terça-feira, 29 de abril de 2014

Os horrores de uma guerra são expostos em Paris por artistas sírios



Denominada 'E ainda assim criar! Síria: a fé na arte' a exposição pode ser visitada no Institut des Cultures d'Islam (Instituto de Culturas do Islã) até julho e, entre outras curiosidades, um dos pintores usou sacos de farinha como telas por absoluta da falta de recursos
Os vídeos, as fotografias e as pinturas levam a assinatura de 15 artistas que retratam, às vezes com humor ácido e, outras, com dureza, o horror da violência que castiga um país destruído. Como diz o título da mostra, Et pourtant ils créent! Syrie: la foi dans l'art (E ainda assim criar! Síria: a fé na arte). Apenas um dos artistas, Fadi Yazigi, cujas peças viajaram às feiras de arte contemporânea de Paris e de Dubai, continua vivendo em Damasco, onde a falta de recursos o levou a usar sacos de farinha como telas. 

Os demais trabalham do exílio, e suas obras refletem que tudo mudou. Alguns modificaram os temas que tratam, enquanto outros mudaram os tons e as técnicas usadas, apostando em muitos casos no uso dos meios digitais. Por exemplo, Akram al Halabi, formado na academia de Belas Artes de Viena, deixou os pincéis para se dedicar a escrever sobre uma série de fotografias de massacres da Síria. 

No caso de Mohammed Omran, cujos desenhos abordam o corpo humano doente, as cores dos primeiros filmes empalideceram e em seus últimos trabalhos o branco e o preto se apossam das imagens. Evolução parecida experimentou a obra de Khaled Takreti, que em seu trabalho J'ai perdu mes couleurs ("Perdi minhas cores") abandonou em parte a técnica "precisa e limpa" que o caracteriza para se deixar levar pelo caos, explicou à EFE a diretora de relações públicas do espaço, Blanca Pérez. 

Quando perdeu sua oficina em Damasco, Tammam Azzam, que expôs em galerias de Beirute e de Londres, decidiu se expressar através da arte digital com composições baseadas em fotografias reais da Síria nas quais remete a motivos icônicos de grandes mestres, como Os fuzilamentos de três de maio, de Goya, o primeiro pintor que retratou a guerra como algo doloroso, e não épico, segundo Pérez. O Facebook foi a plataforma escolhida pelo coletivo. 

No para mostrar uma série de fotografias na qual se utiliza o corpo humano com um braço vendado para formar em árabe a palavra que dá nome ao grupo Os cineastas do grupo Abounaddara, cujos filmes participaram de festivais como a Mostra de Veneza, optaram por realizar curtas-metragens centrados em histórias cotidianas, além dos confrontos que captam a atenção da mídia. Outra forma de protesto são os retratos realizados por Jaber al Azmeh, que expôs na Forum Factory de Berlim, e nos quais retratou sírios sustentando um exemplar do jornal oficial do regime Baath sobre o qual tinham escrito mensagens como "Amamos todos eles", em referência aos desaparecidos. 

O único fotógrafo presente, Muzaffar Salman, da agência Reuters, capturou com sua objetiva detalhes belos em meio a um cenário destruído, em fotos em que a luz é a protagonista. As ilustrações de momentos trágicos da história contemporânea de Yasser Safi, os desenhos em preto e branco com que Abdul Karim Majdal al Beik mostra a dor da Síria e as criações em que Waseem al Marzouki mostra o papel dos recursos energéticos no conflito também podem ser vistas. 

Referência: conex10

“Acorda Amor!”: um espetáculo de vozes, cheiros, sons e sensações táteis encenado na total escuridão



“Não queríamos uma peça que falasse sobre a ditadura, mas que focasse na vida de jovens desse período”. Depoimento do diretor Paulo Palado a respeito da proposta da peça “Acorda Amor!”

O texto é assinado pelo diretor Paulo Palado e convida o público a retornar aos anos de ditadura no Brasil, sobretudo nas décadas de 1960 e 1970. “Não queríamos uma peça que falasse sobre a ditadura, mas que focasse na vida de jovens desse período”, conta Palado.“Acorda Amor!”, o novo espetáculo da companhia Teatro Cego, é um trabalho contextualizado na época da ditadura militar, onde os atores, na maioria cegos, envolvem a plateia ao som de Chico Buarque, com músicas interpretadas ao vivo pela banda Social Samba Fino.

O Teatro Cego estreou em 2012 com a montagem “O Grande Viúvo”, de Nelson Rodrigues. Palado explica que “O Grande Viúvo” foi adaptado para um ambiente escuro, enquanto que, em “Acorda Amor!”, a própria escuridão é simbólica, é um elemento cênico.

“Acorda Amor!” conta a história de quatro jovens que vivenciam os movimentos estudantis e envolvem-se com a guerrilha. Paulo, Lucas e Cesar acabam percebendo que lutam não somente pelo fim da ditadura, mas pelo amor de Natasha, companheira de ação.

Os sete músicos do grupo Social Samba Fino interpretam seis músicas de Chico Buarque ao vivo, arranjadas especialmente por Lua Lafaiette, que assina a direção musical.

O Teatro Cego surgiu no início de 2012 com o objetivo de reunir atores e atrizes cegos e não cegos em uma interpretação que os colocasse em igualdade de condição com os espectadores, proporcionando uma total interação.

“Acorda Amor!” está em cartaz em São Paulo, de 30 de abril e 3 de maio e ainda não há informações sobre a montagem do espetáculo em outras cidades do país.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A magia da cerâmica de Maragogipinho BA continua forte e vibrante, ano após ano

O distrito de Aratuipe que atende pela simpática denominação de 'Maragogipinho', pode não ter um artista ceramista com a fama internacional do “Deus do barro” Vitalino de Caruaru, mas já está colocando peças nos mercados mais chiques do sul do país

Na chegada a Maragogipinho é possível encontrar ceramistas na porta da casa polindo peças em toda a comunidade e, logo após, senhoras e mocinhas, nas portas de suas casas ou em grupos.
A produção é variada mas, o que mais impressiona mesmo é a quantidade de “porquinhos” nas varandas, secando ou nas mãos das brunideiras. São comuns os casos em que lojas do sul do país compram toda a produção.

Com a produção maciça de determinadas peças, - a exemplo dos mealheiros em forma de ‘porquinhos’, - já não é tão fácil encontrar exemplares mais trabalhados como famoso boi bilha, as travessas maravilhosas e outros motivos, principalmente na decoração.
A comunidade de Maragogipinho tem toda a sua economia centrada na produção de cerâmica. Quem não trabalha diretamente o barro, também depende dele para sobreviver, a exemplo de mercadinhos, lanchonetes, armarinhos e os indefectíveis bares que estão em cada esquina.

