias atuais, por meio de um painel interativo que forma um mosaico de rostos de pessoas com diversas origens, que passaram recentemente pela experiência de deslocamento.

Entre junho e julho, o Museu da Imigração será gratuito. Depois, o ingresso custará R$ 6. Mais informações poderão ser encontradas no site www.museudaimigracao.org.br, no qual também se pode acessar o acervo digitalizado do museu.

Fonte: EBC

Exposição Mário Cravo Júnior em Salvador (BA), durante o mês de junho é uma ótima opção de lazer na capital baiana

Uma das mais famosas obras de Mário Cravo Jr

Em época de grandes eventos em Salvador com a realização dos jogos da Copa do Mundo, aliados à gama de opções de lazer daquela capital, a exposição do premiado artista baiano Mario Cravo Júnior destaca-se como programa cultural

Mario Cravo Júnior nasceu em Salvador, Bahia, no dia 13 de abril de 1923. Estudou nos Estados Unidos, Universidade de Syracuse, trabalhou em Nova Iorque, viveu e realizou exposições na Alemanha, como “Artists in Residence” pela Ford Foundation, ganhou prêmio na I Bienal de São Paulo, participou da XXVI Bienal de Veneza, da IV Exposição Internacional de Escultura Contemporânea no Museu Rodin, Paris, 1ª Exposição Bienal Internacional de Gravura de Tóquio, da I Bienal Nacional de Artes Plásticas, em Salvador, com sete esculturas criadas na proporção do claustro do Convento do Carmo, formulação até aquele momento inovador em conceito e forma, nas suas peças medindo de três a sete metros de altura.

Iniciando a expor individualmente em 1947 (“Mario Cravo Júnior Expõe”. Edifício Oceania. Salvador/BA e “Mario Cravo Esculturas e Desenhos”. Associação de Cultura Brasil-Estados Unidos (ACBEU). Salvador/BA), e coletivamente em 1943 (“VII Salão ALA”. Biblioteca Pública. Salvador/BA), realizou na sua trajetória mostras em galerias de várias cidades brasileiras e do exterior (New York, WashingtonDC, Minneapolis, San Francisco, Colorado, St. Louis, nos Estados Unidos; Berlim, Munchen, Bonn, na Alemanha; Zurique, Berna, Neuchâtel, na Suiça; Santiago, Chile; Paris, França; Tokio, Japão; Madri, Espanha; Oshogbo, Lagos, Nigéria; Castellanza, Itália; Lisboa, Guimarães, Portugal; Macau, China; Buenos Aires, Argentina; Panamá, Costa Rica, Guatemala, México e Cuba, e desde o início vem realizando mostras e possuindo trabalhos em locais públicos, experimentando um contato direto da arte com o homem urbano.

As suas obras estão espalhadas pelo mundo nos acervos dos Museus de Arte Moderna de Nova Iorque, Jerusalém, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Pampulha em Minas Gerais; Museu de Arte de Jerusalém, Rio Grande do Sul, Bahia, Feira de Santana, São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu Afro Brasil; Fundação Armando Alvarez Penteado; Museu Chácara do Céu – Fundação Raymundo de Castro Maya; Museu de Arte Sacra da Bahia; Museu da Cidade do Salvador; Museu de Antropologia da Bahia; Núcleo de Artes da Desenbahia; Walker Art Center; e ainda nos Museu Hermitage (Rússia), Walker Art Center (Minneapolis/Estados Unidos). Entre as suas premiações temos: 2º Prêmio do 3º Salão Baiano de Belas Artes (1951); 3º Prêmio da 1ª Bienal de São Paulo/1951; 1º Prêmio do 2º Salão de Arte Paulista de Arte Moderna/1952; 2º Prêmio da 3ª Bienal de São Paulo/1955; 2º Prêmio da 1ª Exposição de Arte Sacra da Pontifícia Universidade Católica do Brasil, Rio de Janeiro/1956.

Evento: Exposição Mario Cravo Júnior
Local: Galeria Paulo Darzé - Rua Dr. Chrysippo de Aguiar
Galeria Paulo Darzé - Corredor da Vitória
Quando: durante mês de junho



sexta-feira, 30 de maio de 2014

Um dos maiores poetas populares do Nordeste, Chico Pedrosa contou causos e encantou o público presente na Cidade da Cultura – Feira (BA)

Chico Pedrosa e convidados no espaço Cidade da Cultura (Foto: Nilvaldo Cruz)



Caros amigos leitores, esse escrevinhador pede licença/

Hoje falando de ontem, em uma oportunidade única /

Inimitável Chico Pedrosa, aqui sua “excelença”/

Contando e declamando os seus versos mágicos/

O mundo da poesia, para aqueles que a têm “querença”
O casal que burila a cultura nordestina, Asa Filho & Jaci, receberam os amigos e admiradores da arte de um modo geral, no seu espaço Cidade da Cultura, em Feira de Santana. A atração maior da noite foi o poeta paraibano Chico Pedrosa, com a sua “poesia matuta”, - como diria o seu conterrâneo Jessie Quirino, - mas lá estavam também o pesquisador da cultura do Nordeste e radialista Nivaldo Cruz, o estudioso da obra de Jackson do Pandeiro, Paulo Costa, além de Kadet Violeiro, entre outros convidados.

Chico declamou poesias, contou causos da sua autoria e de outros poetas e, demonstrando uma memória invejável do alto dos seus 78 anos, pôs à prova sua inigualável capacidade de prender a atenção da plateia. Entremeando a apresentação de Pedrosa, o anfitrião Asa Filho dedilhou algumas canções e Paulo Costa mostrou outras tantas músicas próprias e algumas que fazem parte da história de Jackson do Pandeiro.

A lamentar, a diminuta presença de público, mostrando o quanto Feira de Santana é pouco receptiva a eventos de cunho cultural. Irreverente, Asa Filho comentou: “é uma concorrência desleal, no dia em que Chico Pedrosa vem aqui na Cidade da Cultura, coincide com o jogo do Bahia no Joia da Princesa”.

A história do poeta

Chico Pedrosa nasceu Francisco Pedrosa Galvão, no município de Guarabira, Paraíba, no sítio Pirpiri, a 14 de março de 1936, Dia da Poesia e de aniversário de Castro Alves.

Seu pai Avelino Pedro Galvão era cantador de coco e agricultor conhecido por Mestre Avelino; sua mãe Ana Maria da Cruz era dona-de-casa e prima legítima do cantador Josué Alves da Cruz.

Estudou na escola do sítio onde morava até o terceiro ano primário quando sofreu a injustiça de ser afastado pela professora, incidente relatado no poema "Revolta dum Estudante".

Começou a escrever folhetos de cordel aos 18 anos sob a influência do ambiente que encontrava em casa. Junto com seu amigo e poeta Ismael Freire cantava e vendia seus folhetos nas feiras da região. Além de folheteiro foi camelô. Também trabalhou como representante de vendas durante muitos anos.

É pai de dois filhos: Francisco Carlos Galvão e Flávio do Nascimento Galvão. Pedro Henrique, um de seus netos, já aos cinco anos começou a demonstrar tendência para a arte do avô. A ligação do poeta com Feira de Santana vem de longa data, pois Chico morou em Feira de Santana por 32 anos.

Chico Pedrosa tem três livros publicados (Pilão de Pedra I II e II, Raízes da Terra, Raízes do Chão Caboclo - Retalhos da Minha Vida) e vários cordéis escritos. Tem poemas e músicas gravadas por cantores e cantadores como Téo Azevedo, Moacir Laurentino, Sebastião da Silva, Geraldo do Norte, Lirinha dentre outros.

Lançou três CDs, chamados "Sertão Caboclo", "Paisagem Sertaneja" e "No meu sertão é assim", registrando assim a sua poesia oral. Ele é cultuado hoje pela geração nova, como o pessoal do "Cordel do Fogo Encantado", que em seus shows declamam poemas desse "poeta matuto".

Nos últimos anos, tem participado de diversos shows, apresentando sua poesia ao público nacional, em especial nas grandes capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Recife. O seu poema mais conhecido é "Briga na Procissão", também chamado "Jesus na cadeia".

