sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Londres realiza exposição dedicado aos retratos da I Guerra Mundial



A mostra "A Grande Guerra em retratos" foi inaugurada nesta quinta-feira na Portrait National Gallery, como parte dos eventos de recordação do centenário do início do conflito (1914-1918)

O progresso fez da I Guerra Mundial o primeiro conflito com cobertura de fotografias, cinema ou rádio, isolando o retrato tradicional, que volta a ganhar destaque em uma exposição de Londres. A mostra "A Grande Guerra em retratos" foi inaugurada nesta quinta-feira (27/2) na Portrait National Gallery, como parte dos eventos de recordação do centenário do início do conflito (1914-1918). Integrada principalmente por pinturas, mas também com fotografias e esculturas, todas imortalizando protagonistas do conflito.

Reis, generais, políticos, heróis e soldados - saudáveis, chocados com uma explosão ou desfigurados -, integram uma mostra que pretende "conectar com os que estiveram lá", disse à AFP o curador da exposição, Peter Moorhouse. "Esta mostra não é de história militar, é sobre a Grande Guerra, mas aborda o tema de uma perspectiva diferente. Não é sobre linhas no mapa, nem sobre estatísticas, é sobre a experiência humana, nos conectamos com os que estiveram lá e a maneira de fazer isto é com seus retratos", explicou Moorhouse.

Indicado ao Oscar em seis categorias, Nebraska se revela uma obra de delicadeza singular



Existe uma categoria especial de filmes que é composta por obras tão delicadas, que dão a impressão de terem sido feitas de forma quase artesanal. Com o esmero de um ouvires ao lapidar a joia mais rara que já passou por suas mãos, essas películas transmitem, ainda, a falsa sensação de serem mais simples do que na verdade são

Alexander Payne é um diretor bem interessante, marcado pela sensibilidade com que trata seus personagens e também pelo humor peculiar. Em Nebraska, ele utilizou diversos elementos que funcionaram anteriormente em seus filmes, como o senhor que sente a chegada da idade (As Confissões de Schmidt), as viagens na estrada (Sideways - Entre Umas e Outras) e a grande e disfuncional família (Os Descendentes). Tudo isso, por sinal, funciona em completa sintonia, graças a um elenco inspirado.

Após receber uma propaganda pelo correio, Woody acredita ter US$ 1 milhão a receber. Para isso, teria que viajar para Lincoln, no Nebraska. Sem condições físicas e com sérios problemas de saúde, ele incomoda a esposa com a ideia e acaba convencendo o filho David a acompanhá-lo.

Woody é vivido por Bruce Dern, que entrega uma atuação dura e ao mesmo tempo cativante. O público se identifica totalmente com seu objetivo, ainda que saiba que a realidade daquele sujeito é bem triste. Aos 77 anos, o pai de Laura Dern faz lembrar aquele grande ator de filmes como Amargo Regresso (1978).

Mas Dern não está sozinho. June Squibb surge como a esposa de Woody, uma mulher sem muita paciência com o marido, fruto de toda uma vida passada lado a lado. A personagem, no entanto, se mostra muito apaixonada e a atriz consegue passar muito bem o ceticismo necessário. David é vivido por Will Forte, bom comediante que surpreende em um papel que exige muito. Ele não acredita no pai, mas ao mesmo tempo não vê nenhum mal em perseguir o sonho do milhão. O núcleo familiar principal é completado por Bob Odenkirk. O Saul Goodman de Breaking Bad vive o outro filho do casal principal.

Nebraska é um longa de delicadeza única. Conta com personagens envolventes e consegue encantar e divertir mesmo diante de um cenário de completa melancolia, em que um idoso é obrigado a confrontar a nova situação de completa dependência.

Escrito por Bob Nelson, que faz sua estreia nos cinemas, o roteiro tem um humor todo particular, nascido não só no absurdo das situações, mas também na presença de personagens pra lá de curiosos.

Payne acertou em cheio ao decidir rodar o longa em preto e branco. Ainda que não tenha a sensação de datada, uma vez que é tudo belo e nítido, a imagem passa muito bem o sentimento de melancolia. Outra opção interessante foi a utilização de uma bela trilha sonora instrumental, que dita o ritmo sem querer, ela própria, produzir emoções.

Belo, sensível, triste, divertido e cativante. Este é Nebraska, filme que recebe o nome de um estado tratado como um lugar onde nada demais pode acontecer. Ao menos, nas telonas, isso não é verdade.


Fonte: adorocinema

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Músico pernambucano Naná Vasconcelos funde a cultura hip-hop com ritmos nordestinos, no Carnaval do Recife


 

O ensaio geral para a abertura do Carnaval 2014 do Recife foi realizado na última terça-feira (25), no Marco Zero. Vários maracatus comandados pelo percussionista Naná Vasconcelos e o cantor Marcelo D2 foram as atrações presentes. Naná voltará a se apresentar na sexta-feira (28/2) na abertura do carnaval do Recife

Os ouvidos afiados do percussionista Naná Vasconcelos estiveram sempre à procura da mistura. Uma das experiências mais ousadas que ele promoveu ocorreu no início dos anos 1980, quando vivia nos Estados Unidos. 

Ao perceber o desabrochar da dança de rua que vinha da periferia de Nova York, o músico achou que a manifestação cairia bem com doses de coco e maracatu. Assim, Naná saiu em turnê pela Europa com o grupo Magnificent Force, unindo pioneiramente a cultura hip- hop aos ritmos nordestinos.

“Eles é que me fizeram usar a bateria eletrônica pela primeira vez”, contou Naná ao Correio, por telefone. Nesta sexta-feira (28/2), na abertura do carnaval do Recife, o músico lança mão novamente da fusão. No concerto que dá a largada para os festejos de momo na capital pernambucana, no Marco Zero, a partir das 19h, Naná, ao lado de 11 nações de maracatu — cerca de 600 músicos —, receberá no palco os rappers Marcelo D2 e Zé Brown.

“Todo mundo quer participar”, comemorou um animado Naná, pouco antes do primeiro ensaio geral para a festa. O percussionista abre o carnaval da cidade há 13 anos, mas é a primeira vez que terá o carioca D2 por perto. “Zé Brown é pernambucano, então ele e Marcelo têm dois vocabulários absolutamente diferentes. Brown vem das emboladas, das feiras. É uma coisa absolutamente nordestina”, detalha o veterano.

