terça-feira, 18 de março de 2014

Apesar de uma história nada verossímil , "Sem Escalas" consegue o seu intento que é manter a tensão do início ao fim



Quem foi assistir o “Robocop” do diretor José Padilha, provavelmente viu o trailer de “Sem Escalas”, estrelado pelo irlandês Liam Neeson, um ator que foge do tipo “bombado” mas que passa credibilidade aos personagens que encarna, desde os tempos de "A Lista de Schindler" e "Gangues de Nova York"

O mérito desse efeito de controle do espectador é não apenas de Liam, mas também do diretor espanhol Jaume Collet-Serra, 40, que já dera, antes, provas do talento atrás das câmeras com dois trabalhos, o terror "A Órfã" (2009) e a aventura "Desconhecido" (2011).Somente agora, aos 62 anos, Liam Neeson está se tornando um astro dos filmes de ação. Carismático e talentoso, ele é a maior atração do "thriller" de ação "Sem Escalas", de Jaume Collet-Serra, em cartaz nos cinemas. Neeson dá uma impressionante credibilidade a um personagem inconsistente que se impõe em uma história repleta de absurdos e furos, aos quais elimina ao levar o espectador a se deixar envolver com a ação que o prende à cadeira da primeira à última cena.

Entre os seus mais relevantes personagens de Neeson estão Gewain de "Excalibur" (1981), o notável épico de John Boorman, e que trabalhou com cineastas do porte de Roland Joffé ("A Missão", 1986), Woody Allen ("Maridos e Esposas", 1992), Steven Spielberg ("A Lista de Schindler", 1993), Bille August ("Os Miseráveis", 1998), George Lucas ("Star Wars, Episódio 1: A Ameaça Fantasma", 1998), Martin Scorsese ("Gangues de Nova York", 2002), começou a escalada nos filmes de ação com "Busca Implacável" (2008). Seguiram-se "Esquadrão Classe A" (2010), "Desconhecido" (2011), "Busca Implacável 2" (2012). Já tem três filmes em pós-produção, outro em filmagem ("O Profeta") e dois outros em pré-produção sempre dentro do gênero ação.

História pouco convincente

Em "Sem Escalas", produção francesa saída dos estúdios Cité Du Cinema, fundado por Luc Besson em setembro de 2012, Neeson interpreta Bill Marks, um almirante da aeronáutica relegado a funções burocráticas em função do alcoolismo e de problemas familiares. Agora trabalhando como segurança de voos de uma companhia aérea internacional, em uma dessas viagens Bill Marks recebe uma mensagem via celular exigindo a transferência bancária de US$ 150 milhões a cada 20 minutos senão um passageiro será executado.

O mote da narrativa passa a ser a luta contra o tempo. Determinado a localizar o terrorista, que está ali entre mais de 180 pessoas, Marks joga duro, mas os seus métodos desagradam a pilotos, tripulantes e passageiros, principalmente quando um destes grava e envia para a imprensa uma das agressivas ações na aeronave e ele passa a ser personagem no noticiário internacional. 

A história é inusitada, remetendo às aventuras do policial John McClane de "Duro de Matar" (1978), quanto ao detalhe de se passar em um ambiente fechado. Os autores de "Sem Escalas", John W. Richardson (roteirista de documentários sobre os super-heróis, entre eles "The Science of Superman", "Spider-Man Test" e "Star Wars: the Legacy Revealed", e de séries da TV inéditas no Brasil, como "Ruby") e Christopher Roach (produtor executivo do "Big Brother" da TV norte-americana), parece que se inspiraram na história de Roderick Thorpe, autor do livro que deu origem ao filme dirigido por John McTiernan, para uma desenvolver uma aventura policial nos ares.

Se você busca coerência e verossimilhança, fuja de "Sem Escalas" pois ele passa longe desses atributos pois o roteiro vai encaixando uma série de "furos" com fatos e acontecimentos que não se encaixam nem em novela mexicana.

Para encobrir as incoerências do enredo, o diretor imprimiu , um ritmo vertiginoso e alucinante que não permite ao espectador qualquer ato de reflexão e nem lhe dá tempo de raciocinar. Esse ritmo da narrativa é ajustado pela câmera ágil do diretor de fotografia Flávio Labiano e a montagem dinâmica de Jim May. Com o suspense moderando o ritmo, o espectador fica grudado à poltrona.

Neeson é a pincelada final nesse trabalho exemplar da dinâmica cinematográfica, no qual ele faz a diferença ao conceder uma impressionante credibilidade a seu fracassado personagem, que vê ali, com todas as condições contra ele, a oportunidade de redenção. O Bill Marks é um personagem em constante conflito íntimo que tenta lidar com as suas fraquezas e, ao tempo em que, vira fera para manter o lado profissional, luta para sustentar o pouco de respeitabilidade que possui e executa o seu trabalho com o rigor que deve ser feito.

Resumo da ópera: se você busca uma boa diversão, "Sem Escalas" é um filme de ação que não decepciona o espectador e vale o preço do ingresso. Mas se você é daqueles que buscam o “porque” das ações de um filme, procure outra película pois vai perder seu tempo apontando as falhas e incongruências.

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