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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Mais de dois mil novos documentos de Hemingway são postos à disposição dos EUA pelo governo de Cuba


 

Entre as preciosidades disponibilizadas por Cuba aos EUA está o telegrama da Academia Sueca anunciando a entrega do Prêmio Nobel de Literatura ao escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961)


"Mais de dois mil documentos preservados no Museu Finca Vigia de Havana (a casa de Hemingway na ilha) estão agora disponíveis para os investigadores nos Estados Unidos, depois de serem digitalizados e transferidos para a Biblioteca e Museu Presidencial John F. Kennedy" , indicou a revista Cuba Contemporânea em seu site (www.cubacontemporanea.com).

"Este material reflete a vida diária de Hemingway em Cuba. Permite um olhar muito pessoal de sua vida", disse à revista Susan Wrynn, curadora da Biblioteca Kennedy. Esta é a segunda entrega de cópias digitalizadas dos preciosos documentos de Hemingway mantidos há décadas no museu em Havana. A primeira parte foi disponibilizada para a American Library, em 2008, mediante acordo.

"Entre outros documentos, a coleção digitalizada inclui telegramas como o Dr. Anders Osterling, da Academia Sueca, notificando o escritor de seu Prêmio Nobel de Literatura de 1954, e outras cartas de felicitação enviadas por Carl Sandburg, Spencer Tracy, Veronica "Rocky" Cooper (esposa de Gary Cooper), Lillian Ross, John Huston e Adriana Ivancich, um dos amores do autor de "Por Quem os Sinos Dobram", segundo a revista.

O processo de restauração e digitalização deste legado começou em 2002, após uma parceria entre o Conselho Nacional de Patrimônio Cultural de Cuba e o Social Science Research Council dos Estados Unidos.

A cooperação foi mantida com a Finca Vigia Foundation, criada nos Estados Unidos em 2004 por Jenny Phillips, a neta do editor de Hemingway, Maxwell Perkins, segundo a revista. Estados Unidos e Cuba vivem há meio século disputas políticas e falta de relações diplomáticas, mas existem vários projetos de cooperação acadêmica e cultural, que fogem à regra e apontam um caminho pelo qual pode fluir um processo de aproximação entre as duas nações.

Hemingway morou muitos anos em Cuba. Seu nome está muito associado a este país, não somente por ter morado lá, mas especialmente por uma de suas obras mais famosas, O velho e o mar, se passar em Cuba. Outros romances que se passam em Cuba são As ilhas da corrente e Ter e não ter.

Qualquer leitor que já tenha tido contato com os livros de Hemingway já percebeu que existem muitos temas que se repetem em suas histórias. Temas que Hemingway certamente vivenciou na pele e que o marcaram de tal forma que ele acabou por retratá-los em seus livros. Por exemplo: 

PAÍSES ESTRANGEIROS: a maior parte das histórias de Hemingway se passa fora dos seus Estados Unidos natal, o que demonstra o fascínio do escritor pelas culturas de outros países. O que acaba se convertendo num dos maiores, se não o maior, fascínio da obra hemingwayana: a possibilidade de viajar por diferentes países e conhecer suas diferentes culturas, sem abandonar a comodidade de uma poltrona. Turquia, China, Bahamas, Itália, Suíça, Marrocos: a obra de Hemingway aborda muitos países, mas alguns são abordados com uma frequência especialmente maior. Como por exemplo, temos a:
 

ESPANHA: Hemingway deixa transparecer em vários de seus livros a profunda admiração que nutria pela cultura espanhola. O sol também se levanta, Por quem os sinos dobram e A quinta coluna são exemplos de histórias que se passam na Espanha. As touradas, a festa dos Sanfermines em Pamplona, o País Basco, a Guerra Civil, são todos temas que permeiam as obras de Hemingway, fornecendo-lhes de modo abundante a vitalidade típica da alma espanhola. E os espanhóis souberam reconhecer esta homenagem de Hemingway à terra espanhola, batizando duas ruas com seu nome: uma em Ronda, na Andaluzia e outra em Pamplona, em Navarra. 

FRANÇA: Hemingway morou durante o período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial em Paris, fazendo parte da chamada "geração perdida". Este meio de cafés e intelectuais portanto lhe era bem familiar, sendo por ele retratado em obras como Paris é uma festa e O sol também se levanta.