As grandes exposições em 2014 em Paris são atrações imperdíveis para franceses e visitantes




A sempre cosmopolita e charmosa Paris está sem repleta de atrações ligadas ao mundo cultural e artístico. Gustave Doré e Jean-Baptiste Carpeaux no museu de Orsay, Henri Cartier-Bresson e Marcel Duchamp no centro Pompidou, Lucio Fontana no museu de arte moderna da cidade são algumas das atrações
Ainda tem Bill Viola e Niki de Saint-Phalle no Grand Palais, Monumenta 2014 com Ilya e Emilia Kabakov igualmente no Grand Palais, “Tatuadores, tatuados” no museu do quai Branly… Descubra as exposições mais importantes dos grandes museus parisienses em 2014.
Gustave Doré (1832-1883). O imaginário ao poder
Museu de Orsay – 5 de fevereiro a 15 de maio de 2014

Gustave Doré é um dos artistas mais prodigiosos do século XIX. Como ilustrador, trabalhou com os maiores textos e autores (a Bíblia, Dante, Rabelais, Perrault, Cervantes, Milton, Shakespeare, Hugo, Balzac, Poe), e ocupa um lugar crucial no imaginário contemporâneo, tal como exerce influência na história em quadradinhos; muitas facetas que esta primeira retrospectiva ao fim de trinta anos, organizada no museu de Orsay, deseja explorar.
Henri Cartier-Bresson
Centro Pompidou - 12 de fevereiro a 9 de junho de 2014

O Centro Pompidou organiza uma grande retrospectiva da obra de Henri Cartier-Bresson, figura mítica da fotografia do século XX, por ocasião do décimo aniversário da fundação Henri Cartier-Bresson, Meca da fotografia em Paris.
Bill Viola
Grand Palais - 3 de março a 28 de julho de 2014

O artista americano Bill Viola, nascido em Nova Iorque em 1951, é um dos mais célebres representantes atuais da arte vídeo. Um grande conjunto da sua obra, de 1975 até hoje, combinando telas em movimento e instalações monumentais, é pela primeira vez apresentado no Grand Palais. Em uma busca ao mesmo tempo intimista e universal, o artista exprime sua jornada emocional e espiritual através de grandes temas metafísicos – vida, morte, transfiguração…
Lucio Fontana
Museu de arte moderna da cidade de Paris - 24 de abril a 24 de agosto de 2014

Lucio Fontana (1899-1968) é, com Giorgio de Chirico, um dos artistas italianos que mais marcou o século XX. Escultor de formação, inventor do movimento espacialista, é um modelo para os movimentos de vanguarda dos anos 1960, especialmente por suas telas cortadas. Esta exposição retrospectiva reúne cerca de duzentas obras apresentadas de forma cronológica, por grandes ciclos pictóricos: primitivismo e abstração dos anos 1930, cerâmicas, espacialismo, telas esburacadas ou cortadas e instalações.
Monumenta 2014: Ilya e Emilia Kabakov. Cidade
Grand Palais – 10 de maio a 22 de junho de 2014

Criado em 2007 pelo ministério da Cultura, o conceito Monumenta consiste em pedir a um grande artista contemporâneo para ocupar 35.000 m2 da nave do Grand Palais em Paris com uma obra inédita, durante o tempo de uma exposição. Para Monumenta 2014, o casal de artistas conceituais russos instalados nos Estados Unidos, Ilya e Emilia Kabakov, interpretam a dimensão das formas através de uma cidade utópica com, mas também o "gigantismo das ideias". Emilia Kabakov é a primeira artista feminina convidada a participar em Monumenta.
Tatuadores, tatuados - "Tatoueurs, tatoués"
Museu do quai Branly - 6 de maio a 19 de julho de 2014

Na pegada das grandes exposições antropológicas apresentadas no museu do quai Branly, "Tatuadores, tatuados" põe em perspectiva a dimensão artística e moderna da tatuagem através da sua história planetária e milenária. A exposição recorda as origens da tatuagem e apresenta a renovação desse fenômeno, doravante permanente e mundializado, e deseja prestar homenagem aos pioneiros da era moderna, esses "heróis" que promoveram a evolução dessa arte cujo papel nunca foi oficialmente reconhecido.
Jean-Baptiste Carpeaux
Museu de Orsay - 24 de junho a 30 de setembro de 2014

Devido à brevidade e à fulgurância da sua carreira, concentrada sobre uma quinzena de anos, à violência e à paixão de um labor sem tréguas, tratando de temas por ele escolhidos ou que lhe foram encomendados (o pavilhão de Flore do Louvre, A Dança para a Ópera de Charles Garnier), o escultor Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875) é uma das mais perfeitas encarnações da ideia romântica do artista maldito. Esta exposição, primeira retrospectiva desde 1975 consagrada a Carpeaux, propõe explorar a obra contrastada de uma figura importante da escultura francesa da segunda metade do séc. XIX, que segundo Alexandre Dumas, fazia "mais vivo que a vida".
Marcel Duchamp. A Pintura
Centro Pompidou - 24 de setembro de 2014 a 5 de janeiro de 2015

Através de uma centena de obras, o Centro Pompidou consagra uma exposição excepcional à obra pictórica de Marcel Duchamp, de 1910 a 1923. Abordagem inédita, voluntariamente paradoxal, a exposição apresenta quadros daquele que, segundo a doxa, teria "matado a pintura". Marcel Duchamp, "anartista" iconoclasta a partir dos anos 1920, reuniu conscienciosamente as suas pinturas anteriores, colocando-as nas mãos de um pequeno círculo de colecionadores e reproduzindo-as na sua Boîte-en-valise. Pouco conhecidas na Europa, estas pinturas na sua maioria conservadas no museu de Filadélfia, estarão assim excepcionalmente reunidas no Centro Pompidou.
Niki de Saint Phalle
Grand Palais - 8 de outubro de 2014 a 18 de janeiro de 2015

O Grand Palais organiza uma grande retrospectiva da obra de Niki de Saint Phalle (1930-2002), pintora e escultora, casada com o artista Jean Tinguely, e com o qual realizou a Fontaine Stravinsky que se encontra em frente do Centro Pompidou, em Paris (1983). Esta artista entrou na cena artística em 1961 com os seusTiros, destinados a "fazer sangrar a pintura", Niki de Saint Phalle é a autora das célebres esculturas de planturosas Nanas e de esculturas monumentais reunidas no Jardim do Tarô na Toscana. Esta retrospectiva é ocasião para revisitar o percurso de uma das artistas menos convencionais do seu tempo.
Jeff Koons
Centro Pompidou - 26 de novembro de 2014 a 27 de abril de 2015

Em parceria com o Whitney Museum of American Art de Nova Iorque, o Centro Pompidou organiza a primeira retrospectiva importante consagrada, na Europa, à obra de Jeff Koons. Explorando desde há trinta e cinco anos as novas abordagens do "ready made" e da apropriação, desafiando as fronteiras entre cultura de elite e cultura de massa, transformando a relação dos artistas com o culto à celebridade e com as regras do mercado, Jeff Koons é um dos mais famosos artistas contemporâneos, mas igualmente um dos mais controversos. A exposição apresenta, em ante-estreia, as novas criações do artista, bem como as suas obras mais conhecidas: Rabbit (1996), Michael Jackson and Bubbles (1988), Balloon Dog (1994-2000) e a série de aquários Equilibrium (1985).