Euriques Carneiro

"Cortinas Fechadas", do cineasta nascido no Azerbaijão, Jafar Panahi mostra as expressões de um homem dolorido



Para Jafar Panahi: "viver atrás de cortinas fechadas é pior do que se matar". Depois de dirigir Isto não é um filme (2011), produzido dentro do seu apartamento em Teerã com a ajuda de colegas corajosos como ele, é chegada a vez de Cortinas fechadas que lhe deu o Urso de Prata de melhor roteiro na Berlinale do ano passado

Há 19 anos Panahi foi apresentado ao mundo, em Cannes, que, encantado, aplaudiu seu lindo filme O balão branco. Colecionador de prêmios importantes em Locarno, Berlim e Veneza, a sua carreira internacional amadurecia quando, na campanha presidencial do Irã de 2009, apoiou publicamente Mir Hussein Mussavi, candidato da oposição. A partir de então a vida do cineasta se transformou em um inferno. O governo de Ahmadinejad invadiu sua casa, ameaçou a família, sua coleção de filmes clássicos foi destruída, o passaporte foi confiscado e Panahi acabou preso. Durante quase três meses fez greve de fome na cadeia e em 2010 foi a julgamento. Depois, foi isolado, condenado a sete anos de prisão domiciliar e ao silêncio artístico. 

Durante 20 anos está proibido de filmar, conceder entrevistas e viajar para fora do país.Como avaliar um filme político que luta pelas causas progressistas – justiça social, denúncias reiteradas de desigualdades e de abusos, restabelecimento de realidades escamoteadas ou distorcidas pelas ditaduras -, porém com baixa qualidade cinematográfica? 

Cinema sem talento artístico, montagem confusa, pobre de imagens, pesquisa precária, inconcluso, apenas catártico, mas que apresenta certas informações que, para a história, são novas e oportunas? Produções baratas, realizadas com honestidade, suor e lágrimas, mas incomparáveis ao impecável cinema, por exemplo, de Eduardo Coutinho, Costa-Gavras, Ken Loach?

Vale a complacência?

Não é o caso do excelente Cortinas Fechadas, do cineasta Jafar Panahi, de 54 anos, nascido no Azerbaijão, membro do grupo de elite dos melhores realizadores do provocador cinema iraniano: Kiarostami, Makhmalbaf, Asghar Farhadi, Majid Majidi e Mohammad Rasoulof, este em atual prisão domiciliar. O seu filme que se inicia e termina com as grades de uma vasta janela de casa de veraneio aparentemente aprazível - na verdade grades de uma prisão -, e no qual a tela, sem imagens, se mostra negra à custa de cortinas escuras rigorosamente cerradas, é uma produção dirigida por um prisioneiro político a quem se tenta calar à força.

Reduzido a um "mundo de melancolia" como ele diz em declaração feita de contrabando pelo skype para a plateia do Festival de Karlovy Vary, na República Tcheca, ano passado, mesmo assim Panahi fez Isto não é um filme (2011), produzido dentro do seu apartamento em Teerã com a ajuda de colegas corajosos como ele. Agora chega aqui, filmado na sua casa à beira do mar Cáspio, Cortinas fechadas que lhe deu o Urso de Prata de melhor roteiro na Berlinale do ano passado.

"Só as pessoas sem medo podem viver atrás de cortinas fechadas," escreve o personagem/escritor. Observação óbvia do cineasta. Mas, ele continua: "viver atrás de cortinas fechadas é pior do que se matar".

Na sua situação claustrofóbica Panahi considera o suicídio uma alternativa? O filme diz que não ao poupar o diretor/personagem de se afogar, serenamente, na cena em que ele próprio, do terraço, contempla a si mesmo adentrando o mar Cáspio para morrer.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Avatar se torna tema de novo espetáculo do Cirque du Soleil



Parceria com James Cameron é primeiro projeto da companhia inspirado em um filme e a nova produção do gigante mundial das artes cênicas terá sua estreia em Montreal, no fim de 2015, anunciaram James Cameron e Daniel Lamarre, presidente do Cirque du Soleil, durante uma entrevista coletiva à imprensa 

Além de inspirar uma atração no parque da Disney Animal Kingdom, em Orlando, Avatar será tema de apresentação circense do grupo Cirque du Soleil. O cineasta James Cameron se juntou à companhia canadense para criar o show, que deve estrear antes da primeira das três sequências do hit de 2009.

“Com o passar dos anos, eu descobri a imaginação e os talentos extraordinários tanto dos artistas quanto das forças criativas por trás do Cirque du Soleil”, disse o cineasta em um comunicado. “Eu sei que nós temos o objetivo em comum de trazer ao público outro nível de experiências de entretenimento. Eu estou ansioso para fazer isso neste projeto.”

O espetáculo rodará o mundo no final de 2015, enquanto Avatar 2 chegará aos cinemas em dezembro de 2016. A nova trilogia está, atualmente, em pré-produção. Este projeto marca o primeiro espetáculo da companhia canadense inspirada em um filme. Cameron, por sua vez, já havia colaborado com o Cirque du Soleil na montagem do documentário 3-D Cirque du Soleil: Worlds Away.


Festival de Cinema de Brasília homenageia Eduardo Coutinho e Glauber Rocha



O 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro está com inscrições abertas até o dia 10 julho e, neste ano, vai homenagear o documentarista Eduardo Coutinho e o cineasta Glauber Rocha

O evento, que acontece entre 16 e 23 de setembro, também vai premiar curtas e longas-metragens de todos os gêneros.

“Desejamos nesta edição homenagear a figura de Eduardo Coutinho, punido recententemente por uma tragédia familiar e, seguramente, se não o mais, um dos mais importantes documentaristas do país e cujo marco de vida, como produtor, diretor e realizador é o Cabra Marcado para Morrer. Além da extensa filmografia que ele conduziu, esse é marcante por todo o conjunto de circunstâncias e de história que carrega consigo”, disse o secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira.

O filme, de 1985, é uma narrativa da vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962. As filmagens sobre sua história, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. Após 17 anos, Coutinho retoma o projeto, cujo tema passa a ser o drama da família durante o regime militar.

Eduardo Coutinho, de 81 anos, foi encontrado morto no dia 02 de fevereiro, dentro de casa, no bairro da Lagoa, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Dois dias depois, o filho do cineasta, Daniel Coutinho confessou o assassinato.

O cineasta Glauber Rocha também será homenageado com a exibição de Deus e o Diabo na Terra do Sol. O drama que completa 50 anos é considerado um marco no cinema novo. Gravado em Monte Santo (BA), o filme conta a história do sertanejo Manoel e sua esposa Rosa, que lutam contra a exploração imposta pelos coronéis do sertão nordestino.

Para as mostras competitivas do festival, poderão se inscrever filmes concluídos a partir de 1º de agosto de 2013, que sejam inéditos em Brasília, que não tenham participado de seletivas das edições anteriores do festival e nem obtido prêmio de melhor filme de júri oficial em festivais no Brasil.

Serão escolhidos para concorrer ao troféu Candango seis longas e 12 curtas-metragens. O anúncio dos concorrentes será feito em 30 de julho e o valor dos prêmios soma R$ 610 mil, sendo R$ 250 mil para o melhor filme longa-metragem e R$ 35 mil para o melhor curta.

As atividades do festival serão realizadas no Cine Brasília e em mais cinco cidades do Distrito Federal. Além das mostras competitivas, haverá ainda o festivalzinho, debates, oficinas, lançamentos, entre outras atividades.

O edital e a ficha de inscrição estão disponíveis no site do Festival e da Secretaria de Cultura do Distrito Federal.

