Construção - Reforma - Manutenção

Construção - Reforma - Manutenção
Clientes encantados é a nossa meta!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Romance "A Emparedada da Rua Nova" inspira série de TV da Globo "Amores Roubados"



Romance antológico da literatura pernambucana, "A Emparedada da Rua Nova" continua praticamente desconhecido das gerações atuais, mas não por muito tempo, já que a Globo acaba de estrear uma minissérie inspirada na obra de Carneiro Vilella

No estilo de folhetim em que foi escrito o livro, mais do que as raízes de nossa sociedade, é possível também reconhecer o DNA das nossas novelas atuais. Escrito originalmente em capítulos, que saíram entre 1909 e 1912 no Jornal Pequeno, de Recife, era preciso manter viva a atenção do leitor. Para isso, pequenos clímax são constantes durante toda a obra. 

Os personagens são primeiro pintados com as cores que a sociedade atribuía a cada um deles, para depois serem desnudados em toda a sua corrupção e humanidade.O romance evoca uma lenda urbana centenária no Recife - a da jovem desonrada, que foi emparedada viva pelo pai - como desculpa para descortinar uma sociedade rígida, hierárquica e hipócrita na Recife de meados do século XIX. A história bem ligada ao coronelismo vigente à época, gira em torno de duas famílias abastadas da capital pernambucana - uma aristocrática e outra burguesa - e suas relações carnais e econômicas com outras camadas menos favorecidas da sociedade de então.

Carneiro Vilella não nutria muita simpatia pela Igreja Católica e não perde a oportunidade criticá-la e de atribuir às crendices perpetradas pelos colégios católicos femininos, as causas para fraqueza intelectual e moral das mulheres de então. Na descrição inicial das qualidades morais em voga na sociedade, o autor beira o cinismo - ou pelo menos o que eu presumo que seja - o que para um leitor menos atento pode parecer o elogio à mesma hipocrisia que ele tanto denuncia no seu romance.

Lançado em livro na década de 30, “A Emperadada da Rua Nova”, ganhou edição nova em 1984, através da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, uma outra em 2005 por uma iniciativa de Lucilo Varejão Filho, então presidente da Academia Pernambucana de Letras e agora, a Cepe Editora do Recife está republicando o volume (520 págs, R$ 40). Todas as suas edições anteriores tiveram pouca tiragem e todas as suas edições estão esgotas.

Entre as histórias que cercam o romance “A Emparedada da Rua Nova”, que retrata um crime hediondo, na qual uma moça indefesa foi emparedada viva, pelo próprio pai, "em defesa da honra da família", deixa uma dúvida no ar: o acontecimento foi verdadeiro ou Vilela teria inventado a estória que, de tão bem construída, faz com que até hoje muita gente acredite que foi baseada em fatos reais?

O pernambucano Joaquim Maria Carneiro Vilela foi advogado, ilustrador, pintor paisagista, cenógrafo, juiz, bibliotecário, secretário de Governo e fabricante de gaiolas.  V
ilela dizia que a história que resultou no romance viera de um relato que ouvira de uma escrava. O telespectador que gostar da série televisiva poderá pedir um exemplar do livro e experimentar uma cruel surpresa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!