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Responsáveis pelo colorido todo especial do Carnaval de Salvador, os blocos afro completam 40 anos no carnaval de Salvador



Em 1974, no Bairro da Liberdade, na capital baiana, dois amigos decidiram criar o Ilê Aiyê, uma agremiação carnavalesca formada só de negros tendo como uma das bandeiras de luta o combate ao racismo

O batuque dos tambores, o colorido das fantasias, a dança e a alegria contagiante são as marcas dos blocos afro, que há 40 anos arrastam milhares nas ruas de Salvador. Junto com os afoxés, representam a cultura negra e são os homenageados do carnaval deste ano.

Em 1974, no Bairro da Liberdade, dois amigos decidiram criar uma agremiação carnavalesca formada só de negros. Nascia assim o Ilê Aiyê. Antônio Carlos Vovô, um dos fundadores, conta que o bloco afro surgiu para combater o racismo. “Na época, os grandes blocos e clubes eram todos de brancos. A participação do negro era só tocando ou carregando alegorias. Por isso, resolvemos criar um bloco onde o negro fosse também peça principal”, disse.

O primeiro desfile teve 100 participantes. Quatro décadas depois, os associados somam mais de 3 mil. Em sua trajetória, o Ilê Aiyê levou novos ritmos para a festa e contribuiu para a criação de outros blocos afro, como o Malê Debalê (1979), Olodum (1979), Muzenza (1981), Cortejo Afro (1998) e o Bankoma (2000). No carnaval deste ano, o tema do bloco é Do Ilê Axé Jitolú para o Mundo, “Ah, se não fosse o Ilê Aiyê”, que vai contar o contexto histórico em que o bloco foi criado. "O Ilê Aiyê surge dentro do Ilê Axé Jitolu, com as bênçãos da Yalorixá Hilda Jitolu, com a intenção de mudar o paradigma do carnaval de Salvador. Ao longo dos seus 40 anos, abordou vários assuntos ligados à temática negra", conforme site do bloco.


Para o professor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia, Paulo Miguez, os blocos contribuem para a preservação da cultura africana. “Os blocos afro têm uma importância na cena cultural baiana que ultrapassa largamente o carnaval. Quando emergem, causam um impacto que vai se espraiar pelo conjunto da cultura baiana e vai trazer não só um desejo de participar da festa, mas um desejo de afirmação étnica e política das comunidades negras e mestiças”, explica.

Nas músicas, os blocos falam sobre a valorização da cultura negra e a luta contra o preconceito. O ritmo fica por conta dos instrumentos de percussão: atabaque, surdo, repique, timbau e tarol.

Já no bloco Didá, as mulheres assumem o comando do tambor. Integrante do grupo, Viviane Queiroz, 37 anos, explica qual é o diferencial do bloco, composto somente por mulheres. “Nós adaptamos a herança da dança afro ao tambor. Hoje, a gente tem uma forma feminina e diferenciada de tocar. Podemos explorar as coreografias e dançar, coisa que os homens não fazem”. Criado para inclusão das mulheres negras no cenário musical, o Didá desfilou pela primeira vez em 1995, com cerca de 100 integrantes vestidas de egípcias. No ano seguinte, 2 mil saíram pelas ruas em homenagem a princesa Anastácia. Atualmente, são 3 mil associadas.

Nomeado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, o Pelourinho, no centro histórico, é palco dos desfiles da maioria dos grupos e também onde surgiu o Olodum, que tem como marca o samba-reggae. “O Olodum criou esse ritmo com o músico Neguinho do Samba, nos anos 80, em Salvador”, diz o presidente do bloco, João Jorge.

Além dos desfiles, a maioria dos blocos promove ações educativas e de formação profissional para os moradores das periferias. O Olodum, por exemplo, ensina 460 crianças e jovens da região a cantar e tocar um instrumento. “A gente também tem aula de liderança. Eles falam sobre o racismo, ensinam a gente a nos conhecer melhor", conta Dandara Amorim, 16 anos, que há dois anos frequenta as aulas de dança.

Já os afoxés, que significa candomblé de rua, levam para a folia os rituais dos terreiros. Um dos mais representativos é o Afoxé Filhos de Gandhy, criado em 1949 por estivadores do Porto de Salvador. No primeira vez que desfilou, apesar de mais de 100 inscritos, apenas 36 participantes saíram com medo da repressão policial.

O nome foi sugerido por um dos principais fundadores, Vavá Madeira, inspirado na história do líder indiano Mahatma Gandhi, que tinha sido assassinado um ano antes. “Para evitar represálias, o fundador Almir Fialho deu a ideia para mudar a grafia do nome Gandhi, inserindo as letras 'dh' e trocou o 'i' por 'y', ficando Gandhy”, segundo informações publicada no site do bloco.

O grupo é composto somente por homens e há 65 anos tem como objetivo disseminar uma mensagem de paz. De acordo com o presidente da entidade, Agnaldo Silva, os Filhos de Gandhy são uma mistura dos preceitos hindus com as tradições da África. “A nossa indumentária [roupas e acessórios] é hindu, porém nós cultuamos o sincretismo do candomblé”, explicou.

A fantasia é composta por um lençol costurado nas laterais e uma pintura na parte frontal com o tema do desfile. No turbante, é aplicado o broche redondo com uma pedra azul, para simbolizar os marajás indianos. Nos pés, sandálias, meias e faixa. Os colares, azul e branco, reverenciam os orixás Oxalá e Ogum. Antes dos festejos, os integrantes seguem rituais sigilosos e têm obrigações (padê), como forma de respeito ao candomblé. Os afoxés apresentam um ritmo mais leve, com três instrumentos principais: atabaque, agogô e xequerê (parecido com um chocalho).