Ceramistas de renome na região como Rosalvo Santana ( santeiro), trabalha quase que exclusivamente sob encomenda. Taurino ( Seu Zé) um dos mais expressivos, ainda trabalha com motivos originais de Maragogipinho. Lá é possível encontrar no meio de variadas peças, um boi bilha.
Tem ainda o ‘Padre’, que faz namoradeiras diferenciadas ( estão na moda em todas as comunidades ceramistas no nordeste do país) e Miro, que mantém um pouco da cerâmica tradicional, e tem contatos em São Paulo. Antenado, está buscando assessoria para fazer uma cerâmica mais moderna para atender o mercado lá de fora.

Atração maior da Feira dos Caxixis de Nazaré das Farinhas

Considerada uma das maiores e mais antigas feiras de artesanato em cerâmica ao ar livre, a Feira de Caxixis, que acontece há mais de 300 anos no município de Nazaré das Farinhas, abriga diversos atrativos. Os visitantes lá encontram, entre outras opções, milhares de artigos decorativos e utilitários feito em cerâmica e confeccionados pelos oleiros de Maragogipinho, distrito de Aratuípe, município vizinho a Nazaré. As peças ficam expostas em 150 stands espalhados no Circuito Caxixis. 



Livro "Love Me Do" lista 50 importantes momentos da carreira dos Beatles




A empreitada tocada pelo escritor e jornalista Paolo Hewitt cumpre a cronologia, despertando no leitor a curiosidade e exclamações de surpresa ao deparar-se com a riqueza de detalhes, como a descrição da cena do primeiro encontro dos Beatles com o cantor Elvis Presley
Chega ao Brasil o livro “Love Me Do - 50 Momentos Marcantes dos Beatles”, pela editora Record. A publicação escrita por Paolo Hewitt, jornalista e autor de diversos livros sobre os Beatles, The Jam e Oasis, lista 50 fatos importantes de toda a carreira do Fab Four.

Mais de 50 anos após o lançamento de seu primeiro compacto, “Love Me Do”, em 1962, os Beatles ainda despertam curiosidades nos fãs da banda e aficionados pela história do rock.

“Love Me Do” traz 50 histórias, algumas não tão conhecidas quanto outras, desde a infância na dura Liverpool pós-guerra, passando pelos anos mais loucos de sucesso, chegando até a reunião dos integrantes remanescentes da banda na década de 1990.

Paolo Hewitt narra os momentos definidores da carreira dos Beatles - os bons e os maus - com ricos detalhes. Além de encontrar fotos raras de todas as épocas, o leitor irá se deparar com fatos que marcaram a história da música, como o dia em que John Lennon conheceu Paul McCartney, o encontro do quarteto com astros como Bob Dylan e Elvis Presley, a primeira gravação nos estúdios Abbey Road, a ida à Índia e o último show da banda, entre muitos outros.

domingo, 27 de abril de 2014

A comemoração dos 100 anos de Dorival Caymmi continua rendendo shows por todo o Brasil



Nascido em Salvador, o saudoso compositor reinventou o samba e cantou a Bahia inspirado pelos hábitos, costumes e as tradições do seu povo e a sua cidade natal vai prestar mais uma homenagem cum um grande show , na próxima quarta-feira (30/4), às 20h, no Farol da Barra

Daniela Mercury anunciou outras participações, a exemplo do grupo vocal MP7 e da cantora Dani Nascimento, que vai emprestar a voz na canção "Gabriela". O repertório será composto por cerca de 30 músicas de Caymmi. "Teremos um violão, quatro percussionistas, piano e flautista num show acústico que vai privilegiar a sonoridade e leveza das músicas de Dorival", contou Daniela. O evento será comandado pela cantora Daniela Mercury, que participou na última quinta-feira (24) da coletiva que apresentou o projeto à imprensa, no Palácio Thomé de Souza, sede do Executivo Municipal de Salvador.

Ela revelou que também vai homenagear Nana Caymmi, filha do homenageado, principalmente em músicas cantadas por Virgínia Rodrigues. Daniela Mercury lembrou que, no Carnaval deste ano, reverenciou o cantor e compositor baiano, mas com um repertório menor. "Por isso, estou ensaiando bastante. A responsabilidade é grande. Vou fazer até parceria com Carmem Miranda, em uma montagem de som, na música 'O que é que a baiana tem?'".

Daniela Mercury falou sobre a importância da apresentação: "Isso é importante porque cada canção de Caymmi representa um pouco de nós", frisou, pouco antes de cantar a música "João Valentão", uma das mais belas do repertório do artista baiano.

Oportunidade única para baianos e visitantes reverenciarem um dos mais importantes nomes da música popular brasileira, responsável por canções que figuram entre as mais representativas da nossa história.

Há mais de 20 anos, o poeta santamarense Caetano Veloso já contava em prosa e verso a sua revolta com a poluição do Rio Subaé compondo a sua bela "Purificar O Subaé / Cantiga Para Janaina"


Um dos condomínios banhados pelo Rio Teijipió

 Purificar o Subaé
Mandar os malditos embora
Dona d'água doce quem é?
Dourada rainha senhora
Amparo do Sergimirim
Rosário dos filtros da aquária
Dos rios que deságuam em mim
Nascente primária
Os riscos que corre essa gente morena
O horror de um progresso vazio
Matando os mariscos e os peixes do rio
Enchendo o meu canto
De raiva e de pena


Os casos de poluição de lagos, rios e nascentes no Brasil são tão frequentes que já não escandalizam pois a prática banalizou-se de norte a sul do país, em metrópoles e pequenas cidades. A história narrada abaixo sobre a transformação do Rio Tejipió em um canal de esgoto na capital pernambucana, é apenas mais uma, mas a narrativa com forte dose de emoção que foi publicada no Jornal do Commercio, serve como mais um alerta para preservação dos raros cursos d'água que ainda restam Brasil afora.

Euriques Carneiro

São 20 quilômetros apenas. Do começo ao fim, mais esgoto do que rio. Difícil adivinhar que ali, naquele canal sufocado pelo lixo, é o Tejipió que escorre, mais lama do que vida. Os moradores nem sabem. Muitos sequer desconfiam. Olham o filete de água que passa banhando seus quintais e só enxergam esgoto a céu aberto. Vocação ingrata. Carregar, para mais adiante, os dejetos de uma cidade inteira. Até onde não puder mais. Até formar uma montanha de lixo e virar o quintal da morte. Maltratado, o curso d’água cumpre sua sina de cão sem dono. 


Mal dá tempo de nascer. O sopro de vida se esconde, imaculado, em São Lourenço da Mata, no Grande Recife. É ali que o Tejipió começa a existir. As fontes de água limpa, minando no breu da mata, logo se encontram para formar uma pequena lagoa, que, embora barrenta, respira pureza. Não por muito tempo. Poucos quilômetros adiante, após cruzar a BR-408, o Tejipió inicia sua saga de poluição. Ao longo de todo o percurso, até se abraçar ao mar, serão muitos os flagrantes de agressão. A reportagem documentou, canto a canto, esse descaso. Trilhou, de carro e (quando se tornou possível) de barco, os caminhos de um rio esquecido.

