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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Por motivos ainda não esclarecidos, exemplares do 'Diário de Anne Frank' são destruídos em Tóquio


 

De acordo com o conselho de bibliotecas do local, páginas foram arrancadas de pelo menos 250 exemplares do livro que continha a biografia de Anne Frank ou informações sobre as perseguições aos judeus

Vários exemplares do 'Diário de Anne Frank' foram destruídos em bibliotecas públicas de Tóquio, onde foram encontrados com páginas arrancadas. A polícia da capital japonesa abriu uma investigação depois de receber várias denúncias.

De acordo com o conselho de bibliotecas públicas de Tóquio, páginas foram arrancadas de pelo menos 250 exemplares do diário ou de publicações que continham a biografia de Anne Frank ou informações sobre as perseguições aos judeus.

Em outras regiões próximas, informa a imprensa, foram atacados mais de 10 livros sobre a mesma questão. "Temos queixas de cinco (dos 23) distritos de Tóquio, mas ainda não sei exatamente quantas bibliotecas foram afetadas", disse à AFP Satomi Murata, chefe do conselho de bibliotecas públicas da capital. "Não sabemos o motivo, nem quem fez isto", completou.

"Cada exemplar danificado tem entre 10 e 20 páginas arrancadas. Estão inutilizáveis", afirmou Kaori Shiba, diretor de arquivos da biblioteca municipal central do distrito de Shinjuku. Toshihiro Obayashi, vice-diretor da biblioteca central de Suginami, relatou que 119 exemplares foram danificados em 11 das 13 livrarias da região. Ele disse que nunca havia acontecido algo parecido.

Na internet, o Centro Simon Wiesenthal manifestou surpresa e inquietação. "Pedimos às autoridades japonesas que identifiquem os autores desta campanha de ódio e que resolvam a questão", declarou Abraham Cooper, diretor do Centro, que tem sede nos Estados Unidos.

A história de Anne Frank

O Diário de Anne Frank foi composto pela então adolescente Anne Frank, no período que se estende de 1942 a 1º de agosto de 1944. Este poderia ser um diário escrito por qualquer garota de 13 anos, nos tempos atuais, com todas as inquietudes e preocupações de uma jovem, se ela não estivesse vivendo justamente em um dos contextos mais difíceis da história da Humanidade, a Segunda Guerra Mundial.

Ela tinha apenas 13 anos e, de repente, viu sua existência sofrer uma transformação radical. Subitamente Anne estava vivendo com sua família e outros judeus, companheiros da mesma sina, ocultos em Amsterdam, na Holanda, na época em que este país foi invadido pelos nazistas alemães.

Em palavras singelas e de fácil entendimento, a garota narra a rotina desta pequena comunidade durante o período em que seus integrantes permaneceram refugiados no porão do gabinete em que seu pai trabalhara, para onde o grupo se dirige ao tomar conhecimento do destino que lhes estaria reservado se fossem capturados pelas forças da Alemanha.

Neste recanto abrigam-se a família de Anne – a adolescente, os pais e a irmã -, e a do Senhor Van Daan – ele, a esposa e o filho Peter, que se torna o melhor amigo da garota, e por quem ela se encanta cada vez mais. A autora deste diário registra a vivência destas pessoas sob a ameaça constante da morte e sua visão pessoal sobre este terrível confronto bélico.

Anne tem a ideia de escrever um diário que pudesse realmente ser publicado após ouvir uma transmissão radiofônica que incentivava as pessoas a documentar os eventos ligados à guerra, pois este material teria, futuramente, um alto significado. Ela inscreve em seus escritos tudo o que se passa no cotidiano dos fugitivos, inclusive sua notória predileção pelo pai, que considerava amoroso e nobre, ao contrário da mãe, com quem a menina estava sempre em confronto.

Depois de tempos difíceis, oficiais da Gestapo descobrem o esconderijo, em 4 de agosto de 1944, prendem os refugiados e os conduzem para diversos campos de concentração. Neste mesmo dia o pai, Otto Heinrich Frank, recebe o diário da filha e, como é o único remanescente do período transcorrido como prisioneiro, luta pela publicação de seus textos, realizando finalmente o sonho de Anne. Com o auxílio da escritora Mirjam Pressler, ele alcança o seu objetivo e lança o diário em 1947.

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