Com o tema É Diferente, É Carnaval de Salvador, a capital baiana vai homenagear os 40 anos dos blocos afro. O movimento batizado de Afródromo, que reúne os blocos, terá três dias de apresentações no circuito Osmar (Campo Grande): domingo, segunda-feira e terça-feira, a partir das 18h30, atendendo ao horário solicitado pelos blocos, que criticavam os desfiles durante a madrugada.



Agência Brasil

Websérie mostrará encontros de Dominguinhos com vários parceiros com quem ele compartilhou grandes momentos da sua carreira



Documentário do mestre da sanfona foi gravado pouco antes da morte do artista, recordando histórias e fazendo duetos com grandes nomes da música brasileira

“Um Dominguinhos que pouca gente conhece: jazzista, improvisador, universal. Virtuoso que nunca estudou música”. Na carta que escreveu a respeito do projeto que a envolveu por seis anos, Mariana Aydar sintetiza o porquê do seu interesse em realizar uma obra que homenageia este que é um dos ícones da música brasileira. Nela, a cantora menciona uma singularidade bastante marcante na obra desse exímio sanfoneiro: seu refinamento musical, sua universalidade. “Assim era Dominguinhos. Grande, muito grande. Simples, muito simples”, reforça. Tudo isso está presente nos oito capítulos da web série Dominguinhos +, exibidos semanalmente, às quartas-feiras, de 26 de fevereiro a 16 de abril, no documentário Dominguinhos, previsto para estreia em maio.

O músico, também instrumentista, cantor e compositor fez uma série de parcerias musicais ao longo de sua carreira. Dominguinhos já se apresentou e fez duetos com a própria Mariana, além de Elba Ramalho, Gal Costa, Hermeto Pascoal, Gilberto Gil, Nara Leão, Nana Caymmi e, claro, com seu “pai postiço”, como ele gostava de brincar, Luiz Gonzaga. Vencedor de dois Grammys Latino, o músico começou tocando pandeiro, ainda criança, em Guaranhuns, sua cidade natal.

O projeto foi realizado por Mariana Aydar, Duani e Eduardo Nazarian, em associação com a bigBonsai, produtora audiovisual paulistana, e obteve patrocínio do programa Natura Musical mediante seleção no edital nacional de 2010. A ideia que moveu o início do trabalho de pesquisa, há seis anos, e o agendamento dos encontros musicais era reunir parceiros antigos e mais jovens - inspirados pela música de José Domingos de Morais, Nenê, em seu início de carreira, e Dominguinhos, após novo batismo feito por Gonzaga.

A filmagem resultou em dois produtos audiovisuais que se completam, dão voz - e microfone - ao artista falecido em julho do ano passado e contam o início da carreira, a chegada ao Rio, a primeira sanfona, as parcerias e as falas emocionadas de seus companheiros de estrada, instrumentos e palcos.

Os produtores – Deborah Osborn, Felipe Briso e Gilberto Topczewski - explicam a complementariedade dos trabalhos: “À medida que nos aprofundávamos na vida e obra do mestre, ficava clara a necessidade de que essa história tivesse desdobramentos em diversas plataformas. O material era vasto e valioso e a vontade de contar essa história para o maior número de pessoas possível era um objetivo importante. Do cinema à internet, do livro ao Facebook, do disco ao Youtube. As idéias foram surgindo e a vocação do material foi se revelando”.

FORMATOS

Websérie Dominguinhos +

Estarão disponíveis, na web, gratuitamente, oito episódios – todos eles gravados nos últimos três anos. Eles serão postados semanalmente, às quartas, a partir de 26 de fevereiro. O último episódio estará no ar em 16 de abril.

Os convidados são: Hermeto Pascoal / João Donato, Wilson Das Neves, Luiz Alves / Gilberto Gil / Elba Ramalho / Lenine / Mayra Andrade, Yamandu Costa, Hamilton De Holanda / Djavan / Orquestra Jazz Sinfônica.

“Isso é reggae, é, Gil?”, pergunta Dominguinhos a Gilberto Gil, que confirma, numa ocasião em que viajavam juntos. E Dominguinhos rebate: “Que reggae, nada, isso aí é um xotezinho sem vergonha”. Esse é apenas alguns dos casos que o público irá conhecer assistindo à web série. Outra fala curiosa – e bastante tocante - é da cantora cabo-verdiana Mayra Andrade que menciona como um dos fatores de ligação entre ela e Dominguinhos a questão da seca, da água, da chuva.

Os encontros representam o registro histórico das últimas entradas em estúdio de Dominguinhos. Vale dizer que duas canções – na íntegra - gravadas nessas ocasiões, por encontro / episódio, estarão também disponíveis no site em playlist especialmente elaborada. Como serão oito episódios, 16 canções interpretadas por Dominguinhos e parceiros complementarão os minidocumentários.

Um “Easy Rider” de carro e com final feliz: é como poder ser encarado 'Amor de BR', do escritor e jornalista Joaquim São Pedro



Viajando sem compromisso de horário, os sentidos aguçados, as paisagens e a sinalização ditam o ritmo, início meio e fim de uma jornada que se mistura ao fluxo do pensamento e transita entre passado, presente e futuro. São características presentes no livro de contos Amor de BR, do escritor e jornalista Joaquim São Pedro

Quem já viajou sozinho uma ou mais vezes por uma longa estrada, por horas a fio, mãos no volante, olhar revezando-se entre a sinalização e as paisagens, com pensamentos ora no passado, ora no presente e ora no futuro, sabe que não se chega ao destino sendo a mesma pessoa que início aquela jornada.

A solidão de uma viagem emociona, faz rir e chorar. Traz lembranças e juras de que os erros cometidos não serão repetidos. Uma viagem feita incontáveis vezes, ainda que repetindo o mesmo trajeto, nunca será igual à outra. Surpresas aparecem de todas as formas. Neste caso, o importante é ter atenção no asfalto e a certeza do que o deslocamento tão longo pode representar perdas e danos profundos. Mas pode representar também o recomeço.

No livro de contos “Amor de BR”, o jornalista Joaquim São Pedro faz uma viagem pela BR-040, primeiramente determinado a ir buscar a mulher que o deixou, aproveitando, porém, a imensidão da estrada, recheada de histórias, para dizer a si no que errou e onde poderá acertar para que ela volte. O livro foi lançado no restaurante Feitiço Mineiro, na 306 Norte, na última terça-feira (25), pela Editora Thesaurus.

