terça-feira, 22 de abril de 2014

Em uma bela lição de desprendimento e solidariedade, brasileiros ajudam a reerguer Valparaíso



Em meio aos destroços deixados por um impressionante incêndio, eles tentam reanimar a cidade chilena se viu diretamente afetado pela tragédia e um exemplo fantástico vem da família da professora brasileira Lucinha Siqueira, que vive no Morro Merced, a poucos metros do Morro La Cruz, um do mais arrasados pelas chama

Ajuda brasileiraValparaíso despertou especialmente solidária na segunda-feira (14/04). As ruas cheias como nunca, apesar do cheiro das cinzas que se sente por toda a cidade, é comum encontrar pessoas levando sacolas cheias de roupas, mantimentos, galões d´água e até mesmo pás. Algumas iam aos albergues, ou às praças da cidade transformadas em acampamento. Outras iam para os morros, ajudar na retirada dos escombros.

Na Praça O´Higgins, ao lado do Congresso Nacional, outro grupo de estudantes utiliza um microfone para passar informação para as pessoas sobre gente desaparecida e tentar colocar ordem na improvisada ajuda. “Pessoal, o albergue da Escola Grécia diz que já tem roupa de adulto suficiente, pedem que tragam produtos de higiene pessoal, que é muito pouco o que chegou até agora”, apela um dos jovens.

Do outro lado da rua, em frente ao Teatro Municipal, uma cooperativa de micro ônibus disponibilizou os veículos para levar as pessoas gratuitamente às zonas afetadas. Os veículos saem lotados, e com vários jovens cantando “Valparaíso Puerto Principal”, uma famosa canção que homenageia a cidade, nesses dias transformada em hino.

Entre os poucos que vivem em Valparaíso, nenhum deles se viu diretamente afetado pela tragédia, exceto a família da professora brasileira Lucinha Siqueira, que vive no Morro Merced, a poucos metros do Morro La Cruz, um do mais arrasados pelas chamas. A noite de sábado foi especialmente tensa para ela, os filhos e os sobrinhos, que tentaram de todas as formas bloquear o avanço das chamas, que chegaram a menos de 200 metros da casa.

Outra brasileira que participa ativamente da ajuda aos danificados é a enfermeira Eliane Ribeiro. Ela trabalha no Hospital Municipal de Valparaíso, e agora faz parte de uma missão organizada para ir aos morros afetados, para atender as pessoas que se recusam a abandonar suas casas. “Algumas têm medo de que o que não foi queimado, seja roubado. Não sei se isso é melhor, porque o hospital já está em colapso, mas dividir o pessoal tendo tanta gente pra atender lá também é complicado”, conta ela.

Perto de onde parte a van que leva a equipe de enfermagem de Eliane, o G.R.E.S. Valparaíso, uma escola de samba organizada por chilenos amantes da cultura brasileira, reúne alimentos e produtos de limpeza, como tantas outras organizações civis que estão ajudando.

Na Praça Itália, próximo ao grupo onde Marisol Jara e seus colegas atendem animais feridos, dois brasileiros deixam mantimentos que compraram em um supermercado próximo. Eles são Simone e Fernando, um casal em lua-de-mel, que havia planejado passar o fim de semana na cidade.

Andando pelos centros de ajuda na parte plana, ou nos morros onde está o trabalho com os escombros, em todos os lugares estão as camisetas verdes clube. Em um acampamento da Praça O´Higgins está a família Moya, junto com cerca de 50 outras famílias. Em frente à barraca foi fincado um mastro, onde flamula uma bandeira do Santiago Wanderers. O estivador Marcelo Moya divide a barraca com sua esposa, filhos e um cunhado, todos vestidos com a camisa do clube, e se emociona ao ser perguntado sobre a razão disso.

“O Wanderers é Valparaíso, ele representa a gente. Escreve aí pro seu jornal: Valparaíso vai se levantar, porque as pessoas daqui não abandonam a cidade. A gente vai lutar por essa cidade”, afirma, batendo no peito com força e segurando o distintivo. Talvez sinta que esse é o campeonato mais importante da sua história.

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