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segunda-feira, 10 de março de 2014

Na ressaca do Carnaval, Alceu Valença fala de invasão de ritmos “alienígenas” travestidos de multiculturalismo



Na Quarta-feira de Cinzas de 2013, o multifacetado músico pernambucano Alceu Valença publicou artigo no Jornal do Commércio onde mostrava a sua indignação com a presença de ritmos totalmente alheios na folia de Momo em Recife e Olinda

Neste ano, o artista, que encerrou a folia no Marco Zero, principal palco do Carnaval do Recife, na madrugada da quarta-feira (5), afirma que a identidade da música brasileira está seriamente ameaçada. "Estão vendendo gato por lebre", afirma o artista. "Inventou-se agora o conceito de multiculturalismo, que é uma forma de enfiar qualquer coisa em festas populares como São João e Carnaval".

Ele, entretanto, ressalta Pernambuco como exceção. "O que vejo aqui é preservação, em Olinda, por exemplo, folia é embalada por cancioneiro centenário". Mas ele vê o fenômeno ocorrendo em outras regiões do país. Equivale a colocar numa festa junina um fado português, diz Alceu. "Tem muito artista de forró, de brega, de rock, querendo entrar no Carnaval". A porta para que entrem são as tais festa multiculturais antes ou durante a folia, acrescenta.

Ele compara cenário aos pacotes turísticos de resorts, que oferecem tudo incluído. "A pessoa não quer perder nada, come além da necessidade, porque não pode perder aquela mesa farta".

"Veja a situação a que chegaram os programas de televisão, nada contra nada, tudo pode existir, há uma glamourização do lixo cultural". Alceu diz que apologia à falta de cultura atende interesses da indústria do entretenimento. "Quanto mais burro, melhor para o sistema", dispara Alceu. A área da cultura brasileira, na opinião do músico, carece de curadoria.

Novo modelo de jabá

Ele também denuncia novo modelo de jabá que assola o mercado de rádios no nordeste, e que começa a chegar a outras regiões do país. "O jabá hoje se transformou numa outra coisa", diz.

Ele explica que donos de rádio compram bandas e músicas para tocar nelas, para ganhar também com o direito autoral. "Tudo que entrar será lucro", comenta. "Depois eles fazem um jogo entre eles, donos de rádios, para que um toque a música do outro". Desta forma, segundo ele, criou-se um cartel que domina o mercado com uma 'música sem alma', ou 'fuleirage music', como também ficou conhecida, diz Alceu.

Por sua postura crítica e independente, Alceu há décadas se afastou de gravadoras. O produtor atual é um músico que toca com Alceu. "Ele não pode me exigir nada e nem vai querer me manipular", justifica. O rompimento com as gravadoras aconteceu em 1987. O músico acusa a gravadora RCA de cooptar artistas, na época, só para tirá-los de circulação e abrir espaço para o 'brega', novo gênero que seria lançado.

"Eu, Chico Buarque, Fafá de Belém, e outros artistas, foram contratados para ir pra gaveta, para poderem lançar outro tipo de produto que interessava ao diretor artístico".

Alceu conta que a gravadora chegou a sugerir que ele mudasse repertório. "Pediam para cantar músicas bregas e outras". O objetivo era trazer para o Brasil produtos mais semelhantes ao americano.

"Em três anos ganhei apartamento, hospedagem em hotel cinco estrelas, com tudo pago em minha vida, mas calaram minha música". O mesmo aconteceu com todos os artistas contratados, prossegue o artista. "Por isso rompi com a indústria", observa.

Novos meios de difusão

Na época, Alceu relembra que começava carreira na Europa, mas conta que resolveu retornar e "ganhar o Brasil, mesmo sem ter empresa por trás". O caminho para isso ele diz que foi ir para todos os cantos e fazer a cabeça de fãs que vão aos shows. "Um diz ao outro e público vai aumentando".


"Em Brasília já botei 27 mil pagantes em show", diz Alceu, orgulhoso por ter conquistado público, mesmo aparecendo pouco na mídia. "No ano passado fiz 89 shows, quatro na Europa".

O artista conta que a divulgação foi toda feita pela internet e redes sociais com vídeos produzidos em aparelho celular. "Em Portugal casa ficou lotada todos os dias, conversei com pessoas vindas da Espanha, que souberam do show pela internet".

Um dos nomes mais importantes no Carnaval do Recife, Alceu Valença abre o encerramento da folia, no Marco Zero às 0h50. O artista abre o show com "Homem da Meia Noite" e em seguida emenda grandes sucessos como "Bicho Maluco", "Bom Demais", entre outros.

Depois do Carnaval no Recife, Alceu Valença apresenta em São Paulo o espetáculo "Valencianas", com a Orquestra de Ouro Preto, nos dias 21, 22 e 23, no Sesc Vila Mariana.

Referência: uol.com.br

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