Fonte: EBC

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Com números semelhantes aos de 2012, Santuário de Aparecida bate recorde com quase 12 milhões de visitantes



A Basílica de Nossa Senhora Aparecida, também denominada Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, está localizada na cidade de Aparecida (SP) e é o segundo maior templo católico do mundo, menor apenas que a Basílica de São Pedro no Vaticano

A sagração solene se deu em 4 de julho de 1980, por João Paulo II quando ele visitou o Brasil pela primeira vez. Em outra de suas visitas, passando por Aparecida, abençoou o Santuário e, em 1984, a CNBB elevou a Nova Basílica a condição de Santuário Nacional. Localiza-se no centro da cidade, tendo como acesso a "Passarela da Fé", que liga a basílica atual com a antiga, ambas visitadas por romeiros


Os números do Santuário de Aparecida são impressionantes, sob todos os aspectos. Segundo administração, público visitante aumentou 69% nos últimos dez anos, atingindo o ápice em 2013 com 11.856 milhões de romeiros, o que equivale a742 mil peregrinos a mais do que o contabilizado no ano anterior. A mola propulsora que levou ao recorde foi a visita do Papa Francisco em julho, e durante a semana missionária, evento que antecedeu a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Rio de Janeiro (RJ).

Setembro, o mês que antecede os festejos em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, tradicionalmente é o mês onde se o maior número de visitantes, uma vez que, usualmente, os católicos vão ao templo neste mês para evitar a superlotação do mês de outubro, dedicado à Padroeira do Brasil.

Movimento

Depois de setembro, dezembro e novembro tiveram o maior público em 2013. Os visitantes no ano passado são de ao menos cinco nacionalidades. O dia de maior movimento no Santuário Nacional no ano passado foi o feriado de 7 de setembro, com 179.693 fiéis. O dia 15 de setembro registrou 173 mil pessoas e 24 de novembro contabilizou 171 mil devotos, no segundo e terceiro maiores públicos do ano na Basílica, respectivamente.

O público nestas datas foi maior, por exemplo, que o contabilizado na visita do Papa Francisco, ocasião em que 150 mil fiéis foram a Aparecida na primeira missa pública do Santo Padre desde o início do pontificado, em março.

Economia

Com a economia girando em torno do turismo religioso, o comércio de Aparecida registrou em 2013 crescimento entre 8% e 10%, tendo recebido cerca de 80 mil turistas por fim de semana. Em algo sem precedentes, a cidade teve crescimento muito acima da média, mesmo sendo um período de baixa temporada, dando mostras de que a fé é o maior convite que a cidade pode oferecer aos seus turistas.

A exceção da imagem de Nossa Se­nhora Aparecida, que mede apenas 39 cm, os números  que movem o Santuário Na­cio­nal são superlativos. A engrenagem que começou exclusivamente por causa da fé, hoje não pode se desvincular dos números que giram um comércio gigantesco na cidade. Os mes­mos fiéis que de joelhos rogam pela intervenção da Pa­droeira do Bra­sil, movimentam mais de 30 milhões de reais por ano somente no santuário, em doações e compras de objetos religiosos e lembranças. O divino e o profano, a fé e consumismo, se integram em total harmonia na Meca brasileira.

A demanda é realmente gigantesca. Peregrinos de diversas partes do Brasil transformam a Basílica em um formigueiro e eles es­tão em todos os lugares: há filas para visitação à imagem original da san­ta, banheiros, missas, restaurantes, até mesmo para anunciar perdidos e achados. Eles movimentam também a economia da cidade: 99% da população – segundo estimativas da prefeitura da cidade – dependem direta, ou indiretamente, do santuário que é o maior empregador com seus 1.211 funcionários. 

As despesas mensais ficam em 1,5 milhão de reais. Tudo parece seguir a lógica da grandiosidade: o tamanho da Basílica Nova, o maior templo Mariano do mundo, impressiona: 23 mil m2 de área construída em estilo neo-românico e mais 272 mil m2 de estacionamento, com capacidade para abrigar até 40 mil pessoas. Um estádio de futebol de médio porte.

É neste cenário que uma massa de visitantes parece desconhecer a crise econômica, a julgar pelo vai-e-vem dos fiéis por to­das as lo­jas e as sacolas em seus braços, a lógica é que o comércio vai muito bem, obrigado. É possível gastar me­ros 0,50 centavos ou bem mais de mil reais. Há velas a metro para pedidos de orações, uma infinidade de produtos e brinquedos da China, eletro portáteis, ou­tros tantos milha­res de escapulários, terços, orações, e até noivas procurando vestidos de casamen­to.

Muitos argumentam que essa transformação em templo de consumo desvirtuou os propósitos do Santuário que foi idealizado e projetado para se professar a fé, mas os defensores rebatem dizendo que o número de visitantes se avolumou de tal forma que se tornou absolutamente necessário dotar a cidade de uma estrutura que bem atendesse a todos.

Descoberto um autêntico tesouro nazista na Alemanha com obras de mestres como Matisse, Picasso, Chagall, Renoir, Dürer, Beckmann, entre muitos outros



Na Alemanha devastada pela Segunda Guerra Mundial, um grande mistério envolve as obras de arte e as antiguidades roubadas pelos nazistas, cujas pilhagens não tinham como objetivo apenas um desejo de riqueza, mas um desejo de Hitler que buscou criar nada menos que um Reich Sagrado 

As atrocidades cometidas pelo nazismo vão desde o extermínio de pessoas até a existência de verdadeiros tesouros ocultos. Existe um cunho de verdade sobre a existência desses tesouros, mas também muitas lendas que envolvem desde barras de ouro em fundos de lagos a fantásticas somas de dinheiro transportadas para a América do Sul, via Lisboa, sob a tutela de guardiões caninamente fiéis ao Führer.

Na semana em que se “comemora” o 75º. aniversário da Krystallnacht – noite dos cristais, programa contra sinagogas e lojas judaicas – veio à luz o que parece ser, de fato, a descoberta de um autêntico tesouro amealhado a partir da coleta de peças de arte feitas pelos nazistas, inclusive pelo Führer, em pessoa.

A revista Focus foi a primeira a revelar que algum tempo atrás as autoridades policiais haviam descoberto cerca de 1500 pinturas guardadas secretamente na casa de um certo Cornelius Gurlitt, um cidadão que vivia completamente isolado, como um ermitão, sem família nem amigos.

O cidadão chamara a atenção de autoridades alfandegárias ao viajar num trem de Zurique para Munique, em 2010, portando 9 mil euros o que, a rigor, não configura crime, mas o que chamou a atenção foi o fato de Gurlitt, apesar de ser proprietário de um apartamento razoável e levar uma vida aparentemente confortável, não ter conta em banco, nem seguro saúde, nem jamais ter declarado qualquer espécie de renda.

Em uma batida no seu apartamento foram descobertos nada mais nada menos que 1285 quadros sem moldura, 121 com moldura, entre pinturas a óleo, aquarelas, desenhos e litografias, cuidadosamente armazenados e em bom estado, por trás de montes de pacotes tetra de suco e de comida enlatada dos anos 80. Os nomes nos quadros deixaram os policiais e a perícia chamada depois atônitos: Matisse, Picasso, Chagall, Renoir, Dürer, Toulouse-Lautrec, Canaletto, Beckmann, Munch, entre muitos outros. Segundo se acredita Cornelius chegou a vender alguns dos quadros para manter o seu aparentemente bom padrão de vida.

Origem de tudo

Segundo estudos preliminares, tudo começou em 1934, na cidade de Zwickau, onde um diretor de museu perdeu seu emprego por ter ascendência judaica: Hildebrand Gurlitt, o pai de Cornelius. Apesar desta primeira queda em desgraça, Hildebrand conseguiu se recuperar graças a seus conhecimentos no mundo e no mercado de artes. Já nesta época Hitler desejava criar um “Führersmuseum” em Linz, na Áustria, perto de sua cidade natal, Braunau am Inn. Uma das principais seções do museu seria dedicada àquilo que os nazistas consideravam como “arte degenerada”, em geral de modernistas, mas também de judeus, comunistas, e outros seres “indesejáveis”. E Gurlitt tornou-se um dos encarregados de coletar obras para este fim.

