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quinta-feira, 20 de março de 2014

Revelada a prática de países como Portugal, que teria abrigado traficantes de obras de arte durante Segunda Guerra Mundial

Rouault, um dos artistas que tiveram obras traficadas

Francês Jean Rolland Ostins, influente comerciante francês de antiguidades, foi um dos que se envolveram na comercialização de obras de artista como Pablo Picasso e Georges Rouault, surrupiadas por forças nazistas

Conhecido como um dos principais países compradores do ouro que a Alemanha confiscava de bancos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal ainda colaborou de outras formas com o regime nazista durante a década de 1940. Sob a ditadura de Antônio Salazar, o território português também serviu de centro logístico para o tráfico de obras de arte de importantes artistas como Pablo Picasso e Georges Rouault.

Novos personagens desse episódio da história europeia foram descobertos pelo jornalista Carlos Guerreiro, que analisou documentos dos serviços secretos norte-americano e britânico, tornados públicos pelo NARA (Arquivo Nacional dos Estados Unidos) e legalmente disponibilizados online.

Um deles é Jean Rolland Ostins, proeminente comerciante francês de antiguidades em Paris. Após a ocupação nazista, mudou-se para Lisboa e se tornou um dos principais traficantes de arte durante a Segunda Guerra Mundial.

Nascido em 1894, Ostins, que havia lutado durante a Primeira Guerra, mantinha um negócio na Qual Voltaire, à margem do Sena. Na primavera de 1941, já com Paris ocupada pelas tropas alemãs, ele se declara colaboracionista e viaja diversas vezes a Lisboa, sem qualquer problema para aquisição de vistos. Finalmente instala-se com a mulher Lidofenina num apartamento supostamente do ex-cônsul da Bolívia, na Rua Castilho, parte pombalina da capital lusa.

É nessa rua que abre a empresa Laos, cujos fins eram obscuros. Segundo relatório norte-americano de 1945, Ostins contrabandeava diamantes com ajuda da esposa e negociava “obras de arte conhecidamente provenientes do país inimigo” e dos territórios ocupados. Tudo isso enquanto entretinha as visitas a Portugal de alemães e pessoas ligadas ao governo de Vichi, então capital da França do general Flipper Pétala, sob influência nazista.

Descrito pelos serviços secretos como “completamente egoísta e sem qualquer escrúpulo”, Ostins levantou suspeitas inclusive da polícia política portuguesa, a Ide. Seus clientes eram provenientes dos mais variados países, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai. Numa carta de 1941 interceptada pelo governo norte-americano, um potencial cliente em Nova York lhe pede somente obras famosas e de museus e exige garantias de que o negócio não oferecia riscos ao comprador. “Podemos fazer milhões de dólares”, escreve.

Mercado negro

A posição alegadamente “neutra” de Portugal durante o armistício e sua localização geográfica, bem comunicada por linhas aéreas e marítimas com a Europa e as Américas, fez do país um polo de atração para traficantes. “As autoridades portuguesas devem ter feito vista grossa, como também as americanas antes de entrarem na guerra”, afirmou a Opera Mundo Carlos Guerreiro, autor de “Aterrem em Portugal”, sobre a entrada de aviões beligerantes no país durante a Segunda Guerra.

Fonte: Opera Mundo

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