Um breve suspiro. É tudo o que o Tejipió tem, do instante em que nasce até seu fatídico encontro com as sobras da cidade e sua triste metamorfose. Nesse hiato de preservação, banha terras ricas. Deixa a nascente e segue em direção a condomínios de luxo e, ainda protegido da sujeira da metrópole, ajuda a desenhar uma paisagem bucólica. É seu raro momento de glória. Dali por diante, é só desamor.

Ensina a geografia que o Tejipió é um rio limite. De alma e contorno urbanos. Essencialmente metropolitano. Separa Recife de Jaboatão dos Guararapes em parte do seu caminho. Tanto pior para ele. Como costuma acontecer em áreas limítrofes, vira terra de ninguém. Símbolo do abandono. Destino trágico, traçado assim que suas águas atravessam a BR-408. De um lado da estrada, preservação e natureza. Do outro, esgoto, sujeira e saudade.

Encurtando aqui, alongando lá, o rio quase some, reaparece, some de novo. Vai cruzando Recife e Jaboatão sempre partido, espremido, humilhado. Resiste como o desaguadouro do que a cidade descarta. Deixa para trás. Os bairros se sucedem: Cavaleiro, Sancho, Tejipió, um após o outro e o mesmo desalento. No Barro, Zona Oeste do Recife, o absurdo desafia as leis da física. O Tejipió vira uma ponte de lixo. Um tapete coberto de dejetos sobre o qual é possível caminhar, sem afundar.

Não muito longe dali, uma surpresa, para quem, até então, só havia visto o Tejipió reduzido a canais, córregos e lamaçal. Pela primeira vez, o rio vai virar rio de verdade. Ao cruzar a Avenida Recife, no bairro de Areias, ele incorpora, alarga e, para espanto dos mais incrédulos, passa a ser navegável. Três ou quatro barquinhos descansando na margem atestam a novidade. Ganha só em tamanho. A sujeira é a mesma. 

O passeio de barco de quase uma hora, até o rio chegar à Bacia do Pina e, mais adiante, se perder no mar, é de uma beleza surpreendente. Mas não menos revoltante. Caçote, Imbiribeira, Afogados, como se fosse natural, todos despejam seus dejetos no rio. Em um dos trechos, sem qualquer cerimônia, o banheiro de alvenaria foi construído quase dentro d’água. As poucas garças que enfeitam o céu disputam com os sacos de lixo e as garrafas de plástico um pedaço de galho para descansar o voo. 

Carlos da Silva, 47, o barqueiro que leva a reportagem pelas águas do Tejipió, sabe que o rio está fora do cartão-postal da cidade. “É rio de pobre. Só passa em periferia, onde os turistas não tiram foto.” Conhecedor do assunto (aos 12 anos foi morar na beira do Tejipió), ele levanta uma dúvida interessante: “Será que se mais gente fizesse esse passeio, visse a força e descobrisse a beleza do rio, ele continuaria tão esquecido?”

sábado, 26 de abril de 2014

Ator global critica camiseta comprada no Nordeste recebe uma chuva de críticas e se retrata publicamente



Brasileiros de todas as regiões do país não gostaram do comentário "lavou, acabou" feito pelo ator e ele voltou às redes sociais para se retratar publicamente, fazendo verdadeira ode à arte e à cultura nordestinas

O ator Juliano Cazarré, demonstrando uma total falta de sintonia por se tratar de uma figura pública, postou uma foto na qual criticava uma camiseta comprada no Nordeste. O artista, que disse ter pagado R$ 8 no produto, criticou da qualidade do material. "Lavou, acabou", escreveu.

Por conta da postagem, Cazarré recebeu diversas críticas dos usuários das redes sociais. Em seguida, o ator apagou o post e publicou uma justificativa.

"Postando de novo pra quem não quer entender... 1- Adorei a camisa, achei linda! 2 - Não quis ofender ninguém! Fiz graça do tecido da camisa. Se alguém se sentiu ofendido, peço agora sinceras desculpas! 3- Eu adoro o Nordeste, conheço muito a cultura daqui, leio muita literatura e escuto muita música boa feita aqui. 4 - Sempre interpretei com integridade personagens do Norte e do Nordeste brasileiro. Quem só conhece meu trabalho na tevê não sabe, mas quem acompanha no cinema já viu. 5- Desejo vida longa ao Polo de Santa Cruz e prosperidade para a região, Toritama, Caruaru, etc. 6- vou continuar usando a camisa amarradão! 7 - mais uma vez, desculpa a quem se ofendeu", escreveu Cazarré.

Camisetas com motivos, frases e expressões locais são comercializadas em todas as regiões turísticas do Brasil e estão disponíveis em variadas qualidades de tecido. No polo produtor de Santa Cruz do Capibaribe / Toritama, é possível encontrar camisetas por R$ 8,00, mas também estão à venda outras de qualidade superior por cerca de R$ 20,00. Cabe ao consumidor escolher que material quer levar afinal, convenhamos que, por R$ 8,00, não dá para exigir qualidade de uma camiseta.

Inúmeros fiéis trouxeram sacos de dormir e estocaram água e mantimentos na esperança de passar a noite em frente à Basílica, mas tiveram seus planos frustrados



Às vésperas da inédita canonização de dois papas, João XXIII e João Paulo II, milhares de fieis ocupavam a Praça de São Pedro, no Vaticano e pretendiam acampar para passar a noite mas tiveram os seus planos pelas autoridades locais
Os espaços previstos dentro e fora da praça nem sempre garantem uma boa visão. Por um bom lugar, valeria a pena acampar desde sábado (26), ainda que telões tenham sido espalhados por toda Roma para transmitir a cerimônia. Isto até a proibição decretada pelo Vaticano.

Para os milhares de peregrinos - estima-se cerca de 1 milhão - especialmente aqueles que vieram da Polônia e da América Latina, qualquer esforço vale para estar presente neste evento sem precedentes na história: dois papas canonizados perante dois papas vivos.

Um dos grupos que mais chamam atenção é o dos 33 seminaristas do Instituto Redentoris Mater de Macerata, do sul da Itália, que está acampado praticamente na porta do escritório da assessoria de imprensa da Santa Sé, a um passo da Praça de São Pedro, mas teve que alterar os planos diante da determinação.

Estenderam mantas pelo chão, levaram sanduíches para aplacar a fome e fizeram algo como um piquenique, com violões e muito canto: o repertório foi de "La Bamba" a "Volare", passando pela clássica "O Sole Mio". Quem passava, aplaudia os jovens religiosos com entusiasmo.

"Viemos celebrar João Paulo II, que inaugurou a pedra fundamental do nosso seminário, e pedir-lhe que nos ajude na evangelização, especialmente na China", contou à AFP Joel Levi, um seminarista da Costa Rica.

Proibição

Autoridades do Vaticano frustraram os planos de centenas de fiéis, inclusive brasileiros, de dormir ao ar livre no coração da cidade-estado, a Praça de São Pedro, onde no domingo será celebrada a canonização dos papas João Paulo 2º e João 23.