No mais puro estilo nazista, as “coletas” eram feitas através de confisco ou de compras – em geral a preço reduzido e estabelecido pelo emissários de Hitler , no caso de obras vendidas, por exemplo, por proprietários judeus que desejavam fugir dos fascistas, muitas vezes literalmente “comprando” a sua liberdade através destas vendas a preços aviltantes. Estas obras assim coletadas foram reunidas provisoriamente num “Sonderauftrag”, na cidade de Dresden, enquanto se esperava a construção do museu em Linz.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a construção do museu foi postergada e depois postergada para sempre, com a derrota dos nazistas. Hildebrand declarou que as obras que ele coletara foram todas transportadas para Dresden, e acabaram destruídas no bombardeio de 15 de fevereiro de 1945, que arrasou o centro da cidade com bombas explosivas e incendiárias. E a coisa ficou por isso mesmo, inclusive porque em 1956 Hildebrand morreu num acidente de carro, deixando o filho, Cornelius, como o único herdeiro.

Agora a descoberta do acervo levanta uma série de questões. A primeira é, obviamente, o que fazer com ele. A questão é complexa. É necessário identificar e catalogar cada obra, para tentar saber sua procedência. Além das compras e dos confiscos forçados – hoje declarados ilegais – também houve “arte degenerada” retirada de museus. No caso de haver herdeiros vivos, a lei alemã e as leis internacionais preveem a devolução das obras. Até o momento, há uma única pesquisadora fazendo este trabalho o que, aliás, é motivo de crítica na mídia alemã e europeia, pois ele deveria envolver uma equipe numerosa para agilizá-lo.

Outra questão é a de levantar se de fato Cornelius vendeu parte, ainda que pequena, das obras que “herdou” do pai, e se este também vendera algo. Se for este o caso, quem comprou? Em que circunstâncias? Dificilmente foram vendas regulares, a operação deve ter sido feita no “paralelo”. Como recuperar estas obras? Haverá como e porque acusar os compradores de crime de receptação?

Finalmente, há a questão do que fazer com Cornelius que, no momento, saiu de sua casa para destino ignorado. Ele está com 80 anos e, além de guardar irregularmente estas obras, apresenta sintomas de alguma perturbação emocional. Consta que enquanto os policiais vasculhavam a sua casa, em 2012, ele ficou fechado num quarto escuro. Seu único comentário teria sido: “vocês poderiam ter esperado que eu morresse. Iriam ficar com as obras de qualquer jeito”.



Referência: Carta Maior

terça-feira, 27 de maio de 2014

Augusto Boal e o Teatro do Oprimido: "Vários outros mundos são possíveis"



O Teatro do Oprimido alia teatro e ação social, prepara o ator com esse viés e busca permanentemente a transformação da realidade através do diálogo, fiel aos fundamentos criados por Boal e inspirado nas ideias de Berthold Brecht – arte - e de Paulo Freire - educação

Nascido no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, Boal escreveu a sua biografia intitulada Hamlet e o Filho do Padeiro – Memórias Imaginadas (Cosac Naif) lançada durante uma manifestação na calçada do prédio onde funcionou o Dops carioca, mês passado, por ocasião da descomemoração dos 50 anos do golpe que instaurou a ditadura civil-militar no país. 

Antes deste segundo volume da coleção que reúne suas obras, no ano passado foi lançado Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. Agora, com a publicação do segundo volume da coleção de trabalhos do célebre teatrólogo Augusto Boal, (1931-2009), o Instituto Augusto Boal se volta para a montagem de uma grande exposição sobre seu trabalho, um dos intelectuais brasileiros mais conhecidos internacionalmente, projetada para se iniciar no dia 13 de janeiro de 2015.
Em seguida, outros três títulos virão, anuncia a psicanalista Cecilia Boal, viúva do teatrólogo e presidente do Instituto Augusto Boal. Ela comenta: ”Há o costume de sempre se falar mais do aspecto do Boal como teórico e homem político, o que de fato é muito importante. Mas seu texto é belo, pouco conhecido e valorizado. Espero que os livros estimulem a descoberta da qualidade dele de escritor, alguém que sentia prazer imenso em usar as palavras, que gostava de brincar com elas e substituí-las por outras quando burilava um texto.” A ação, a militância política através da arte – no caso, o teatro – também era “importantíssima, na vida, na cena e nas intervenções que Boal realizava com as técnicas do Teatro do Oprimido,” observa Cecília.

Outra tarefa em que o Instituto está empenhado é a conservação do precioso acervo de Boal que se encontra na Faculdade de Letras da UFRJ. São quatro mil itens, textos, fotos, DVDs, programas e cartazes que ainda não estão catalogados, mas podem ser consultados mediante agendamento prévio com o Prof. Eduardo Coelho, de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Na opinião da presidente do Instituto Augusto Boal, para quem é importante que o acervo permaneça no Brasil (“ele gostaria que fosse assim”) apesar de inúmeros convites para ser enviado para instituições no exterior, já deveria estar disponibilizado na internet, para consulta de todos. “Como Boal era um homem de esquerda, marxista, engajado nos movimentos populares - preso, torturado e depois exilado no estrangeiro -, é difícil eu aceitar ajuda da iniciativa privada. Tenho o cuidado de respeitar a sua memória. O Banco do Brasil é o Banco do Brasil, como o seu nome indica. E o Ministério de Cultura é um ministério do Brasil. É justo e desejável que sejam eles a se ocupar deste acervo. É o dever e a missão deles. Do Banco do Brasil, da Funarte, do MINC e do MEC.”

Há dois anos, Emir Sader, já se mostrava preocupada com o destino do precioso acervo do marido e falava sobre o interesse da New York University, onde Boal sempre trabalhou, de ter a guarda desse acervo, para “higienizá-lo, catalogá-lo e colocar uma cópia integral na internet, ou seja, à disposição de todos, em qualquer lugar do mundo e de forma inteiramente gratuita.” Cecília lembrava que nessa biblioteca há o setor Tamiment Library consagrado a autores da esquerda e à historia do sindicalismo no mundo. “Acho que o Boal estaria em excelente companhia neste espaço e seria muito bem tratado. Porém, também acho que as histórias que se originaram no contexto de uma determinada cultura pertencem a ela e é ali que devem continuar.”

Já Julián, o filho de Boal, jovem pesquisador do Teatro do Oprimido, se volta para a permanência das experiências do Teatro do Oprimido nos tempos atuais de “Facebook, de reality shows, de democracias participativas esvaziadas”, como ele diz. “O que o Teatro do Oprimido tenha talvez a oferecer agora seja menos um palanque para os oprimidos, um lugar aonde eles possam se expressar, e mais uma prática com a qual se vê o mundo como um lugar transformável. Se no tempo das ditaduras havia um sentido de falar em participação popular, hoje isso não se dá do mesmo modo”, considera Julián.

Com novas formas, o TO continua com os fundamentos criados por Boal e inspirado nas ideias de Berthold Brecht – arte - e de Paulo Freire - educação. Alia teatro e ação social, prepara o ator com esse viés e busca permanentemente a transformação da realidade através do diálogo.

Fonte: Carta Maior

Filme de animação com maior bilheteria na história, “Frozen – Uma aventura congelante” catapulta também as vendas do disco com a trilha sonora



“Frozen” alcançou o top 5 impulsionado pelo enorme sucesso no Japão, onde já é o quarto filme com maior bilheteria em todos os tempos. A Disney estima que, após arrecadar US$ 195 milhões, deve se tornar o terceiro naquele país, ultrapassando “Harry Potter e a pedra filosofal”

Na mesma pegada do filme, a trilha sonora iguala recorde de ‘Rei Leão’ e o disco lidera parada há 10 semanas, vendendo mais de 2 milhões de cópias. Filme ganhou dois Oscar e é animação com maior bilheteria da história.
Mundialmente, o filme agora só perde para “Avatar” (US$ 2,78 bilhões), “Titanic” (US$ 2,18 bilhões), “Os vingadores” (US$ 1,51 bilhão) e “Harry Potter e as relíquias da morte – parte 2” (US$ 1,34 bilhão).

Lançado em novembro nos Estados Unidos e em janeiro no Brasil, “Frozen” ganhou dois Oscar, de melhor animação e melhor canção original, com “Let it go”. A trilha sonora do filme passou 13 semanas não consecutivas no primeiro lugar da Billboard 200. As únicas trilhas sonoras que lideraram a parada por mais tempo até hoje foram as de “Titanic”, com 16 semanas, e “O guarda-costas”, com 20 semanas.