Para o autor, a incapacidade de compreender o eu, de saber (re)conhecer as próprias virtudes e os próprios defeitos, fazem dos personagens dos onze contos que compõem o livro “Amor de BR”, pessoas tão comuns quanto intensas. Capazes de abandonar a própria existência.

Fazer, por exemplo, da espera uma razão de viver é pouco para dar sentido a uma vida? Talvez. E abrir mão de um amor para servir ao próximo? Isto também não seria claro com retrato de uma autoestima baixa, capaz de reduzir a condição humana à servidão? O que quer alguém que está sempre fazendo do sofrimento, próprio ou alheio, a sua tábua de salvação? Assim caminham os personagens dos contos “Diário de uma espera (ele e ela)”. “Amor de BR” não tem a pretensão de ser algo filosófico, político. O seu autor e o editor não negariam, porém, que tem tudo para despertar um bom debate sobre o existencialismo. E não seria difícil para o leitor se identificar com algum personagem e dizer: já passei por isso.

O livro de contos “Amor de BR” é a segunda obra do jornalista mineiro Joaquim São Pedro, criado no Rio e que mora em Brasília, há 19 anos. O livro tem 160 páginas. A editora Thesaurus teve a preocupação de produzir uma obra leve e capaz de ser devorada em poucas horas.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Filmes adaptados para o cinema destacam-se entre os lançamentos deste ano, mas nem sempre eles são inspirados em obras conhecidas



Neste ano, cerca de20 filmes norte-americanos já em cartaz ou com previsão de estreia no Brasil são adaptados de obras literárias. Na cerimônia do Oscar do próximo dia 2, quatro das nove produções indicadas na categoria de Melhor Filme são baseadas em obras literárias


Apesar de ser um recurso largamente utilizado na indústria cinematográfica, produzir longas baseados em livros nunca deixa de produzir e bons resultados, a ponto de inspirar em premiações, categorias específicas para roteiros adaptados.

Mas não são só os filmes que se valem dos escritos para turbinar o número de espectadores já que, em vários casos, inúmeros filmes ajudar a catapultar vendas de publicações adaptadas, várias delas encalhadas nas prateleiras das livrarias. Na maioria dos casos da espécie, os livros são relançados com novas capas, inspiradas em cenários, personagens e outros dados inspirados nos filmes.

Dois exemplos recentes desse esquema são "Caçadores de Obras Primas" e "O Lobo de Wall Street", lançados no Brasil respectivamente pela Rocco e a Planeta. De tão parecidas, as capas parecem até integrar uma mesma coleção, com destaque para os personagens dos filmes.

Resgatando obras até centenárias

Em 2014, porém, outro aspecto do casamento cinema-literatura chama atenção: a adaptação de livros que passaram longe do sucesso de público, ou sequer foram publicados em outros países. É o caso de "12 anos de escravidão", escrito há nada menos que 161 anos.

Publicado em 1853, trata-se do relato de Solomon Northup, negro que vivia livre no estado de Nova York ainda durante a vigência do sistema escravocrata, no século XIX. Sequestrado, Northup é vendido como escravo e trabalha 12 anos nas plantações de Louisiana até conseguir escapar.

Ao longo das décadas, o livro caiu no esquecimento; no Brasil, nunca tinha chegado às prateleiras. Até cair nas mãos do diretor do longa, Steve McQueen. Com o sucesso do filme, aclamado pela crítica e um dos favoritos ao Oscar de Melhor Filme (já em cartaz no País), a publicação ganhou o fôlego internacional que nunca teve. No Brasil, foi lançada no fim de janeiro pelas editoras Seoman e Cia. Das Letras.

Não tão extremo, mas semelhante, é o caso de "Um Conto do Destino", romance de Mark Helprin, publicado em 1983 e adaptado para o cinema 30 anos depois, sob direção de Akiva Goldsman.

Em 2006, o New York Times Book Reviews fez uma enquete para escolher os romances americanos mais importantes dos últimos 25 anos. Críticos consultados colocaram "Um conto do destino" entre os 22 títulos escolhidos. Nada, porém, que chamasse atenção do mercado editorial no País - pelo menos até a adaptação para o cinema, que levou a editora Novo Conceito a lançar o título.

Mesmo best-sellers podem se beneficiar com a adaptação para o cinema. Publicado em 2005 pelo escritor Markus Zusak, "A menina que roubava livros" já vendeu 8 milhões de cópias no mundo e dois milhões no Brasil, onde foi lançado em 2007, pela editora Intrínseca. Com a estreia do longa homônimo nas salas nacionais, no fim de janeiro deste ano, as vendas foram novamente aquecidas, somando quase 40 mil cópias ao longo daqueles mês e com boas perspectivas de vendas enquanto o filme estiver em cartaz.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Orquestra Criança Cidadã, um grupo de jovens de uma comunidade pobre do Recife, está prestes a concretizar um sonho


 


Depois de ganhar o Brasil, tornando-se famosa ao se apresentar diversas vezes para o então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), Meninos do Coque se preparam para ter, mais do que uma sede própria, um centro de referência musical internacional

O nome Criança Cidadã ficou conhecido nos últimos nove anos como um grupo de jovens de uma comunidade pobre do Recife – os Meninos do Coque, como foram inicialmente denominados – que recebiam aulas de músicas e apoio pedagógico, médico e educacional no sentido de afastá-los da violência e torná-los cidadãos. Depois de ganhar o Brasil, tornando-se famosa ao se apresentar diversas vezes para o então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), a OCC se tornou um modelo e ganhou uma dimensão de um projeto muito maior do que apenas uma orquestra.

Prestes a completar uma década de existência, a instituição acaba de ganhar um novo maestro – Nilson Galvão Jr., apresentado ao público na última quarta-feira (19/2), em concerto na Caixa Cultural – e se prepara para seu passo mais ousado: a construção de uma sede própria, com uma escola e uma sala de concerto nos moldes do que há de melhor e mais moderno na América do Sul, e a ampliação do número de crianças atendidas dos atuais 170 para 300. A primeira etapa para a concretização do empreendimento – orçado em R$ 44 milhões – foi sua inscrição e recente aprovação na Lei Rouanet do Ministério da Cultura.

As mudanças começam a se projetar efetivamente em um momento quando o projeto, enquanto atitude social, dá seus mais importantes resultados. Recentemente, seis dos integrantes da OCC foram aprovados em concurso para a Orquestra Sinfônica de Goiás.