Os peregrinos, que tiveram de ser retirados gradativamente da área pela polícia italiana, que não prestaram maiores esclarecimentos a respeito da proibição. O rito e a missa serão presididos pelo papa Francisco e contarão com a presença do papa emérito Bento 16, conforme confirmou o Vaticano na manhã deste sábado.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Milton Nascimento vem a Fortaleza comemorar 50 anos de música



Desde 2012, Milton Nascimento viaja o mundo levando uma série de comemorações. Teve os seus 70 anos em 26 de outubro e os 40 anos do Clube da esquina, seu trabalho mais celebrado

FortalezaO cantor Milton Nascimento está celebrando seus 50 anos da carreira com uma turnê especial. Com o lançamento do álbum ‘E a Gente Sonhando’, o artista completou 38 discos gravados, além de gravar centenas de participações em projetos de amigos, parceiros, músicos e cantores do Brasil e de diversos países.

A turnê ‘Milton Nascimento – Uma Travessia’ foi iniciada em 2013 e deve passar por toda América do Sul, Europa e Estados Unidos em homenagem aos 50 anos de carreira.

É ainda na esteira dessas festas que o carioca de coração mineiro se apresenta em Fortaleza, no Siará Hall. O show acontece dia 9 de maio, às 23h. Baseada no DVD Uma travessia, o show reúne sucessos como Nos bailes da vida, Cais e Canção da América.


A influência de Dorival Caymmi na MPB é discutida em programa da TV Brasil



Dorival Caymmi completaria cem anos de idade no dia 30 de abril de 2014. Sua obra faz parte do que há de melhor na cultura brasileira. Participou das primeiras transmissões de TV e criou diversas trilhas sonoras para novelas e minisséries

O Ver TV desta semana presta homenagem ao mestre Caymmi e debate sua obra e sua relação com a TV.

Participam do programa o pesquisador na Universidade Federal da Bahia Marielson Carvalho, autor do livro Acontece que eu sou baiano – identidade e memória cultural no cancioneiro de Dorival Caymmi; a jornalista Stella Caymmi, neta, biógrafa de Dorival Caymmi, jornalista e doutora em literatura brasileira com a tese O que é que a baiana tem - Dorival Caymmi na era do rádio; e o produtor e diretor musical Carlos Alberto Sion.

Stella recorda a força que a imagem de Caymmi tinha na TV: "com aquela pele morena e com as temáticas de suas canções, ele era muito adaptável à televisão, que necessitava de uma cenografia... ele era muito imagético, ele contribuía muito para a questão imagética", afirma.

De acordo com Marielson Carvalho, "o rádio deu muito estofo pra ele (Caymmi), do ponto de vista da performance. Quando vai para a televisão (…), apresenta uma performance que já vinha desde o rádio. (…) Então Caymmi, agora com a televisão, passou a ser visto e ouvido - essas duas linguagens, a sonora e a visual, em Caymmi caem perfeitamente.”

Para Carlos Alberto Sion, o legado de Dorival Caymmi não pode passar em branco no seu centenário e deve ser lembrado e homenageado para que as próximas gerações conheçam sua obra: "A televisão abandonou esse aspecto dos grandes musicais, a televisão aberta, a televisão democrática... Acho que esse é um legado, a obra dele, que merecia ser reverenciado", conclui.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Pela segunda vez em uma semana Morrissey critica a caça às focas realizada no Canadá



Peaches e Morrissey juntam forças contra a matança de focas e compram briga com a Ministra da Pesca canadense

A cantora emprestou sua imagem para a campanha do PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), a famosa entidade de defesa dos animais, contra o verdadeiro massacre de filhotes de foca – nos últimos três anos 1 milhão de focas foram mortas - promovido anualmente no Canadá. 

Recentemente, Morrissey se recusou a pisar no país enquanto o governo canadense mantiver a caça liberada.A combinação parece meio indigesta: a debochada Peaches e o delicado Morrissey juntos? Pois é, mas a reunião não tem nada a ver com música, e sim com as focas canadenses!

Acompanhando a foto de Peaches, estrela do electro, a frase “Canada´s club scene sucks”, um trocadilho inteligente. "Club" é clube e também porrete em inglês.

Peaches, que é canadense, também declarou apoio à petição feita ao primeiro-ministro do Canadá para que o abate de focas seja proibido. A pele dos filhotes de foca é usada na fabricação de casacos de pele.


Rei do Filet: fazendo com arte há 100 anos o melhor filet mignon do Brasil



O restaurante que oferece, disparado, o melhor filet mignon do Brasil vai completar 100 anos de existência em 2014. De estilo simples, mesas sem luxo e garçons discretos, o Filé do Moraes ou Rei do Filet, como passou a ser conhecido nos últimos anos, oferece 16 tipos de filé que chamam a atenção pelo sabor, quantidade e qualidade

O segredo de todo sucesso é o tempero e o corte da carne, ambos guardados a sete chaves pelos proprietários. A história do Rei do Filet começou em 1914, quando ele abriu as portas pela primeira vez ainda com o nome de Esplanadinha, uma pequena lanchonete instalada na rua Conselheiro Crispiniano, no centro da cidade.Instalados em dois endereços em São Paulo, na praça Júlio Mesquita, entre a avenida São João e a rua Barão de Limeira, e também na alameda Santos, paralela à avenida Paulista, os restaurantes recebem fregueses de muitos anos, acostumados a apreciar pratos que se tornam inesquecíveis, e também os mais jovens, atraídos pela fama do lugar.

Ainda em 1914, a lanchonete evoluiu, mudou-se para a praça Júlio de Mesquita e virou o Bar, Café e Confeitaria Morais. Mais alguns meses e ampliou os serviços e se transformou no famosíssimo Restaurante do Morais, às vezes escrito com "i" e outras vezes com "e". A marca registrada "Rei do Filet", segundo os donos, surgiu como uma imposição dos próprios clientes.

Carne com Sabor

Ao longo dos seus 100 anos de tradição e comida de qualidade, o restaurante recebeu figuras históricas de todos os setores da vida brasileira. Políticos, artistas, esportistas, diplomatas, executivos, comerciantes e pessoas comuns passam por suas mesas todos os dias e escolhem um dos 16 tipos de filés oferecidos, mais as guarnições que variam do arroz primavera à farofa, passando pelo alho e óleo, e as saladas.

O filet é servido em dois tamanhos, o maior com 490 gramas, e o mini filet com 240 gramas. A carne alta, macia e de paladar agradável é levada à mesa em 15 ou 20 minutos, sempre na temperatura certa. Na relação dos mais pedidos estão o filet à moda, com alho, óleo e fritas e o com brócolis. Entre as saladas, a de agrião é a mais procurada.

Há três opções na hora da escolha, o filé bem passado, o mal passado e o ao ponto. A maioria dos clientes fica com o "ao ponto". É uma decisão importante e, para quem está indo ao restaurante pela primeira vez, vale a pena consultar o garçom para saber as diferenças entre um tipo e outro. Em qualquer um deles, no entanto, a carne é gostosa, tem sabor.