História

A caçula Anna (Kristen Bell/Gabi Porto) adora sua irmã Elsa (Idina Menzel/Taryn Szpilman), mas um acidente envolvendo os poderes especiais da mais velha, durante a infância, fez com que os pais as mantivessem afastadas. Após a morte deles, as duas cresceram isoladas no castelo da família, até o dia em que Elsa deveria assumir o reinado de Arendell. 

Com o reencontro das duas, um novo acidente acontece e ela decide partir para sempre e se isolar do mundo, deixando todos para trás e provocando o congelamento do reino. É quando Anna decide se aventurar pelas montanhas de gelo para encontrar a irmã e acabar com o frio.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Luiz Felipe Pondé: Deus é o maior personagem da literatura ocidental



Amigos que nos acompanham aqui no Artecultural: leitor contumaz das colunas semanais de Luiz Felipe Pondé via web, a matéria abaixo, que julgo uma das mais intensar já escritas por Eliana de Castro, com a qual os brindo aqui nesse espaço.

Euriques Carneiro


Depois de abandonar a medicina prestes a se tornar “Doutor” e trilhar pelos caminhos da filosofia, Pondé afirma estar cada vez mais convicto de que as virtudes essenciais são: humildade, gratidão e esperança
Pela profundidade da sua escrita, a impressão que fica é que as pessoas que decidem ir além na leitura dos textos de Luiz Felipe Pondé – seja em seus livros ou em sua coluna semanal na Folha de S. Paulo – querem ficar diante dele, olho no olho, a fim de confrontá-lo, decifrá-lo ou simplesmente encontrar em sua postura imponente – para começar – a segurança de alguma certeza quanto aos mistérios da vida. Penetrar, verbo interessante, na fortaleza do seu mundo interior também pode ser um desejo, imbuído, sem dúvida, de intenções mais subjetivas.

Essas intenções decorrem tanto da identidade que o filósofo é capaz de gerar em seus leitores quanto da raiva, porque a acidez de seus textos corrói as paredes sensíveis do conjunto de valores de muita gente. A definição “fortaleza” é de segura, não de forte. A porta de entrada está por trás de seus óculos de armação grossa. Seus olhos azuis, despidos, em algum momento revelam o personagem polêmico além de suas ideias politicamente incorretas.

É o que, por exemplo, acontece em seu dia a dia na FAAP ou na PUC. Pondé é amado por seus alunos e por quem convive com ele de perto. Não como a unanimidade burra, conceituada por seu ídolo Nelson Rodrigues, que homenageia no seu último livro “A Filosofia da Adúltera – Ensaios Selvagens”, publicado pela Editora LeYa. Luiz Felipe Pondé é o próprio contraponto: contrasta e complementa, é ateu e apaixonado por Deus. Aos 55 anos, é casado, pai de dois filhos, e um dos pensadores mais influentes do país.

Visceral, o semideus também se emociona. E alguns segundos de vulnerabilidade podem ser notados se algo da natureza humana se dissolver à sua frente. Sua vocação de provocar a alma é alimentada pela solidão, pela descrença e pela melancolia. É a composição da sua sensibilidade, escondida na ironia deliciosa de suas sentenças. Se o filósofo midiático se esconde atrás de seu cachimbo e ri da fúria de seus leitores, quem sabe? Ele está seguro em sua fortaleza. Instigante, pela beleza do seu vazio.

Eliana de Castro

Com muita pretensão e pouco conteúdo, “Trem noturno para Lisboa” ficou devendo como thriller filosófico




O filme do dinamarquês Bille August “Trem noturno para Lisboa” é bem feito, conta com bela fotografia, com um buquê de estrelas notáveis que certamente vai arrastar multidões, mas está longe da pretensão de ser um thriller filosófico
O marketing não descansa na operação incessante de adequar a cabeça do mundo ao consumo de massa, de qualquer produto, bom ou de má qualidade. Em geral, através de slogans até ridículos. Trem Noturno para Lisboa está sendo vendido no “mercado” como um thriller filosófico, muito mais que uma peça de entretenimento.

O próprio realizador, o dinamarquês Bille August, já premiado com o Oscar de filme estrangeiro - Pelle, o conquistador - e duas vezes Palma de Cannes pela mesma produção e por Melhores intenções, batizou assim sua mais recente obra, ano passado, quando terminou as filmagens e perguntaram a ele de que se tratava esta adaptação do livro homônimo do suíço Pascal Mercier, professor de filosofia em Berlim, com mais de dois milhões de exemplares vendidos na Europa e chegando agora ao Brasil. Filme e livro em operação conjunta de venda e de marketing, destinada a faturar pesado no “mercado”.

A bela Lisboa das mil arquiteturas, gótica, neomourisca, manuelina e pombalina, art nouveau, neoclássica, e por isto mesmo fora do tempo, é o belo cenário para a história do velho e desinteressante professor universitário de latim e grego da monótona cidade de Berna, na Suíça - Raimund Gregorius vivido pelo ator Jeremy Irons. Em um arroubo inexplicável, depois de viver um encontro inquietante no alvorecer de um frio dia de inverno, caminhando para dar uma aula, Gregorius larga tudo e embarca em um trem que o leva a Portugal. Busca viver emoções fortes e inéditas. Inicia assim uma “viagem ao encontro de si mesmo”, como diz um personagem, repisando o clichê.

A jornada o levará ao Portugal revivido de meio século atrás, fim da ditadura de Salazar e descrito em um livro, 'O Ourives das Palavras', de autoria de certo médico já morto, Amadeu de Almeida Prado, que por acaso lhe cai nas mãos e o perturba.

Logo no começo do filme a epígrafe é a frase, permanente, do imperador filósofo romano Marco Aurélio, um dos mestres preferidos de Gregorius: “Pensamento e ação são uma coisa só”. Faltava ao velho professor incorporá-la à razão intelectual, o que vai ocorrendo ao longo do filme (e do livro) através dos encontros mantidos durante a viagem com personagens que conviveram com Prado. Através deles o protagonista desenha o mosaico da vida aventurosa do médico em que a traição é o eixo.

Trem noturno para Lisboa é bem feito, conta com bela fotografia, com um buquê de estrelas notáveis – além de Irons, Bruno Ganz, Charlotte Rampling, Lena Olin, Tom Courtnay, Christopher Lee que se misturam a jovens atores e atrizes mais ou menos competentes -, sua trilha musical é correta, a direção de arte excelente. Tudo se encaixa para resultar nesta coprodução internacional realizada com dinheiro alemão, suíço e português.

No filme, que achata o argumento, o fim fica em aberto. O final do livro, ao contrário, é fechado e menos comercial. Mas a jogada é de mestre: manipula o desejo do espectador de comprar o livro e do leitor de assistir ao filme. Operação casada quase irresistível e onde todos ganham muito dinheiro.

Trem noturno para Lisboa vai arrastar multidões. É cinema de entretenimento de fim de semana com certo bom gosto. Não chega ao mínimo do “não penso, não existo, só assisto”. Pode até provocar. Quem tem coragem de encerrar a existência medíocre, chutar a segunda-feira do dia seguinte e se lançar no risco da grande vida? Os existencialistas refletiram melhor sobre o assunto. Talvez Umberto Eco escrevesse também melhor – como aliás fez - para um thriller filosófico.

domingo, 25 de maio de 2014

EUA devolve ao Brasil obra confiscada do banqueiro Edemar Ferreira



O quadro "Composition abstraite", do pintor russo Serge Poliakoff, foi entregue ao governo brasileiro durante uma cerimônia em Nova York. A obra, de valor estimado de U$ 400 mil, era procurada no processo por lavagem de dinheiro contra o ex-presidente do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira

O banqueiro foi acusado de lavagem de dinheiro depois da quebra da instituição em 2005 e condenado a 16 anos de prisão em 2006. A justiça brasileira ordenou o resgate de bens do acusado, ávido colecionador de arte.