Idealizado em 2005 pelo juiz de direito João José Rocha Targino, o projeto, gerido pela Associação Beneficente Criança Cidadã (ABCC), teve como seu primeiro coordenador musical o maestro potiguar radicado em Pernambuco Cussy de Almeida (1936-2010). No ano seguinte foi selecionado o primeiro grupo de crianças, moradoras do Coque (área central do Recife), um dos bairros mais violentos e de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade. O objetivo inicial era reinserir os jovens na sociedade por meio da música visando à profissionalização dos mesmos – como pré-requisito, o participante precisa estar matriculado e frequentar as aulas do ensino regular em escola pública.

Prevista para ficar pronto em dois anos, a partir do início de sua construção, a sede definitiva da Orquestra Criança Cidadã será erguida em um terreno de 14.700 m² antes pertencente à Marinha do Brasil, no bairro do Cabanga, e que foi cedido à OCC, em 2010, pelo ex-presidente Lula. O projeto, até agora financiado inteiramente pelo Grupo Oderbrecht – que já investiu cerca de R$ 1 milhão –, é o maior em valor já aprovado pela lei de incentivo à cultura federal.

O complexo contará com o primeiro teatro totalmente acústico de todo o Norte/Nordeste do País. O projeto acústico é assinado por José Augusto Nepomuceno e Júlio Gaspar. Nepomuceno é responsável pelo projeto acústico da Sala São Paulo – principal referência do gênero no Brasil – e do Gran Teatro Nacional de Lima, no Peru.
Fonte: jconline

Tendo como referências poetas da estirpe de Catulo da Paixão Cearense e Patativa do Assaré, Jessier Quirino figura entre os maiores nomes da poesia regional nordestina





Jessier, por Jessier: “Mesmo não parecendo, sou desses cabras tímidos. Na infância vivia escondido feito segredo de abelha e era desconfiado feito doido em cemitério. A poesia me deixou um pouco mais solto, mas ainda hoje sou caseiro e reservado ou como diz o matuto: amoitado, feito carneiro que tomou bicho na capação”



O arquiteto por profissão e poeta por vocação, Jessier Quirino é paraibano de Campina Grande e escolheu Itabaiana(a da Paraíba e não a Itabaiana de Sergipe), para morar. Na sua vasta e eclética obra, destacam-se os livros "Paisagem de Interior", "A Miudinha", "O Chapéu Mau e O Lobinho Vermelho" "Agruras da Lata D'Água", "Prosa Morena - acompanha um CD com gravações de alguns poemas", "Política de Pé de Muro" e "A Folha de Boldo - Notícias de Cachaceiros", além de cordéis, causos, musicas e outros escritos. Um crítico do Jornal do Commércio - Recife fez o seguinte comentário certa feita:

"A poesia matuta já é um estilo consagrado da literatura brasileira. Nomes como Patativa do Assaré, Catulo da Paixão Cearense e Zé da Luz são conhecidos em todo o país como os principais representantes do gênero. Um pouco menos famoso que os três, mas podendo ser considerado tão importante quanto, é Jessier Quirino, poeta paraibano que vem se destacando por seu estilo humorístico."

O poema abaixo consta do livro "Prosa Morena", Editora Bagaço - Recife, 2001 e leva os cinquentões a lembrarem de priscas eras e servem par aos mais jovens conhecerem hábitos, costumes e objetos de 50 anos atrás. Vejam a criatividade “matuta” de Jessier Quirino, em

Vou-me embora pro passado

Jessier Quirino

"No rastro da Bandeira de Manuel"


Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas "daqui, ó!"
Roy Rogers, Buc Jones
Rock Lane, Dóris Day
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet
Jeep Willes, Maverick
Tem Gordine, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.

Lá dançarei Twist
Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Banlon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di Lá
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.

No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeio de Lambreta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.

Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical
"Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando"
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz
Da Cachemere Bouquet
Coty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê
English Lavanda Atkinsons
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho.

E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de organdi
Com gola de tafetá.

Os homens lá do passado
Só andam tudo tinindo
De linho Diagonal
Camisas Lunfor, a tal
Sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo
Ou Fox do bico fino
De camisas Volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso
Ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.

Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam
Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba larga
Ramenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame Mucho
Solfejando a meio tom.

No passado é outra história!
Outra civilização...
Tem Alvarenga e Ranchinho
Tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth
Ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo
Mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta
Tem também Mamãe Dolores
Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse
Túnel do Tempo, tem Zorro
Não se vê tantos horrores.

Lá no passado tem corso
Lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso
Com notícias atuais.

Tem petisqueiro e bufê
Junto à mesa de jantar
Tem bisqüit e bibelô
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega
De drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.

Lá, também tem radiola
De madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada
De Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.

Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina
Tem misse botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.

Se ouve página sonora
Na voz de Ângela Maria
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!..."

Quando não querem a paquera
Mulheres falam: "Passando,
Que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de "tudo X"
E sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.

No passado tem remédio
Pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat
Mel Poejo e Asmapan
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.

Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma cama Patente
Daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro
Vou-me embora pro passado!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Por motivos ainda não esclarecidos, exemplares do 'Diário de Anne Frank' são destruídos em Tóquio


 

De acordo com o conselho de bibliotecas do local, páginas foram arrancadas de pelo menos 250 exemplares do livro que continha a biografia de Anne Frank ou informações sobre as perseguições aos judeus

Vários exemplares do 'Diário de Anne Frank' foram destruídos em bibliotecas públicas de Tóquio, onde foram encontrados com páginas arrancadas. A polícia da capital japonesa abriu uma investigação depois de receber várias denúncias.

De acordo com o conselho de bibliotecas públicas de Tóquio, páginas foram arrancadas de pelo menos 250 exemplares do diário ou de publicações que continham a biografia de Anne Frank ou informações sobre as perseguições aos judeus.

Em outras regiões próximas, informa a imprensa, foram atacados mais de 10 livros sobre a mesma questão. "Temos queixas de cinco (dos 23) distritos de Tóquio, mas ainda não sei exatamente quantas bibliotecas foram afetadas", disse à AFP Satomi Murata, chefe do conselho de bibliotecas públicas da capital. "Não sabemos o motivo, nem quem fez isto", completou.

"Cada exemplar danificado tem entre 10 e 20 páginas arrancadas. Estão inutilizáveis", afirmou Kaori Shiba, diretor de arquivos da biblioteca municipal central do distrito de Shinjuku. Toshihiro Obayashi, vice-diretor da biblioteca central de Suginami, relatou que 119 exemplares foram danificados em 11 das 13 livrarias da região. Ele disse que nunca havia acontecido algo parecido.