O ambiente da casa na praça Júlio Mesquita pede ao cliente um olhar mais atento sobre o lugar, as mesas, as cadeiras e o estilo dos garçons, quase todos acima dos 50 anos de idade. E para quem tem imaginação fértil, não é difícil lembrar que décadas atrás, Adoniram Barbosa sentava-se naquele mesmo lugar para compor "Trem das Onze" e outros sucessos, enquanto saboreava um bem nutrido filé de 500 gramas.

A bebida para acompanhar é naturalmente o chope geladíssimo, mas há outras opções com cervejas em garrafa. O chope é bem tirado e custa R$ 7 a tulipa de 300 ml. A Original de 600 ml fica por R$ 9,50. Os sucos naturais são vendidos a R$ 5,50 e os refrigerantes a R$ 4,50.

Os filés de 490 gramas variam entre R$ 86,10, o Châteaubriant, e R$ 109,10, o de brócolis alho e óleo, um dos mais pedidos. Os mini filés, com 240 gramas, vão de R$ 53,70 a R$ 86,80 que inclui palmito tipo exportação. São preços que, apesar de acima da média, são razoáveis, justos e equiparados a restaurantes de bom nível nos bairros de São Paulo.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Festival de Cannes anuncia filmes selecionados para mostra competitiva e divulga programação das duas últimas mostras pendentes do evento



Godard e Cronenberg estão entre diretores concorrentes à Palma de Ouro cuja lista tem também Tommy Lee Jones no páreo com o seu "The Homesman”

Os filmes mais recentes do francês Jean-Luc Godard, do canadense David Cronenberg, do britânico Ken Loach e dos irmãos belgas Dardenne estão entre os selecionados para a mostra competitiva da Palma de Ouro do Festival de Cannes, anunciou a organização do evento nesta quinta-feira (17).

A lista também inclui "The Homesman", dirigido, escrito e estrelado pelo norte-americanoTommy Lee Jones, ator de "Homens de preto" e "Onde os fracos não têm vez". Esta é sua segunda incursão como diretor de cinema. Ele também foi selecionado em 2005 por "Três enterros".

Outro nome conhecido como ator que foi selecionado em Cannes por trabalho de direção foi Ryan Gosling. Ele está na mostra paralela "Un certain regard", com "Lost river".

Apenas 18 filmes de um total de 1.700 estão na seleção oficial do festival, que acontecerá de 14 a 25 de maio, informou o diretor Thierry Frémaux.

Mostras pendentes

A organização do Festival de Cannes divulgou a programação das duas últimas mostras pendentes do evento, Semana da Crítica e Quinzena dos Realizadores. Ambas são dedicadas a filmes independentes e revelam novos autores para a crítica e o público, além de destacarem filmes de estética ousada.

Foi da Quinzena dos Realizadores, por exemplo, que foram revelados talentos como os cineastas George Lucas (franquia “Star Wars”), Michael Haneke (“Amor”) e os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne (“O Garoto de Bicicleta”).

Veja a lista de filmes que competem à Palma de Ouro em 2014:

"Goodbye to Language", Jean-Luc Godard
"The Captive", Atom Egoyan
"Clouds of Sils Maria", Olivier Assayas
"Foxcatcher", Bennett Miller
"The Homesman", Tommy Lee Jones
"Jimmy’s Hall", Ken Loach
"La Meraviglie", Alice Rohrwacher
"Leviathan", Andrei Zvyagintsev
"Maps to the Stars", David Cronenberg
"Mommy", Xavier Dolan
"Mr. Turner", Mike Leigh
"Saint Laurent", Bertrand Bonello
"The Search", Michel Hazanavicius
"Still the Water", Naomi Kawase
"Timbuktu", Abderrahmane Sissako
"Two Days, One Night", Jean-Pierre and Luc Dardenne
"Wild Tales", Damian Szifron
"Winter Sleep", Nuri Bilge Ceylan




Um século de tradição: o restaurante Botín, mais antigo do velho mundo, mantém as tradições culinárias



Que tal um almoço no restaurante mais antigo do mundo? Se você estiver em Madrid, não perca a oportunidade de conhecer o "Botín", restaurante fundado em 1725 e que, segundo o Guinness Book, é o mais antigo do mundo

O ambiente é bem aconchegante e o atendimento é muito bom. Ao entrar no Botín sente-se o clima de antiguidade pela decoração do local. O restaurante possui dois ambientes e o lema da casa é “agradar o cliente”. Essa frase, curta e direta, vêm norteando o trabalho realizado pela 3ª geração da família, Gonzalez, responsável pelo restaurante. No entanto, essa história de sucesso começou bem antes, em 1725, com o casal Emilio e Amparo, cofundadores do estabelecimento.

No coração de Madri, o Botin foi erguido em um edifício de três andares divididos em restaurante, no primeiro, adega e estoque, no segundo, e a casa da família no terceiro andar. A empresa prosperou desde o começo, mesmo contando com apenas sete funcionários e a ajuda dos dois filhos, ainda pequenos, José e Antonio.

Durante a Guerra Civil Espanhola, o local serviu muito mais do que refeições aos militares, era um verdadeiro ponto de encontro deles. Tal fato fez com que o patriarca Emilio, afastasse sua família dos negócios, por um tempo, até que o conflito terminasse. Mesmo com tantas dificuldades enfrentadas na época, o Botin nunca deixou de oferecer um serviço de qualidade a seus frequentadores.

Com o passar dos anos o restaurante passou por diversas reformas e ampliações. Atualmente, tem quatro andares e mantém a mesma aparência do passado. Em seu centenário, a fidelidade de sua clientela e, o título de restaurante mais antigo do velho mundo se confirma pela presença de inúmeras pessoas importantes que visitam o lugar, sem contar a extensa lista de reservas e espera por mesas.

Decoração simples, ótima carta de vinhos e simpáticos garçons, o restaurante mantém viva há as tradições culinárias, principalmente no preparo do leitão assado. Carro chefe do Botin, há cem anos, o prato típico continua a fazer sucesso até hoje entre os frequentadores do lugar. Logo, se o destino da sua viagem inclui a Espanha, vale a pena desviar um pouquinho do roteiro e conhecer essa verdadeira pérola da gastronomia antiga.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Em uma bela lição de desprendimento e solidariedade, brasileiros ajudam a reerguer Valparaíso



Em meio aos destroços deixados por um impressionante incêndio, eles tentam reanimar a cidade chilena se viu diretamente afetado pela tragédia e um exemplo fantástico vem da família da professora brasileira Lucinha Siqueira, que vive no Morro Merced, a poucos metros do Morro La Cruz, um do mais arrasados pelas chama

Ajuda brasileiraValparaíso despertou especialmente solidária na segunda-feira (14/04). As ruas cheias como nunca, apesar do cheiro das cinzas que se sente por toda a cidade, é comum encontrar pessoas levando sacolas cheias de roupas, mantimentos, galões d´água e até mesmo pás. Algumas iam aos albergues, ou às praças da cidade transformadas em acampamento. Outras iam para os morros, ajudar na retirada dos escombros.