Como várias pinturas não foram encontradas nas propriedades e nos escritórios do ex-presidente do Banco Santos quando foi feita a apreensão de bens, as autoridades brasileiras formularam um pedido internacional através da Interpol. Segundo a justiça brasileira, Edemar Ferreira utilizava o mercado de arte para suas operações de lavagem de dinheiro.

De acordo com a fiscalização dos Estados Unidos, a pintura de Poliakoff, adquirida por Ferreira em um leilão em 2004, na Suíça, por 378 mil dólares, entrou ilegalmente no país em dezembro de 2006, junto com outras duas telas, em um carregamento procedente da Holanda.

Acervo milionário

Em 2010, um quadro de Roy Lichtenstein e outro de Joaquin Torres-Garcia, cujos valores somavam aproximadamente U$ 4 milhões, foram repatriados graças a um pedido de cooperação jurídica internacional realizado pela Secretaria Nacional de Justiça.

Muito mais que o preço do quadro, o mais importante é o valor artísitico que ela representa e que passa a compor o acervo nacional. O mundo das artes agradece.

Leilão em Nova Iorque evidencia a arte latino-americana que pode alcançar valores inéditos para as obras

Uma das obras de Botero no leilão em NY

Destaques do leilão são, estarão à venda trabalhos do Joaquín Torres-García, como "Composition TSF", de 1931, que a Christie's estima que possa ser vendido por um valor entre 1 milhão e 1,5 milhão de dólares e ainda o seu "Grafismo Infinito", de 1937, que a Sotheby's avalia em cerca de 800 mil dólares

Estão cotados como os principais itens do leilão de arte latino-americana em Nova York na semana que vem, um retrato de família do pintor colombiano Fernando Botero e uma representação da turbulência psicológica feita pelo pintor chileno Roberto Matta.

O principal item do lote no conjunto da Christie's para a venda de quarta-feira é "Homem indo para o Trabalho", feito por Botero, em 1969, é com uma estimativa pré-venda no valor de 1,8 milhão de dólares. "Morfologia Psicológica", de Matta, pode alcançar até 3,5 milhões de dólares num leilão de dois dias da Sotheby's, na quarta e quinta-feira.

A arte latino-americana estão representada nos leilões que acontecerão depois das vendas de arte contemporânea e do pós-guerra no começo do mês, nas quais uma pintura abstrata de Barnet Newman chamada "Black Fire I" foi vendida por 84,2 milhões de dólares, um novo recorde em leilão para o artista, e "Six Self-Portraits", de Andy Warhol, foi vendida por 30,1 milhões de dólares.

A iniciativa põe em evidência trabalho de artistas latino-americanos cuja arte não costuma ter a merecida visibilidade nas grandes casas de leilões da Europa e dos Estados Unidos.

Luiz Gonzaga & Zé Dantas: uma das mais profícuas parcerias da música nordestina



Autor de grandes sucessos gravados por Luiz Gonzaga, Zé Dantas fala da parceria com o Rei do Baião na contracapa do disco “Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zé Dantas”, gravado há mais de cinco décadas
Amigos que nos acompanham aqui no Artecultural: fazendo uma releitura do material ao qual tive acesso desde 1988, quando comecei a estudar a vida e a obra de Luiz Gonzaga, tive o prazer de reler o texto com o qual Zé Dantas brindou os adquirentes do disco “Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zé Dantas”, gravado em 1958, o qual reproduzo abaixo para alegria dos admiradores da cultura nordestina.

José de Souza Dantas Filho, ou simplesmente Zé Dantas, pernambucano de Carnaíba das Flores, viveu muito pouco (1921/1962), mas teve o pontapé inicial da sua carreira de compositor quando conheceu no Grande Hotel, no Recife, o cantor e compositor Luiz Gonzaga, que se encontrava em temporada. 

Zé Dantas mostrou para Luiz Gonzaga uma espécie de “Asa Branca – O retorno”: "A Volta da Asa Branca". Gonzaga gostou da música e de outras como as composições "Acauã", "Vem morena", e "Forró do Mané Vito", que logo se tornariam grandes sucessos na voz e na sanfona do "Rei do Baião".

A princípio, Zé Dantas pediu a Luiz Gonzaga, que resolveu gravar suas composições, para não colocar seu nome nas músicas, pois seu pai, um usineiro extremamente austero, não gostaria de saber que ele, um futuro doutor, estivesse metido em negócios de música e certamente cortaria a mesada que o mantinha de forma bastante confortável no Rio de Janeiro. Por isso chegou a permitir que Luiz Gonzaga as registrasse no próprio nome, já que seu interesse principal era vê-las gravadas.

Euriques Carneiro

O texto abaixo foi escrito por Zé Dantas na contracapa do disco “Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zé Dantas”, gravado no final da década de 50 e um dos marcos da carreira do Rei do Baião.

“Por simpática iniciativa da RCA Victor, o presente Long Play contém exclusivamente músicas minhas em coparceria com Luiz Gonzaga. Este preito de homenagem tornou-se para nós tanto mais significativo quando o intérprete escolhido foi o próprio Luiz Gonzaga, cantor de inimitável autenticidade folclórica, já com seu nome reservado à posteridade pelo registro sério de tratadistas nacionais e estrangeiros, e a nós ligado por profundos laços afetivos e artísticos.

Em 1947, conhecemos Luiz Gonzaga em Recife, na residência de um amigo comum, onde havia uma festa íntima. Luiz puxando o fole da sanfona, com sua voz nasalada de tenor caboclo, cantava toadas sertanejas que nos faziam evocar com emoção o longínquo Riacho do Navio e nos levavam às margens do Pajeú das Flores. O autor destas “mal traçadas” contava “causos” e cantava loas aprendidas no chão batido dos forrós à luz mortiça dos candeeiros. A identidade de vocação artística nos dispensou apresentação, a surpreendente coincidência de motivação nos tornou amigos e a música nos fez parceiros.
Desde então, baseados no sincretismo musical das melodias ibérica, ameríndia e gregoriana, que deu origem à música sertaneja, apoiados no ritmo da viola e firmados no pitoresco linguajar caboclo, temos divulgado os costumes, a arte e a vida social do homem nas caatingas do nordeste brasileiro.

Hoje, já com uma centena de músicas publicadas, a RCA Victor gentilmente pediu-nos que escolhêssemos doze dos nossos maiores sucessos para a presente seleção, dando-me ainda a liberdade de comentá-los. Assim, com o nosso agradecimento à RCA Victor, passaremos em desfile as músicas contidas neste LP.”

Deixando de lado a modéstia, Maria Rita afirma: "Ninguém faz o repertório de Elis Regina tão bem quanto eu"



Cantora lança "Coração a Batucar", disco dedicado ao samba, celebra a sublime emoção de contar com a participação do filho de 9 anos no álbum, comenta a polêmica das biografias e responde a críticas e filosofa “Acredito que a função do artista é falar, fazer pensar"

"Usei das minhas amizades dentro do universo do samba", diz a cantora em recente entrevista, explicando seu principal critério de pesquisa para montar o repertório do álbum, da qual também é produtora."Amigo é pra essas coisas", diz o título do samba de Silvio da Silva Jr. e Aldir Blanc. Pois foi com esse mesmo espírito que a cantora Maria Rita selecionou outros 13 sambas em seu novo disco, "Coração a Batucar", o segundo de sua carreira integralmente dedicado ao gênero.

Gravado de maneira mais orgânica, "quase ao vivo" no estúdio, o novo trabalho conta com a guitarra do marido, o músico Davi Moraes, que subverte o atual padrão de registro de canções do gênero por conta do uso do instrumento. "Mais do que talentoso, ele é meio camaleão no tocar. Tem hora em que tem a pegada do violão de João Gilberto, tem hora que ele toca como um cavaquinho e tem hora que toca como percussão", descreve Maria Rita ao analisar o lado multifacetado do companheiro.