Na internet, o Centro Simon Wiesenthal manifestou surpresa e inquietação. "Pedimos às autoridades japonesas que identifiquem os autores desta campanha de ódio e que resolvam a questão", declarou Abraham Cooper, diretor do Centro, que tem sede nos Estados Unidos.

A história de Anne Frank

O Diário de Anne Frank foi composto pela então adolescente Anne Frank, no período que se estende de 1942 a 1º de agosto de 1944. Este poderia ser um diário escrito por qualquer garota de 13 anos, nos tempos atuais, com todas as inquietudes e preocupações de uma jovem, se ela não estivesse vivendo justamente em um dos contextos mais difíceis da história da Humanidade, a Segunda Guerra Mundial.

Ela tinha apenas 13 anos e, de repente, viu sua existência sofrer uma transformação radical. Subitamente Anne estava vivendo com sua família e outros judeus, companheiros da mesma sina, ocultos em Amsterdam, na Holanda, na época em que este país foi invadido pelos nazistas alemães.

Em palavras singelas e de fácil entendimento, a garota narra a rotina desta pequena comunidade durante o período em que seus integrantes permaneceram refugiados no porão do gabinete em que seu pai trabalhara, para onde o grupo se dirige ao tomar conhecimento do destino que lhes estaria reservado se fossem capturados pelas forças da Alemanha.

Neste recanto abrigam-se a família de Anne – a adolescente, os pais e a irmã -, e a do Senhor Van Daan – ele, a esposa e o filho Peter, que se torna o melhor amigo da garota, e por quem ela se encanta cada vez mais. A autora deste diário registra a vivência destas pessoas sob a ameaça constante da morte e sua visão pessoal sobre este terrível confronto bélico.

Anne tem a ideia de escrever um diário que pudesse realmente ser publicado após ouvir uma transmissão radiofônica que incentivava as pessoas a documentar os eventos ligados à guerra, pois este material teria, futuramente, um alto significado. Ela inscreve em seus escritos tudo o que se passa no cotidiano dos fugitivos, inclusive sua notória predileção pelo pai, que considerava amoroso e nobre, ao contrário da mãe, com quem a menina estava sempre em confronto.

Depois de tempos difíceis, oficiais da Gestapo descobrem o esconderijo, em 4 de agosto de 1944, prendem os refugiados e os conduzem para diversos campos de concentração. Neste mesmo dia o pai, Otto Heinrich Frank, recebe o diário da filha e, como é o único remanescente do período transcorrido como prisioneiro, luta pela publicação de seus textos, realizando finalmente o sonho de Anne. Com o auxílio da escritora Mirjam Pressler, ele alcança o seu objetivo e lança o diário em 1947.

Assim como o “champanhe”, só os produtos originários da localidade Italiana podem ser chamadas de “murano”



Esta técnica foi trazida para o Brasil nos anos 50, cabendo aos irmãos Antônio Carlos e Paulo Molinari serem os responsáveis pelo desenvolvimento desta técnica nas terras brasileiras. Eles foram aprendizes do mestre italiano Aldo Bonora, que havia adaptado uma fábrica de vidro não mais utilizada para iniciar a elaboração de obras em  murano 

Oassunto é tão gostoso que fica quase que injusto apenas postarmos fotos das peças que acabam de chegar aqui na loja. Essa técnica conhecida como murano é tão encantadora, milenar, que a partir de todo esse aprendizado abaixo, ela fica ainda mais linda…. Sente-se que lá vem história!!!

A técnica conhecida como murano tem início na Itália, em tempos distantes, particularmente em Veneza. Esta concepção artesanal da arte do vidro era restrita a algumas famílias tradicionais, as quais transmitiam de geração em geração esta ciência milenar, com todos os seus meandros secretos. Mesmo atualmente veem-se os mesmos grupos familiares cultivando este ofício, residentes no mesmo lugar onde estas pessoas foram exiladas, em 1291, para que não se perdesse o segredo desta tarefa artesanal, na ilha Murano.

Assim, as famílias tinham que permanecer nesta localidade, sem jamais deixá-la, sob pena de perder a própria vida, sob o domínio dos governantes venezianos. O fato é que esta forma de soprar o vidro e, desta forma, produzir peças de rara beleza, foi cada vez mais aperfeiçoada pelas fundições, processo estimulado pelo espírito competitivo que reinava entre as casas produtoras do Murano. Os produtores começam como principiantes e depois de muito labor e inventividade eles se transformam em mestres.

As famílias de artesãos buscam sempre formatos e cores originais para obterem vidros cada vez mais belos. Os Barovier são considerados os mais criativos e conhecidos por suas obras, seja pelos vidros límpidos, esmaltados em tons azuis, vidros madrepérola, ou pelos vidros avermelhados corneliano e murrini, que conferem ao material um aspecto semelhante ao do mosaico.

Do mecanismo de fusão dos metais até a conclusão da produção do murano, podem transcorrer três dias, variando conforme o nível de dificuldade oferecido pela peça. Antes de tudo o material concreto, como a areia de quartzo e o chumbo, dentre outros, são dispostos em um forno a uma temperatura de quase 1.500 graus centígrados, convertendo-se em uma substância em estado de brasa.

O próximo passo consiste em extrair esta massa com um instrumento intitulado ‘cana’ de assopro. Ela esfria também no interior de um forno, o qual diminui o calor aos poucos, até que o material resultante possa ser manipulado pelo artesão, quando se encontra por volta de 1.250 graus. Este processo se desenrola mais ou menos por 20 a 40 minutos, mas às vezes é possível transcender uma hora, em virtude de elementos mínimos do desenho. O produto final é então burilado – uma tarefa que leva de três a quatro horas para ser realizada.

Oscar 2014 acontece no dia 2 de março e terá Christoph Waltz como apresentador



Ganhar um Oscar é como anexar um "Selo de qualidade" que garante boa bilheteria e pode impulsionar carreiras de atores e diretores, além de garantir prestígio aos  estúdios, que são os principais beneficiados por indicação ou vitória no maior prêmio do cinema


A campanha dos estúdios hollywoodianos para ganhar o Oscar movimenta milhões de dólares, representa meses de esforços de marketing e impõe uma intensa rotina de eventos e entrevistas para atores e atrizes. No fim das contas, será que tanto investimento de tempo e dinheiro vale a pena?Estúdios, que são os principais beneficiados por indicação ou vitória no maior prêmio do cinema

Estudos e analistas garantem que sim, principalmente para os estúdios. E nem é preciso ganhar: a mera indicação ao Oscar de melhor filme é suficiente para que ele receba forte impulso nas bilheterias e dê mais dinheiro aos realizadores.