Na Praça O´Higgins, ao lado do Congresso Nacional, outro grupo de estudantes utiliza um microfone para passar informação para as pessoas sobre gente desaparecida e tentar colocar ordem na improvisada ajuda. “Pessoal, o albergue da Escola Grécia diz que já tem roupa de adulto suficiente, pedem que tragam produtos de higiene pessoal, que é muito pouco o que chegou até agora”, apela um dos jovens.

Do outro lado da rua, em frente ao Teatro Municipal, uma cooperativa de micro ônibus disponibilizou os veículos para levar as pessoas gratuitamente às zonas afetadas. Os veículos saem lotados, e com vários jovens cantando “Valparaíso Puerto Principal”, uma famosa canção que homenageia a cidade, nesses dias transformada em hino.

Entre os poucos que vivem em Valparaíso, nenhum deles se viu diretamente afetado pela tragédia, exceto a família da professora brasileira Lucinha Siqueira, que vive no Morro Merced, a poucos metros do Morro La Cruz, um do mais arrasados pelas chamas. A noite de sábado foi especialmente tensa para ela, os filhos e os sobrinhos, que tentaram de todas as formas bloquear o avanço das chamas, que chegaram a menos de 200 metros da casa.

Outra brasileira que participa ativamente da ajuda aos danificados é a enfermeira Eliane Ribeiro. Ela trabalha no Hospital Municipal de Valparaíso, e agora faz parte de uma missão organizada para ir aos morros afetados, para atender as pessoas que se recusam a abandonar suas casas. “Algumas têm medo de que o que não foi queimado, seja roubado. Não sei se isso é melhor, porque o hospital já está em colapso, mas dividir o pessoal tendo tanta gente pra atender lá também é complicado”, conta ela.

Perto de onde parte a van que leva a equipe de enfermagem de Eliane, o G.R.E.S. Valparaíso, uma escola de samba organizada por chilenos amantes da cultura brasileira, reúne alimentos e produtos de limpeza, como tantas outras organizações civis que estão ajudando.

Na Praça Itália, próximo ao grupo onde Marisol Jara e seus colegas atendem animais feridos, dois brasileiros deixam mantimentos que compraram em um supermercado próximo. Eles são Simone e Fernando, um casal em lua-de-mel, que havia planejado passar o fim de semana na cidade.

Andando pelos centros de ajuda na parte plana, ou nos morros onde está o trabalho com os escombros, em todos os lugares estão as camisetas verdes clube. Em um acampamento da Praça O´Higgins está a família Moya, junto com cerca de 50 outras famílias. Em frente à barraca foi fincado um mastro, onde flamula uma bandeira do Santiago Wanderers. O estivador Marcelo Moya divide a barraca com sua esposa, filhos e um cunhado, todos vestidos com a camisa do clube, e se emociona ao ser perguntado sobre a razão disso.

“O Wanderers é Valparaíso, ele representa a gente. Escreve aí pro seu jornal: Valparaíso vai se levantar, porque as pessoas daqui não abandonam a cidade. A gente vai lutar por essa cidade”, afirma, batendo no peito com força e segurando o distintivo. Talvez sinta que esse é o campeonato mais importante da sua história.

Em “Jewish Escapes from Deportation Trains”, Tanja von Fransecky narra a saga de centenas de judeus que escaparam do holocausto saltando dos trens em movimento



Estudo publicado por historiadora alemã conta a história dos 764 que driblaram a morte nas câmaras de gás pulando dos vagões em movimento protagonizando cenas dramáticas e emocionantes para tentar escapar dos trens

Durante horas, Leo Bretholz e seu amigo Manfred Silberstein usaram seus casacos como cordas improvisadas para tentar — em vão — forçar uma abertura entre as barras de ferro de uma pequena janela na parede do vagão lotado. Olhando para um balde utilizado pelos prisioneiros como latrina, alguém sugeriu que eles usassem urina para aumentar a aderência dos suéteres às grades — dessa forma, eles poderiam torcer as roupas e utilizá-las como torniquetes.Na noite de 5 de novembro de 1943, Leo Bretholz estava preso em um trem que partia de Paris em direção à Auschwitz. Ao contrário dos 6 milhões de judeus que seriam mortos pelo nazismo em diversos campos de concentração espalhados pela Europa, Bertholz escapou do holocausto pois nunca chegaria às câmaras de gás que o aguardavam na estação final. O judeu de 21 anos foi um dos poucos que conseguiram, utilizando-se de métodos desesperadores, driblar os guardas nazistas e saltar dos vagões em movimento. Como Bretholz, outros 763 ousaram fazer o mesmo, segundo levantamento recentemente publicado por uma historiadora alemã.

Tive que lutar para superar minha sensação de náusea”, rememora Bretholz. “Me abaixei e encharquei meu pulôver. Tinham pedaços de excremento flutuando ali. Me senti humilhado. Foi a coisa mais nojenta que tive de fazer”, conta. Mas a tática deu certo e cedeu uma pequena fresta, espaço suficiente para que os dois se espremessem por entre as grades da janela e saltassem do trem.

Após passar o resto da Segunda Guerra Mundial fugindo dos nazistas na Europa, Bretholz viveu até os 93 anos sem aquele número de identificação tatuado no braço que os outros sobreviventes de Auschwitz carregariam para sempre. Sua morte nos Estados Unidos, há um mês, coincidiu com o lançamento de um novo levantamento histórico publicado na Alemanha que contempla 764 histórias de vida semelhantes.

Estudo

Durante quatro anos, a pesquisadora Tanja von Fransecky conduziu entrevistas e consultou acervos em Israel e na Europa para compilar seu estudo, intitulado “Jewish Escapes from Deportation Trains” (“Os judeus que escaparam dos trens de deportação”, em tradução livre).

Em entrevista ao jornal britânico The Independent, a historiadora disse ter se espantado com a quantidade de pessoas que conseguiu o feito. “Sempre achei que esses vagões eram abarrotados de gente no embarque e simplesmente abertos na chegada sem que muita coisa pudesse acontecer nesse meio tempo”, diz. A pesquisa mostrou o contrário: inúmeros prisioneiros judeus protagonizaram cenas dramáticas e emocionantes para tentar escapar dos trens.

“Eles não disseram que nós todos seríamos fuzilados se alguém escapasse?”, questionavam os outros passageiros, assustados com a situação. Além das críticas, a pesquisadora também afirma que muitos tinham que enfrentar um dilema moral ao optar pela fuga e ter de deixar parentes e amigos para trás. “É uma das razões pelas quais muitos sobreviventes mantiveram o silêncio por anos após a guerra”, aponta von Fransecky.

Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Gravura japonesa do século 19 pode ser vista em exposição na capital paulista

As gravuras preservam traços fortemente ligados a tradição artística nipônica. “A gente nota que é uma elegância ímpar tudo, nas figuras femininas e masculinas. Há uma interação entre figura e paisagem muito forte. Essa construção é muito tradicional, pega fontes literárias dos séculos 10, 12”

Aberta no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, zona sul paulistana, a exposição A Arte do Ukiyo-e traz gravuras japonesas da década de 1860 para a capital paulista. São 42 trípticos – conjuntos com três imagens – e um políptico – várias gravuras - pertencentes à coleção do artista visual Roberto Okinaka. Os trabalhos atendiam a uma demanda editorial de luxo da região de Edo, atual Tóquio. “Essas imagens são mercadorias. São estampas para serem veiculadas, como uma revista de arte e luxo”, explica a professora de arte e literatura japonesa da Universidade de São Paulo (USP), Madalena Hashimoto.

As obras, pouco conhecidas no Brasil, trazem uma influência ocidental que seria inesperada para um país que ainda era muito fechado à época. “Tem uma cor inesperada. Porque a cor que está trabalhada já é uma cor ocidental, com muitos tons anílicos. É o azul da Prússia, o carmesim, verde-esmeralda. São cores que não eram da paleta japonesa. Mas nesses anos, entre 1830 e 1850, começa a ter uma avalanche de pigmentos desse tipo”, destaca sobre as influências em pontos como a cor e a perspectiva usada nos desenhos.

Os elementos ocidentais foram introduzidos, de acordo com Madalena, pelos chineses e holandeses, que há mais de um século tinham conseguido penetrar no país. “Através deles, muitos livros e objetos são incorporados. Então, a gente nota que o Japão não estava tão fechado assim”, ressalta.

Por outro lado, as gravuras preservam traços fortemente ligados a tradição artística nipônica. “A gente nota que é uma elegância ímpar tudo, nas figuras femininas e masculinas. Há uma interação entre figura e paisagem muito forte. Essa construção é muito tradicional, pega fontes literárias dos séculos 10, 12”, acrescenta Madalena.

Apesar de terem sido feitas em um período de turbulência social e política, as gravuras ilustram temas amenos e cotidianos. “É a década em que está acontecendo tudo. Mas essas gravuras que são mostradas aqui são super-plácidas. Quem vê essas gravuras não imagina que o xogunato está desmoronando, tal a idealização desse universo de calma, arte e estabilidade”, analisa a professora lembrando o período histórico. A queda dos senhores feudais – xoguns – abriu espaço para a centralização do poder no imperador.

A exposição foi aberta ao público na quarta-feira (16) e se estenderá até o dia 15 de junho.

Fonte: EBC

Rafael Bianchi Zavagli apresenta exposição inspirada na natureza e tempo



O jovem artista de 33 anos celebra o fazer pictórico e investe no diálogo com a fotografia e diz com convicção: Mostro paisagens contemplativas que pedem tempo, pausa para serem vistas”


Doze dos seus trabalhos estão sendo exibidos na Galeria de Arte GTO do Sesc Palladium, em Belo Horizonte. Com curadoria de Sara Moreno, a exposição evoca a natureza em obras que carregam a aversão do artista à velocidade do contexto urbano, recusada simbolicamente por ele.

“Essa proposição utópica e poética se posiciona contra uma forma de desenvolvimento das cidades. Nas pinturas está a horizontalidade oposta à verticalidade urbana, que ignora tudo à sua volta”, explica Zavagli.

A pintura do jovem mineiro traz muita matéria, gestos longos e é feita com trinchas a partir de fotos dele ou baixadas da internet. “É característica da pintura contemporânea atuar como resposta ao meio onde se vive, em diálogo com várias mídias”, observa Rafael, ressaltando que sua obra discute mais o fazer pictórico do que a representação de coisas.

“Se a pintura, um dia, serviu para representar a história, hoje ela segue caminhos mais independentes da obrigação de fidelidade ao real, do compromisso com movimentos ou de ter outro sentido além de sua própria existência”, afirma.

Integrante do grupo de jovens autores que, a partir dos anos 2000, deu nova perspectiva à pintura feita em Belo Horizonte, Rafael se formou em 2006 pela Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “O que se faz na escola tem muito de exercício acadêmico. Gosto de pensar que o trabalho é meu mesmo, sobretudo depois que você está entregue ao mundo”, observa.

'Paisagem/Retiro' é a segunda individual do pintor – a primeira foi realizada em 2009, no Palácio das Artes. O interesse de Zavagli por questões arquitetônicas e pela cidade vem se transformando em recortes da paisagem natural com intenção reflexiva, criados com a retirada de elementos muito descritivos da imagem. Vem daí a palavra retiro do título da mostra, que alude também ao afastamento do cotidiano para a meditação.

Família

Rafael Bianchi Zavagli é filho de dois artistas plásticos: Sandra Bianchi e Mário Zavagli. “Isso é ótimo. Vejo dificuldade de meus amigos em fazer a família aceitar suas profissões, algo que nunca tive. Pelo contrário: sempre contamos com todo o apoio em casa, o suporte de livros. Era comum ver meus pais pintando o tempo inteiro”, revela.

Dos cinco irmãos, Rafael e Júlia Bianchi se formaram em artes plásticas. O pintor conta que a “tropa” costumava filar material dos pais. “Eles davam uma chorada, principalmente na hora de ceder as aquarelas, que são caras, mas acabavam nos deixando usá-las. Abusamos um pouco na época da escola, mas hoje já garanto meu material”, avisa o pintor.

BATE-PAPO E OFICINA

O uso da fotografia como ferramenta para a pintura é o tema da oficina que Rafael Zavagli vai ministrar em 17 de maio, das 11h às 17h, no mezanino do Sesc Palladium. As inscrições são gratuitas, com vagas limitadas, e devem ser feitas pelo e-mail educativopalladium@sescmg.com.br. Em 23 de maio, das 17h às 19h, no Espaço Multiuso do Sesc Palladium, Rafael e David Magila, autor de pintura exposta no Projeto Parede, vão bater papo com o público sobre os respectivos processos de criação.

PAISAGEM/RETIRO

Pinturas de Rafael Bianchi Zavagli. Até 28 de maio. Galeria de Arte GTO do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3270-8100. O espaço funciona de terça-feira a domingo, das 9h às 21h. Entrada franca.

domingo, 20 de abril de 2014

Com CD reunindo músicas pouco conhecidas de Dorival Caymmi filhos homenageiam o músico baiano que faria 100 anos em 2014



As celebrações que envolvem o centenário de nascimento de Dorival Caymmi (1914-2008) tiveram início em 2013 e dentre as várias comemorações programadas para homenagear o músico baiano, nenhuma delas terá tanto peso quanto o disco Dorival Caymmi - Centenário

O álbum busca fugir do óbvio, dos grandes sucessos do músico baiano. A intenção é mostrar aquilo que apenas a intimidade familiar permitiu conhecer bem. Canções que eram cantaroladas em casa, quando os filhos eram crianças. Canções que mostram de maneira especial a influência do folclore baiano na vida do compositor.Não foram poucos os sucessos de Dorival Caymmi. 
Canções como ‘Marina’, ‘Maracangalha’ e ‘O que é que a baiana tem?’ são apenas exemplos de composições que conquistaram um espaço importante na história da música brasileira. Agora em 2014, o músico completaria 100 anos e a data não poderia passar em branco. Para isso, os filhos Nana, Dori e Danilo lançaram o disco ‘Caymmi’.