A cantora revela outros detalhes sobre a gravação de "Coração a Batucar" (que traz ainda a luxuosa e afetiva participação do filho Antonio, de 9 anos), fala sobre a experiência da turnê dedicada ao repertório de Elis Regina, sobre a polêmica das biografias e comenta declaração do novelista Agnaldo Silva, que disse que não quer ouvi-la cantando a música de mesmo nome de sua próxima novela, "Falso Brilhante", "imitando a mãe": “Sim, fiquei sabendo por meio de um fã. Mas eu não tenho nada a falar sobre isso. Não vou ficar rebatendo agressividade gratuita. Só aponto um equívoco: 'Falso Brilhante' não é o nome de uma música, e sim de um espetáculo e de um álbum de minha mãe”.

Maria Rita está com a turnê do disco "Coração a batucar" a São Paulo, na sexta-feira (23), no Citibank Hall e repete a apresentação no sábado (24). Nos dias 30 e 31 de abril é a vez de o Rio ver o novo espetáculo de Maria Rita, no Citibank Hall carioca.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Um dos maiores mitos do cinema em todos os tempos, Sophia Loren lança curta do filho em Cannes 2014 e recebe justa homenagem




Perto dos 80 anos, Sophia Loren fez sua grande participação no Festival de Cannes 2014 na manhã da última quarta-feira (22). A atriz apresentou o Cannes Classics, que exibe filmes antigos e obras-primas da história do cinema em cópias restauradas, brincou com câmera de fotógrafos e ganhou aplausos ao falar em francês


Perto de completar 80 anos – ela faz aniversário em 20 de setembro –, Sophia Loren se mostrou cheia de energia em Cannes, onde é a convidada de honra da 67ª edição na seção Cannes Classics. A participação celebra os 50 anos de um de seus filmes mais emblemáticos, "Matrimonio all'italiana", de Vittorio de Sica, que tem ainda Marcello Mastroianni. Um filme que a atriz tem "verdadeiramente no coração", segundo afirmou em francês depois de o delegado-geral de Cannes, Thierry Frémaux, dizer que podia se expressar em italiano e ser traduzida em francês por seu filho Edoardo.

A atriz italiana Sophia Loren apareceu no Festival de Cannes, na França, onde apresentou um curta-metragem. Ela recebeu uma pequena homenagem e demonstrou que continua sendo uma personalidade. Sophia falou com jornalistas, nesta terça e quarta (21), e posou para fotos ao lançar o filme "La voce umana", de seu filho Edoardo Ponti.

"Por quê? Eu posso falar francês", disse a atriz, provocando risos do auditório. "Matrimonio all'italiana" é um filme que Sophia Loren fez com dois dos homens mais importantes de sua carreira cinematográfica – De Sica, com o qual colaborou em oito filmes, e Mastroianni, seu "grande amor do cinema e da TV".

Após a exibição, foi apresentada a cópia restaurada de "Matrimonio all'italian"', um retrato certeiro da hipocrisia da sociedade italiana dos anos 1960. Sophia Loren interpreta uma prostituta, Filumena Marturano, que é tirada da rua por um rico napolitano, Domenico Soriano (Mastroianni) que, por acreditar que tem pouco de vida, lhe propõe casamento.

Uma das interpretações mais conhecidas de uma atriz que foi a primeira a ganhar um Oscar por um papel em que não falava inglês, "Duas mulheres" também lhe valeu o prêmio de interpretação de Cannes de 1961.

Ela tem uma longa história com o festival francês. Além do prêmio, foi presidente do júri da competição oficial em 1966 e apresentou oito filmes em diferentes seções desde 1955. A homenagem de Cannes à italiana foi encerrada com uma palestra magistral da atriz.

Humberto Teixeira fala da sua parceria com Luiz Gonzaga em entrevista concedida a Nirez, em 1977




Aqui no Artecultural, venho escrevendo sobre a vida e a obra do meu maior ídolo, Luiz Gonzaga, há mais de dois anos, exatamente o tempo de existência do blog. Garimpando na internet, encontrei o escrito abaixo: uma lúcida e, ao mesmo tempo emblemática entrevista de Humberto Teixeira, em meados da década de 70

Euriques Carneiro

Todos sabem que o advogado cearense Humberto Teixeira foi o compositor que mais influenciou a carreira de Gonzagão, tendo musicado inúmeras letras de autoria do Nordestino do Século e outras que povoavam o imaginário popular nordestino na primeira metade do século passado.

Humberto Teixeira é entrevistado por Miguel Ângelo de Azevedo, mais conhecido como Nirez, jornalista, historiador e desenhista técnico aposentado, além de um dos mais respeitados pesquisadores da música popular do Brasil:

“Nirez - Como foi esse contato com Luiz Gonzaga?

Humberto Teixeira - O Luiz Gonzaga, tal como eu, como Lauro, estava fazendo os primeiros sucessos dele com a “Mula Preta”, com “Xamego”, com as músicas que ele fazia com o Miguel Lima. Mas a vontade do Luiz era lançar a música do Norte, como ele chamava. Ele não dizia no Nordeste. Ele procurou o Lauro Maia e o Lauro disse: “Olha rapaz. Esse negócio de campanha, isso me apavora.
Eu sou um homem indisciplinado, eu não guardo coisas nem compromisso de um dia pro outro. Acho mais interessante você procurar meu cunhado Humberto Teixeira. Ele também é compositor. Ele é mais organizado”. Um belo dia, estou no meu escritório de advogado lá no Rio, quando me procurou o Luiz Gonzaga. Ficamos, naquela tarde, de quatro e meia até quase meia-noite, nesse primeiro encontro. 

Naquele dia nós chegamos a duas conclusões muito interessantes. Uma delas é que a música ou o ritmo que iria servir de lastro para nossa campanha de lançamento da música do Norte, a música nordestina no Sul, seria o baião. Nós achamos que era o que tinha características mais fáceis, mais uniformes. 
Naquele mesmo dia nós fizemos os primeiros versos, discutimos as primeiras ideias em torno da “Asa Branca”, que só dois anos depois foi gravada. 

No dia em que gravamos, com o conjunto de Canhoto, ele disse assim: “Mas, puxa, vocês depois de um negócio desses, de sucessos, vêm cantar moda de igreja, de cego, aqui? Que troço horrível!”. Aí então, eles com um pires na mão, saíam pedindo, brincando, uma esmola pro Luiz e pra mim dentro do estúdio. Mal sabiam eles que nós estávamos gravando ali uma das páginas mais maravilhosas da música brasileira. 

Três dias depois do primeiro encontro com Luiz Gonzaga já fizemos, de pedra e cal, o primeiro baião que se gravou em todo o mundo: “Eu vou mostrar pra vocês/ Como se dança o baião/ E quem quiser aprender/ É favor prestar atenção...” Eu me sentia como se estivesse com bitola, aquela coisa toda pinicadazinha, cortada, sujeita àquele ritmo quadrado. Logo depois descobrimos que podíamos deixar o ritmo solto e extravasar nosso lirismo. Depois veio “Juazeiro”, veio “Xanduzinha”. 

Era o início de centenas de músicas que fizemos juntos. Muita gente hoje pergunta como é que eu me deixei ofuscar, me ocultar tão inteiramente assim à sombra do prestígio fabuloso que o Luiz granjeou, sobretudo no que diz respeito à autoria. Principalmente depois do processo de mitificação de Luiz Gonzaga, da redescoberta que a onda baiana fez em torno dele, muita gente diz que eu sou o letrista das músicas de Gonzaga. 

Não existe isso. Muitas delas são minhas integralmente. Letra, música e tudo. Como outras são do Luiz. O baião, se tivesse sido feito só por mim, continuaria sendo apenas um negócio inédito, ao passo que com o Luiz ele se tornou esse marco extraordinário dentro da música popular brasileira marcando uma década de sucessos fantásticos. 

De 47 a 57, quer queiram, quer não, os documentos, a história dos suplementos, das fábricas, as gravadoras, o rendimento autoral das sociedades, tudo era feito em torno do baião. O Luiz, por exemplo, tem uma mágoa que você não pode avaliar em torno disso. Os aprendizes de historiadores da música popular brasileira pulam de 47 pra Bossa Nova. 