De acordo com estudo do centro Ibis World Media, entre 2007 e 2011 os indicados à estatueta de melhor filme tiveram orçamento médio de US$ 42,1 milhões (R$ 102 milhões) e renda de US$ 104,2 milhões (R$ 252,5 milhões). Pelo menos metade deste valor costuma ser arrecadado depois de a Academia anunciar suas indicações.

Outra pesquisa, esta do site BoxOfficeQuant, analisou todos os vencedores do Oscar entre 1990 e 2009 e concluiu que a estatueta de melhor filme representa um ganho extra de quase US$ 14 milhões nas bilheterias. O valor, que já é alto, não leva em consideração ganhos fora dos Estados Unidos ou com a venda de DVDs e Blu-rays, por exemplo.

Para analistas, muito deste impulso se deve ao fato de o prêmio ser visto como selo de alto padrão. "Se você puder colocar 'indicado ao Oscar' ou 'vencedor do Oscar' em um pôster, anúncio de jornal ou capa de DVD, trata-se do mais imediato indicador de qualidade que as pessoas conhecem", afirmou Scott Feinberg, analista do site "The Hollywood Reporter", em entrevista ao iG.

Como grande parte do público quer ver os filmes indicados antes da cerimônia, que neste ano está marcada para 2 de março, os estúdios fazem o que podem para colocá-los no maior número possível de salas.

Mesmo filmes que já tinham saído de cartaz voltam ao circuito, como "Gravidade", que estreou em outubro, mas retornou aos cinemas dos Estados Unidos e do Brasil após receber dez indicações. "Clube de Compras Dallas", uma estreia de novembro, nunca esteve em tantos cinemas norte-americanos quanto agora: foram 294 salas a mais logo depois de ser indicado em seis categorias.

Para Feinberg, são estes filmes menos badalados - neste ano, "Clube de Compras Dallas","Ela", "Nebraska" e "Philomena" - os que mais se beneficiam do efeito da indicação nas bilheterias. "Até então, eles não estavam no radar das pessoas."

Atores e atrizes

Para os atores e atrizes indicados, o prêmio geralmente representa mais prestígio e ofertas de trabalho, bem como aumento no cachê.

"Quem leva o Oscar costuma ganhar mais dinheiro em seus projetos posteriores. Mas esse valor não chega nem perto do que um estúdio pode ganhar se tiver um ano bom, com vitória nas principais categorias", afirmou Phil Contrino, analista-chefe do site BoxOffice.com. O aumento de cachês pós-Oscar não segue um padrão, mas é algo rotineiro na indústria cinematográfica.

Nicolas Cage, por exemplo, ganhou US$ 240 mil (R$ 581,7 mil) em "Despedida de Las Vegas", filme que lhe deu o Oscar em 1996. Dali em diante, viu seu salário disparar: foram US$ 16 milhões (R$ 38,7 milhões) de cachê em "Olhos de Serpente" e R$ 20 milhões (R$ 48,4 milhões) em "60 Segundos".

Halle Berry ganhou US$ 600 mil (R$ 1,4 milhão) por "A Última Ceia", pelo qual levou o Oscar de melhor atriz em 2012. Depois de premiada, embolsou US$ 14 milhões (R$ 33,9 milhões) por "Mulher-Gato".

Berry, porém, nunca voltou a fazer trabalhos relevantes, transformando-se num dos principais nomes associados à chamada "maldição do Oscar", ao lado de atores como Cuba Gooding Jr., Mira Sorvino, Reese Whiterspoon e Renée Zellwegger.

"Ganhar um Oscar pode levar uma carreira a outro patamar. Algumas pessoas sabem capitalizar, mas outros não conseguem usar esse 'momentum' do jeito certo", explicou Contrino. "As escolhas pós-Oscar são extremamente importantes."

Indicados deste ano

Um exemplo de acerto é a atriz Jennifer Lawrence, indicada ao Oscar pela primeira vez em 2010, por "Inverno da Alma". Ela perdeu, mas soube aproveitar as oportunidades, dividindo-se entre franquias ("Jogos Vorazes", "X-Men") e sucessos de crítica como "O Lado Bom da Vida", pelo qual ganhou o Oscar em 2013, e "Trapaça", que rendeu nova indicação neste ano.

Para Feinberg, a nova indicação "não muda a vida" de Lawrence ou de outros concorrentes deste ano, como Sandra Bullock e Meryl Streep (que disputa o Oscar pela 18ª vez). “Ser indicado já é algo esperado para esses artistas. No máximo, faz com que mais pessoas queiram trabalhar com eles.”

Para outros, porém, o Oscar pode significar muito. Indicado pela última vez há 35 anos, Bruce Dern ("Nebraska") voltou aos olhos da indústria e deve receber mais ofertas de trabalho. Celebrado por "O Lobo de Wall Street", Jonah Hill tende a ser mais cotado para papéis dramáticos.

Mais interessante ainda será observar o que acontecerá com os novatos Barkhad Abdi ("Capitão Phillips") e Lupita Nyong'o ("12 Anos de Escravidão"). “Ninguém tinha ouvido falar deles há alguns meses e agora os dois estão por toda parte", disse Feinberg. "Vamos ver se eles conseguirão fazer uma carreira a partir da indicação do Oscar, como fez a Jennifer Lawrence, ou se serão alguém como Gabourey Sidibe, que fez pouca coisa depois de 'Preciosa.'"

Brasileiros indicados

Única atriz brasileira indicada ao Oscar, Fernanda Montenegro afirmou recentemente que tanto disputar o maior prêmio do cinema quanto ganhar o Emmy não mudou em nada sua carreira – e isso, para ela, foi um alívio.

“(Ser indicada) é bom? É. É uma coisa importante. Você percebe que alguém te ama, alguém te quer, alguém te chama de meu amor. No Brasil, isso não muda nada. No mundo dos que produzem, seu salário aumenta, você é mais solicitada, então ‘estar lá’ é muito importante”, afirmou.

Mais: "Você ganha e continua a mesma coisa", diz Fernanda Montenegro

“Quando você ganha, você tem que imaginar seus mil projetos. Aí vai gente falar que você tem que fazer isso, fazer aquilo. Que vai ganhar milhões. Graças a Deus não tem isso aqui. Você ganha, fica feliz, volta para casa e continua a mesma coisa.”