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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Estreia de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" completa 50 anos



Filme de Glauber Rocha chegou às telas uma semana após o golpe de 64, e representou o Brasil no Festival de Cannes, na França. A obra, que retrata o cangaço e a vida no sertão nordestino, teve grande impacto sobre o cinema brasileiro, que sofreu com a censura durante a ditadura militar 

Produzido em 1963 e lançado no ano seguinte, Deus e o diabo na terra do sol foi o primeiro filme nacional a atingir o patamar das obras-primas da cinematografia mundial. Estava anos-luz à frente de O Cangaceiro e O pagador de promessas, cuja (pouca) repercussão internacional se devera à condescendência dos gringos para com os exotismos de países subdesenvolvidos.

O que se espera é que a comemoração do seu aniversário seja marcada por muitas iniciativas para despertar o interesse das novas gerações. Elas precisam saber quão consistente e criativo o cinema brasileiro foi, antes de se subjugar à estética televisiva.

O superlativo nordestern de Glauber Rocha, influenciado por John Ford, Sergei Eisenstein e os mestres do neo-realismo italiano, acompanha a jornada do vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) em busca de um novo destino, pois saíra do trilho normal de sua existência ao matar o coronel da região numa desavença a respeito da partilha do gado.

Engaja-se nos efetivos messiânicos de Deus (o santo Sebastião, interpretado por Lídio Silva e evidentemente baseado em Antônio Conselheiro) e do diabo (o cangaceiro Corisco, personagem que deu oportunidade a um incrível tour de force de Othon Bastos, disparado o melhor ator do elenco).

As autoridades, os latifundiários e a Igreja recorrem ao jagunço Antônio das Mortes (Maurício do Valle) para exterminar os beatos do Monte Santo (Canudos, claro!) e os cangaceiros remanescentes após a morte de Lampião.

Gigantesco, com capa de boiadeiro e barba cerrada, ele aluga sua papo amarelo calibre 44 para os poderosos, mas acredita estar cumprindo um papel mais nobre: o de desimpedir os caminhos para a guerra que um dia o povo haverá de travar "sem a cegueira de Deus e do diabo".

Manuel sobrevive a ambos os massacres e sai com a convicção de que a libertação do sofrido povo nordestino não passa por cangaceiros e fanáticos, como enfatiza a magnífica canção final de Sérgio Ricardo: "'Tá contada a minha história/ na verdade, imaginação,/ espero que o sinhô tenha tirado uma lição:/ que assim, mal dividido, este mundo anda errado,/ que a terra é do homem, não é de Deus nem do diabo".

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