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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Falando de caráter, compreensão e amor!



Os três pequenos textos abaixo, são diferentes nas abordagens mas perfeitamente simétricos na essência. Falam de inúteis com complexo de superioridade, disparidades sociais motivadas pelo poder aquisitivo, soberba e falta de solidariedade, itens que, infelizmente permeiam a sociedade contemporânea. Em meio a tantas iniquidades do mundo moderno, o Artecultural faz uma chamamento à reflexão sobre temas bem mais amenos

Jean passeava com seu avô por uma Praça de Paris. A determinada altura viu um sapateiro sendo destratado por um cliente, cujo calçado apresentava um defeito. O sapateiro escutou calmamente a reclamação, pediu desculpas, e prometeu refazer o erro.

Pararam para tomar um café num bistrô. Na mesa ao lado, o garçom pediu a um homem que movesse um pouco a cadeira, para abrir espaço. O homem irrompeu numa torrente de reclamações, e negou-se.

- Nunca esqueça o que viu - disse o avô para Jean.

- O sapateiro aceitou uma reclamação, enquanto este homem a nosso lado não quis mover-se. Os homens úteis, que fazem algo útil, não se incomodam de serem tratados como inúteis. Mas os inúteis sempre se julgam importantes, e escondem toda a sua incompetência atrás da autoridade.

O presente errado

Miie Tamaki resolveu largar tudo que fazia - era economista - para dedicar-se à pintura. Durante anos procurou um mestre adequado, até que encontrou uma mulher especialista em miniaturas, que vivia no Tibet. Miie deixou o Japão e foi para as montanhas tibetanas, aprender o que precisava. Passou a morar com a professora, que era extremamente pobre.

No final do primeiro ano, Miie voltou ao Japão por alguns dias, e retornou ao Tibet com malas cheias de presentes. Quando a professora viu o que ela tinha trazido, começou a chorar, e pediu que Miie não voltasse mais a sua casa, dizendo:

- Antes, nossa relação era de igualdade e amor. Você tinha teto, comida, e tintas. Agora, ao me trazer estes presentes, você estabelece uma diferença social entre nós. Se existe esta diferença, não pode existir compreensão e entrega.

O que salva o amor

L. Barbosa conta a história de uma ilha onde viviam os principais sentimentos do homem: Alegria, Tristeza, Vaidade, Sabedoria, e Amor. Um dia, a ilha começou a afundar no oceano; todos conseguiram alcançar seus barcos, menos o Amor.

Quando foi pedir a Riqueza que o salvasse, esta disse:

- Não posso, estou carregada de joias e ouro.

Dirigiu-se ao barco da Vaidade, que respondeu:

- Sinto muito, mas não quero sujar meu barco.

O Amor correu para a Sabedoria, mas ela também recusou, dizendo:

- Quero estar sozinha, estou refletindo sobre a tragédia, e mais tarde vou escrever um livro sobre isto.

O Amor começou a se afogar. Quando estava quase morrendo, apareceu um barco - conduzido por um velho - que o terminou salvando.

- Obrigado - disse, assim que se refez do susto. - Mas quem é você?

- Sou o Tempo - respondeu o velho. Só o Tempo é capaz de salvar o Amor.

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