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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Bombas do Riocentro, em 1981: justiça ainda que tardia?



Em 1981, militares "patriotas" fracassam em matar inocentes, num show de música popular no Rio Centro. Havia no Riocentro uma multidão de 18.000 pessoas, assistindo a um show artístico em homenagem ao Dia do Trabalhador. No momento da explosão - 21 h20m – se apresentava a cantora paraibana Elba Ramalho 

O Ministério Público Federal denunciou nesta segunda-feira (17) seis agentes da ditadura militar por suspeita de participação no atentado do Riocentro, em 1981. Esta é a terceira investigação do caso. Em 33 anos, ninguém foi preso ou condenado.

O atentado foi tramado pela chamada linha dura para causar pânico em um show que reuniu pouco mais de 18 mil pessoas na zona oeste do Rio. O plano deu errado, e uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme do Rosário, que morreu no local.

O Ministério Público pede que eles sejam condenados a penas de ao menos 36 anos de prisão, com perda de aposentadorias e condecorações. De acordo com os procuradores, Newton Cruz, então chefe da agência central do Serviço Nacional de Informações (SNI), admitiu em novo depoimento que soube previamente do atentado. "Ele tinha o dever de intervir, mas não fez nada. Ao se omitir, contribuiu para a explosão das bombas", disse o procurador Antônio Cabral.

Além dos quatro, foram denunciados o general reformado Edson de Sá Rocha, por suspeita de associação criminosa armada, e o major reformado Divany Carvalho Barros, por fraude processual. O Ministério Público afirma que outros nove suspeitos de envolvimento no atentado já morreram. Os seis denunciados não foram localizados ontem à tarde. Caso a denúncia seja aceita, eles terão direito a apresentar defesa à Justiça Federal.

Apesar de decorridos mais de três décadas, os procuradores dizem que os crimes não devem ser considerados prescritos porque ocorreram num contexto de lesa-humanidade.

Bombas no Riocentro: O Brasil não pode esquecer

Vimos que no caso Para Sar se planejaram ações criminosas cuja execução previa atentados a bomba e outras práticas terroristas que "propiciariam um clima de pânico e histeria coletiva", consoante as palavras do Brigadeiro Eduardo Gomes. Assim, toda vez que se fala no plano macabro de Bumier há que se lembrar da bomba explodida no Riocentro, ampla área de estacionamento na Tijuca, no Rio. A explosão ocorreu dentro de um automóvel puma, na noite de 30 de abril de 1981, com a bomba no colo do Sargento do Exército Guilherme Pereira do Rosário, cuja morte foi instantânea. Ao lado do sargento, no volante, estava o Capitão Wilson Luiz Chaves Machado, o qual, ato contínuo, sai do Puma segurando vísceras à altura do estômago.

Havia no Riocentro uma multidão de 18.000 pessoas, assistindo a um show artístico em homenagem ao Dia do Trabalhador. No momento da eclosão - 21 h20m - cantava Elba Ramalho.

Somente, pois, não aconteceram o pânico e a histeria coletivos porque o explosivo estourou no colo do sargento. O plano visava exatamente a multidão. Tanto que uma segunda bomba explodiu alguns minutos depois na casa de força do Riocentro. Sua carga não foi suficiente para afetar os dispositivos produtores da iluminação e o show continuou, sem o público ficar sabendo do que se passara. :É oportuno lembrar, a propósito, que os planos de Burnier, no caso Para-Sar, também incluíam destruição de instalações de força e luz.

Na tarde daquele dia o sargento e o capitão tinham sido vistos no restaurante Cabana da Serra, na estrada Grajaú -Jacarepaguá. Garçons suspeitaram tratar-se de assaltantes de bancos, porquanto estavam à paisana, armados e a examinar um mapa. Chamaram a polícia. Compareceram dois soldados da rádio patrulha. Os estranhos identificaram-se como agentes da Polícia Federal. Em face disto os garçons apenas anotaram as chapas dos seus veículos, entre estes o Puma - placa OT-0279. O encontro, ali, do sargento e do capitão, viria depois a ser por este confirmado.

Guilherme e Wilson chegaram ao Riocentro faltando dois minutos para as 21 horas. O capitão pagou o bilhete de n.º 64.270 a fim de estacionar o seu carro. Às 21 h07m o comerciário João de Deus Ferreira Ramos estaciona seu Volkswagen ao lado direito do Puma chapa OT-0279 e cumprimenta seus dois ocupantes, mas nem o Sargento Rosário nem o Capitão Machado respondem. Ferreira Ramos diz ter certeza da hora exata porque já estava atrasado para o show e se confessa "um maníaco por horários". No final do show, estarrecido ao saber da explosão, ele contaria seu encontro com os dois militares. Nos dias seguintes, porém, o comerciário passaria a fugir da imprensa para não falar do caso. Mas acabou depondo.

Esse depoimento é importantíssimo porque revela que, no mínimo sete e no máximo doze minutos antes da explosão da bomba no colo do sargento, este e o capitão se encontravam no Puma, já que às 21 h15m/21 h20m, "o Capitão Wilson Luiz Chaves Machado liga o motor do seu automóvel, engata a marcha a ré e começa a sair da vaga onde estivera estacionado. Dentro do pavilhão de espetáculos, a cantora Elba Ramalho ainda não terminou seu número; distante dali, na bilheteria do estacionamento, Tenente César Wachulec está contrariado: além de ter sido afastado da chefia de segurança, ele constata que a Polícia Militar não enviou os soldados que havia solicitado. O pátio do estacionamento está despoliciado. O carro do Capitão Machado percorre poucos metros. Mal saiu da vaga e uma bomba explode em seu Interior" .

Aproximadamente vinte e cinco minutos depois, uma neta do Senador Tancredo Neves - Andréa Neves da Cunha, que acabara de chegar para o show, com seu noivo Sérgio Vali e - leva em seu carro o capitão para o hospital Lourenço Jorge. Mas os médicos preferem atendê-lo no Hospital Miguel Couto e o conduzem para ali. Apesar da gravidade dos ferimentos o capitão escapa.

Fonte: CMI Brasil

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