Entre as marcas do trabalho de Dorival Caymmi está a valorização da Bahia. “O que é encantador no papai é que ele descobriu a Bahia, cantou os encantos da Bahia: o mercador, o pescador”, destaca Dori. Outra característica era o encanto pelo autenticamente popular: “Ele tinha fascinação pelo popular, pela música que chega ao povo”, conta Danilo.

O disco tem 13 faixas e Danilo se diz confiante com o conteúdo deste trabalho: “Eu tenho certeza de que ele iria gostar muito de ver esse espetáculo e essas músicas da maneira que a gente está fazendo”.

A data oficial do centenário de Caymmi é 30 de abril.

A Capital Federal idealizada por JK chega aos 54 anos



Quem deseja aproveitar o feriado para descansar e fugir do ritmo acelerado da cidade pode buscar conforto próximo à natureza. Brasília oferece lugares conhecidos pela tranquilidade e sossego como o Parque Nacional de Brasília - o Água Mineral, que dispõe ainda de trilhas e piscinas naturais

InspiraçãoCom mais de 2,5 milhões de habitantes, a capital do país chega aos 54 anos nesta segunda-feira, 21 de abril. Idealizada por Juscelino Kubitschek, Brasília é considerada Patrimônio Mundial pela Unesco e recebe, ainda hoje, milhares de imigrantes vindos de todas as partes do país. Apesar de nova, a cidade já guarda muita riqueza em sua história; é alvo de polêmicas e serve de inspiração para artistas. Abaixo, você confere informações e impressões de pessoas estudiosas ou ligadas à cidade que participaram da II Bienal do Brasil e da Leitura, realizada na Esplanada dos Ministérios.

"Brasília é minha obsessão. Todo poeta tem sua obsessão: a morte, a mulher amada, a namorada, a pátria. E Brasília é a minha. Eu gosto de escrever sobre Brasília, ela tem um simbolismo muito grande, é uma muito nova, uma folha em branco, se escreveu pouco sobre a cidade", escritor e poeta Nicholas Behr

Capital

"Em Brasilia você encontra um Brasil comum, internacional e cósmico", escritor e poeta TT Catalão

História

"Quando JK falou da construção de uma nova capital, ele tinha na pasta o relatório Cruls, feito 120 anos atrás", escritor e jornalista Jaime Sautchuk

Projeto

"Tenho a impressão de que se Cruls visse o que se tornou Brasília, ele morreria de infarto ou de desgosto. É muito diferente. Ele previa a mobilidade na região por meio de ferrovias e pensava em uma cidade atenta à preservação dos recursos hídricos. Aqui estão importantes bacias para o país", escritor e jornalista Jaime Sautchuk

Cidades

"Os centros da regiões administrativas têm de dar individualidade para cada uma delas", escritor, arquiteto e doutor em urbanismo Jorge Francisconi

Economia

"Brasília é a capital da sexta economia do mundo", secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira

Povo

"O esteriótipo de Brasilia é o de cidade administrativa, isso é um cenário. Da esplanada até a rodoviária é uma Brasília, mas a verdadeira Brasília são as pessoas que vivem nela", escritor e poeta TT Catalão

Meio ambiente

"Quando cheguei a Brasilia fiquei apaixonado pela cidade e pela possibilidade da natureza muito próxima", escritor e poeta TT Catalão

"Eu sou um brasiliense já. Eu uso a cidade, ando pela cidade. No início havia um grande estranhamento, a cidade me maltratava e eu maltratava a cidade, não tinha tanta arborização, tudo era muito árido, mas hoje já tenho um diálogo", escritor e poeta Nicholas Behr

Planalto Central

"Estamos em um sertão de acrílico", escritor e poeta TT Catalão

Cultura

"O que falta em Brasília e sempre faltou são os canais e conexões para escoamento da cultura", escritor e poeta TT Catalão

"A Bienal Brasil do Livro e da Leitura preenche um espaço que Brasília tinha que era o de diálogo entre a sociedade e os escritores de Brasília, que chegam de outras regiões do país e do mundo", secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira

"Quem me desculpem os outros grandes centros urbanos, mas Brasília já é a capital da leitura", livreiro Francisco Joaquim de Carvalho (Chiquinho)

Urbanismo

"Estamos com a cidade congelada. As pessoas se esqueceram de que Brasília é a capital do país. Temos que ter museus, todos os símbolos nacionais da história brasileira tem que estar aqui", escritor, arquiteto e doutor em urbanismo Jorge Francisconi.

Mobilidade

"O grande problema de Brasilia hoje é o transporte público", escritor, arquiteto e doutor em urbanismo Jorge Francisconi

Poesia

"A poesia humaniza a maquete viva que Brasília é. Brasília é uma proposta, e a poesia chega pra tornar a cidade menos artificial, mais humana", escritor e poeta Nicholas Behr

Futuro

"Atrás da Rodoferroviária será criada uma cidade nova, sustentável, com o conceito do século XXI, para uma população de cerca de 300 mil pessoas", escritor, arquiteto e doutor em urbanismo Jorge Francisconi
Fonte:EBC

Nepal põe fim às buscas dos desaparecidos no Monte Everest



Já abordamos aqui no Artecultural, os motivos pelos quais um grupo de pessoas decide desafiar o bom senso e os limites do corpo em provas exaustivas e que chegam a por risco a integridade física dos participantes

Ouvindo o noticiário de hoje, domingo, tomei conhecimento do depoimento da esposa de uma dos participantes do grupo que escalava o Monte Everest e que decidiu continuar a escalada mesmo após a morte de 13 colegas de expedição. Ela afirmou que, como o seu esposo já tinha alcançado cinco outras etapas, faltando apenas a temida escalada do Everest, ele decidiu continuar apesar de todas as adversidades e da tragédia de dois atrás.

O acidente no Everest

O Nepal deu hoje (20) por terminadas as buscas aos três guias nepaleses que continuam desaparecidos depois da avalanche no Monte Everest em que 13 colegas foram encontrados mortos, segundo fonte oficial.

As autoridades já tinham descartado no sábado (19) a possibilidade de encontrarem mais sobreviventes da avalanche à qual escaparam com vida nove pessoas. Os homens que morreram pertenciam a um grupo que transportava equipamentos para expedições no Everest, que nesta altura do ano inicia a época alta de escalada.

A avalanche aconteceu na sexta-feira (18) por volta das 6h45 (no horário local) a cerca de 5.800 metros de altitude. Este já é considerado o acidente mais mortal da história do montanhismo moderno na mais alta montanha do mundo. Antes deste, o mais grave acidente no Monte Everest, nos Himalaias, tinha sido em 1996, quando oito pessoas morreram numa expedição.

Euriques Carneiro