Eles falam da música brasileira, o choro, a parte do choro, a parte daquilo, a parte da Bossa Nova, a parte da Tropicália e não sei o que mais. E o baião não existe? Por que querer botar uma esponja em 10 anos de sucesso? O Luiz foi um pioneiro em vários aspectos. Veja você que quando os cantores, os compositores se apresentavam de smoking, de terninho e gravatinha, o Luiz já vinha de talabarte, chapéu de couro e tudo. Pra mim o Luiz Gonzaga foi o primeiro hippie da música popular brasileira.”

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Pontos de Cultura pedem aprovação da Lei Cultura Viva



O projeto, que institui o Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania, já passou pela Câmara dos Deputados e aguarda apreciação do Senado Federal, onde está desde outubro de 2013

As reivindicações serão apresentadas por meio da Carta de Natal, um documento com a síntese dos encaminhamentos das discussões feitas por 3 mil integrantes do Cultura Viva nos dois primeiros dias do evento.A plenária no 4º Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, espaço de articulação política do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, terminou nesta terça-feira (20) com a definição das principais propostas que serão apresentadas à ministra Marta Suplicy.

A principal reivindicação dos pontos de Cultura é a aprovação do Projeto de Lei Cultura Viva (PL 757/2011) de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). O projeto, que institui o Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania, já passou pela Câmara dos Deputados e aguarda apreciação do Senado Federal, onde está desde outubro de 2013.

"Com a aprovação da Lei Cultura Viva temos a possibilidade real de transformar uma política de governo em uma política pública de Estado", considera Teotônio Roque, integrante da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e delegado dos pontos de Cultura do Rio Grande do Norte.

Fonte: EBC

O mago da fotografia Sebastião Salgado é o homenageado de “O sal da terra”, presença brasileira em Cannes 2014

Sem películas brasileiras na Seleção Oficinal, sobrou apenas a participação do longa-metragem O sal da terra, uma coprodução entre França, Itália e Brasil que celebra o trabalho do renomado fotógrafo Sebastião Salgado, dirigido pelo alemão Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião

O filme é um dos melhores da Mostra Um Certain Regard foi, com justiça, incluído na seleção deste ano e como já se encontra na reta final do festival, não deve aparecer coisa melhor para levantar a qualidade que supere o trabalho de nacional.

A sessão de O sal da terra foi das mais concorridas, mas não contou com a presença de Sebastião Salgado nem de sua mulher, a também fotógrafa e produtora editorial Lélia. Wenders e Juliano fizeram a apresentação de praxe, só com os costumeiros agradecimentos. Mas, no final da projeção, foram bastante recompensados com uma ovação de mais de cinco minutos.

Um ícone na arte de fotografar
Tantos são os trocadilhos possíveis de se aplicar ao seu sobrenome. Como infinitas parecem as possibilidades que o talento desse homem coloca diante de nós, observadores. Magníficas imagens que abrem diante de nossos olhos outros mundos. E a nós, que escrevemos, fica o privilégio de rascunhar sobre ele. O próprio tempero. O que satisfaz o olhar ávido de representações sensíveis. O sal da terra. Sebastião Salgado. O talento de captar imagens tão chocantes, e belas. Recém completado 70 anos, Sebastião Salgado é a própria definição de sua terra, Aimorés. A parte de Minas Gerais mais quente. O nosso olhar mais árido.

A primeira grande escolha de Salgado foi pelos números. Nascido em 8 de fevereiro de 1944, aos 19 anos foi para São Paulo cursar a faculdade de economia da USP. Assim, seguiu até 1967, quando conheceu Lélia Deluiz Wanick, que logo se tornou sua esposa – como permanece até hoje, sendo uma figura tão importante na trajetória de Salgado como o seu próprio talento. Juntos, lutaram contra a ditadura militar. Sebastião e Leila foram amigos de Marighella. Mas a carreira no Brasil não poderia seguir com sucesso com tamanha censura – e pensando de maneira tão contrária. O casal, então, foi embora para Paris, em 1969. E Sebastião escreveu uma tese em ciências econômicas. Mais inverso impossível à veia artística que ainda não havia surgido, mas que não tardaria.

Experimentando um novo viés na sua carreira, ele foi como secretário para a Organização Internacional do Café, em Londres e seguiu viajando. Na África, realizou sua primeira sessão de fotos funcionando como um amor à primeira vista e, em 1973, o mineiro se apresentava como fotojornalista. Hoje, aos 70 anos, não há prêmio que ele não tenha recebido, de todas as renomadas instituições do mundo, tendo passado por grandes agências mundiais como a Sygma, a Gamma e a Magnum.

Desde 1994 Salgado mantém a Amazonia Imagens. Ela que concentra sua obra e dirige sua carreira, sempre sob o olhar meticuloso de Lélia que cuida da carreira do fotógrafo com uma dedicação ímpar. Se tivermos que procurar a palavra a mais adequada para descrever sua missão, se assim podemos chamar, seria 'dignidade'. Sem pretensões religiosas, a missão do casal inclui o fazer artístico que derruba fronteiras e é capaz de levar novas maneiras de interpretar conceitos velhos e de fazer repensar esses próprios velhos conceitos.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

“Chronos “ e “Kairós”: é impossível compreender esse pensamento sem mergulhar e entender um pouco da cultura em que tudo isso foi escrito e tratado



O lado controverso do tempo: quando vamos falar sobre tempo, devemos ter o cuidado de especificar sobre o que estamos querendo abordar, já que a compreensão sobre esse tema é muito mais abrangente do que imagina a nossa vã filosofia. A língua grega tem uma riqueza de termos com os quais se expressa a experiência do tempo e temos que focar o entendimento Kairós e Chronos sob o prisma 

Mitologicamente falando, Chronos era um titã que se tornou senhor do céu após destronar seu pai (Urano) e, a partir desse acontecimento, os titãs passaram a governar o mundo. O mito do Chronos ilustra temas como envelhecimento, mudança entre outros elementos relacionados ao tempo. Chronos personificava o senhor do tempo, aquele que tudo devora; “Chronos devora ao mesmo tempo que gera”, essa é uma alusão ao mito que ele devorava todos os filhos assim que deixavam o ventre sagrado da mãe.

De acordo com a mitologia ele temia uma profecia segundo a qual seria tirado do poder por um de seus filhos pois não queria que ninguém lhe sucedesse, além dos próprios filhos devorava os seres e o destino, Chronos deu origem a palavra cronometro do nosso relógio que regulamenta o nosso tempo.

Kairós por sua vez representava o oposto, era descrito como um jovem que não se preocupava com o relógio, calendário e o tempo cronológico. Kairós era representado por um jovem que sempre estava nu, de asas nos ombros e nos tornozelos, tinha mechas de cabelo caindo sobre a testa, mas a sua nuca é calva. 

Isso representa o carálos (cabelos) em sua passagem por nós e, uma vez tendo passado, é impossível alcançá-lo (não tem caráter instantâneo de sua apreensão: ele só pode ser pego (agarrado pelos na nuca por onde possa ser puxado de volta), Kairós tem numa das mãos uma balança. A balança é símbolo do equilíbrio e da justiça: Kairós, embora veloz, não ultrapassa a medida.

Vimos que bem antes do cristianismo a ideia de tempo (Kairós e Chronos) era utilizada pelos filósofos gregos, a começar por Hesíodo (+ ou - 750 e 650 a.C) - poeta e um dos pais da cultura grega.

Segundo a tradição, ou para muitos apenas uma lenda, Ptolomeu II Filócrates (287-247 a.C.), rei do Egito, pediu que fosse traduzido a lei dos Judeus para o grego, para assim enriquecer a biblioteca de Alexandria, já considerada centro intelectual da época, para isso foram convocados 72 sábios Judeus, e assim a tradução foi concluída em 72 dias, dando nomenclatura ao titulo.

Tendo a tradução do velho testamento para o grego, estratificou-se a ideia do conhecimento de tempo já empregado na mesma.

“Tudo tem o seu Chronos determinado, e há um Kairós para todo propósito” – existe um tempo cronológico dentro do qual vivemos, e dentro dele um momento oportuno para que se cumpram os propósitos.

Assim, fica clara a ideia de tempo no entendimento baseado na cultura grega que era uma forma comum de passar o conhecimento para que o povo a qual estivesse destinado conseguisse entender.