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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Exposição mostra nuances da obra de Henri Cartier-Bresson no Centre Pompidou, em Paris


 
Henri Cartier-Bresson era uma artista inato. Pensou como artista, viveu como artista. Genuíno em tudo o que fez e em tudo o que disse. Descomplicado para falar, para fotografar, para pintar, para viver... Falava o óbvio ululante e por isto mesmo era genial












Amava a liberdade acima de tudo e antes de tudo. Não se deixou prender, não se deixou encurralar. A liberdade era sua religião. Jamais ficou num brete. Amava o rádio, pois dizia que através deste veículo se usa mais a imaginação. Não gostava da luz ofuscante. Não gostava que tirassem fotografias deles...dizia não querer que fizessem com ele, aquilo que fez toda a vida com os outros. 

Cobriu o rosto sempre que pode. Cartier-Bresson era artista de vanguarda, lírico, pintor, desenhista, literato, foto-jornalista... um poeta.Uma merecida e grandiosa exposição de obras originais, mostra uma retrospectiva inédita de Henri Cartier-Bresson, foi inaugurada na última semana no Centro Pompidou, a primeira na Europa após o desaparecimento do mestre, tem três grandes méritos. 

Primeiro, é a revelação comovente das inúmeras e desconhecidas facetas de um percurso de 70 anos, totalmente oposta às aproximações “unificadoras” que tentaram colocá-lo até agora dentro de uma mesma entidade estilística. Segundo, restitui a “aura” da fotografia como objeto exclusivo, questionando a ideia benjaminiana da reprodutibilidade técnica. Por último, constitui a perfeita demonstração do que é, e não é, a fotografia enquanto arte, em nossos dias.

O que detonou sua vida de fotógrafo foi a fotografia de Martin Munkasci publicada na Revista Photographies em 1931, onde os 3 meninos negros nus no Congo, que saem correndo em direção às ondas do mar, numa coreografia de dança, com a liberdade genuína do ser humano...totalmente livres sem obstáculos, poderosamente sensuais, exuberantes, joviais, vivos... leves e verdadeiros, brincando entre si, como se fossem os únicos possuidores da verdade humana. Eles personificam a liberdade, a carne sem pecado. Bastidores

O mestre tinha a rara capacidade de perceber (e entender) rapidamente o que se passava em cada lugar, momento, e nos bastidores de cada evento. Paralelamente ao trabalho engajado ou jornalístico, tecia uma espécie de antropologia visual admirável. Onde quer que estivesse fazia, por conta própria, séries de imagens, como se fossem enquetes temáticas ou transversais, sobre questões da sociedade. Era, segundo ele, uma “combinação de reportagem, filosofia e análise social e psicológica”.

O final da exposição é um pouco melancólico. A partir dos anos 70, o fotógrafo encontra a sua futura mulher, descobre o budismo e “deixa a calçada” para cuidar da sua celebridade. E também deixa a Magnum para supervisionar os seus arquivos, vender tiragens, exibi-las e publicar livros. Realiza apenas ocasionalmente algumas imagens mais contemplativas. É nos museus, a desenhar, que passa a maior parte do seu tempo. A fotografia, para ele, é um “pequeno ofício”. Como se o desenho e a pintura fossem, de fato, a única maneira de transcender o real que ele “observava, observava, observava e, pelos olhos, compreendia”. Talvez Cartier-Bresson tivesse razão.

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