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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Indicado ao Oscar em seis categorias, Nebraska se revela uma obra de delicadeza singular



Existe uma categoria especial de filmes que é composta por obras tão delicadas, que dão a impressão de terem sido feitas de forma quase artesanal. Com o esmero de um ouvires ao lapidar a joia mais rara que já passou por suas mãos, essas películas transmitem, ainda, a falsa sensação de serem mais simples do que na verdade são

Alexander Payne é um diretor bem interessante, marcado pela sensibilidade com que trata seus personagens e também pelo humor peculiar. Em Nebraska, ele utilizou diversos elementos que funcionaram anteriormente em seus filmes, como o senhor que sente a chegada da idade (As Confissões de Schmidt), as viagens na estrada (Sideways - Entre Umas e Outras) e a grande e disfuncional família (Os Descendentes). Tudo isso, por sinal, funciona em completa sintonia, graças a um elenco inspirado.

Após receber uma propaganda pelo correio, Woody acredita ter US$ 1 milhão a receber. Para isso, teria que viajar para Lincoln, no Nebraska. Sem condições físicas e com sérios problemas de saúde, ele incomoda a esposa com a ideia e acaba convencendo o filho David a acompanhá-lo.

Woody é vivido por Bruce Dern, que entrega uma atuação dura e ao mesmo tempo cativante. O público se identifica totalmente com seu objetivo, ainda que saiba que a realidade daquele sujeito é bem triste. Aos 77 anos, o pai de Laura Dern faz lembrar aquele grande ator de filmes como Amargo Regresso (1978).

Mas Dern não está sozinho. June Squibb surge como a esposa de Woody, uma mulher sem muita paciência com o marido, fruto de toda uma vida passada lado a lado. A personagem, no entanto, se mostra muito apaixonada e a atriz consegue passar muito bem o ceticismo necessário. David é vivido por Will Forte, bom comediante que surpreende em um papel que exige muito. Ele não acredita no pai, mas ao mesmo tempo não vê nenhum mal em perseguir o sonho do milhão. O núcleo familiar principal é completado por Bob Odenkirk. O Saul Goodman de Breaking Bad vive o outro filho do casal principal.

Nebraska é um longa de delicadeza única. Conta com personagens envolventes e consegue encantar e divertir mesmo diante de um cenário de completa melancolia, em que um idoso é obrigado a confrontar a nova situação de completa dependência.

Escrito por Bob Nelson, que faz sua estreia nos cinemas, o roteiro tem um humor todo particular, nascido não só no absurdo das situações, mas também na presença de personagens pra lá de curiosos.

Payne acertou em cheio ao decidir rodar o longa em preto e branco. Ainda que não tenha a sensação de datada, uma vez que é tudo belo e nítido, a imagem passa muito bem o sentimento de melancolia. Outra opção interessante foi a utilização de uma bela trilha sonora instrumental, que dita o ritmo sem querer, ela própria, produzir emoções.

Belo, sensível, triste, divertido e cativante. Este é Nebraska, filme que recebe o nome de um estado tratado como um lugar onde nada demais pode acontecer. Ao menos, nas telonas, isso não é verdade.


Fonte: adorocinema

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