Além de Paris, outras regiões francesas citadas nas obras de Hemingway são a Provença (O jardim do Éden) e o País Basco Francês (O sol também se levanta).

CULTURA BASCA: Hemingway tinha uma ligação muito forte com a cultura basca, como se pode notar por exemplo em O Sol também se levanta. Provavelmente era atraído pelo espírito forte e independente deste povo, que preserva sua identidade a todo custo. 

ÁFRICA: Hemingway gostava de viajar à África para caçar. Suas experiências nesse continente estão expressas em obras como As verdes colinas da África, Verdade ao amanhecer e As neves do Kilimanjaro, sendo que este último deu origem a um famoso filme de 1952 estrelado por Gregory Peck, Susan Hayward e Ava Gardner. A região africana que costumava ser retratada nos livros de Hemingway era a do Quênia e da Tanzânia e o tema sempre era a caçada aos grandes mamíferos africanos (kudu, rinoceronte, leão, leopardo, gnu, antílope etc.). 

CUBA: Hemingway morou muitos anos em Cuba. Seu nome está muito associado a este país, não somente por ter morado lá, mas especialmente por uma de suas obras mais famosas, O velho e o mar, se passar em Cuba. Outros romances que se passam em Cuba são As ilhas da corrente e Ter e não ter. 

ÁLCOOL: Sempre se bebe muito nos livros de Hemingway. Pode ser vinho na Espanha ou França, cerveja ou uísque com soda na África, daiquiri ou outro drinque qualquer em Cuba. Não importa o local, os personagens de Hemingway estão sempre aliviando suas angústias com doses generosas de álcool, beirando o alcoolismo. 

DESILUSÕES AMOROSAS: Os personagens de Hemingway nunca são bem-sucedidos em seus relacionamentos amorosos. O que nada mais é que um reflexo das próprias decepções do escritor neste campo, pois ele casou e divorciou-se várias vezes. Em seus livros, o protagonista pode amar uma mulher e ser correspondido, mas não pode consumar este sentimento devido a ferimentos de guerra. É o caso do protagonista de O Sol também se levanta, Jake Barnes, jornalista emasculado por um ferimento de guerra. Talvez uma referência à vida do basco Inácio de Loyola, o fundador da ordem religiosa dos jesuítas, que, após ser gravemente ferido entre as pernas em uma batalha, abandonou a vida desregrada que levava e abraçou a religião. Ou o protagonista pode ter de abandonar sua amada para outro homem no final da história e morrer, como o Robert Jordan de Por Quem Os Sinos Dobram. Não importa. Na vida e nos livros, Hemingway sempre é um infeliz no amor. 

FINAL TRÁGICO: Os livros de Hemingway quase nunca terminam com um final feliz. Hemingway era avesso a qualquer idealização da vida, a qual sempre procurava retratar de uma maneira fiel, realista. Normalmente, finalizava os livros com o herói prestes a morrer (As ilhas da corrente, Por quem os sinos dobram ou Na outra margem do rio, entre as árvores) ou com a morte de um ente querido (Adeus às armas). Existem algumas exceções, como alegre tom final de As verdes colinas da África. 

NATUREZA: Hemingway era um grande fã da natureza. Isto pode ser facilmente percebido nas suas detalhadas descrições da natureza (como no conto O grande e generoso rio), nas suas constantes menções a caça (a caça aos patos em Do outro lado do rio, entre as árvores, a caça aos kudus e antílopes de As verdes colinas da África) e pesca (as pescas exaustivamente descritas de O Velho e o mar e As ilhas da corrente). 

GUERRA: Hemingway tinha uma visível atração pela guerra, o que se refletiu tanto em sua vida pessoal quanto em seus livros. Em regra, participava pessoalmente das guerras, seja como motorista de ambulância (na Primeira Guerra Mundial), seja como correspondente de guerra (na Guerra Civil Espanhola) ou combatente (na Segunda Guerra Mundial), e depois transportava estas experiências para seus livros (Adeus às armas, Por quem os sinos dobram, As ilhas da corrente etc.).

No entanto, pode-se dizer que tinha uma atitude ambígua em relação à guerra. Ao mesmo tempo em que se sentia atraído por ela, denunciava sua crueldade e a dor que provocava. Prova disso são títulos como Adeus às armas e Por quem os sinos dobram.

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